A dura realidade do estudante do período noturno
07 de março de 2008, 11:50O ensino superior noturno, com menos de 50 anos no Brasil e 70% das matrículas em São Paulo, é um instrumento de inclusão social. Mas os alunos reclamam de aulas expositivas com baixa interatividade que causam desinteresse, apatia e sono.
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A rotina diária de levantar cedo, trabalhar o dia todo, e enfrentar as dificuldades de trânsito e transporte faz parte da realidade de dezenas de milhões de brasileiros.
Entretanto, para 2,7 milhões, esse hábito é seguido de atividades estudantis no período noturno, alimentação inadequada e um percurso de volta ao lar marcado pela insegurança. Acresça-se ao cenário uma reduzida quantidade de horas de sono, pouco lazer e a própria legislação trabalhista, que não oferece flexibilização de horário de trabalho para o estudante-trabalhador e não propicia benefício-alimentação adicional que assegure uma refeição antes das aulas, uma vez que a locomoção é feita diretamente do local de trabalho para a instituição de ensino.
Essa foi a constatação de uma tese desenvolvida sobre o impacto do “entorno educacional” no cotidiano do estudante do ensino superior noturno, a qual pesquisou 340 estudantes da cidade de São Paulo e de dois municípios do interior paulista, um da região de Campinas e outro de Araçatuba.
O ensino superior noturno é recente no Brasil – tem menos de 50 anos de existência. No entanto, possui alta representatividade numérica e mostra-se crescente: totaliza 60% do total de matrículas do país e 70% do Estado de São Paulo. Ao longo dos últimos anos, transformou-se em instrumento de inclusão social, pois nele o jovem busca sua formação profissional, enquanto o trabalho remunerado durante o dia oferece-lhe subsídios financeiros para viabilizar os estudos.
Os pesquisados reclamam das aulas expositivas não-dialogadas, com baixa interatividade, pouca utilização de recursos tecnológicos que estimulem sua participação, causando desinteresse, apatia e sono.
Na Capital, o trânsito e o trabalho depois do expediente normal são fatores que causam atrasos, perda de aulas e provas. No interior do Estado, o longo trajeto em estradas é outro fator dificultador, porque, muitas vezes, o curso desejado não é oferecido na cidade do estudante. O que há em comum para os estudantes das cidades pesquisadas é a presença da violência após o encerramento das aulas, quando estes ficam expostos aos riscos da noite, período de maior índice de delitos.
Os pesquisados (86% são estudantes-trabalhadores) alegam que os atrasos na chegada à instituição os impedem de realizar pesquisas antes da aula ou mesmo freqüentar bibliotecas, diminuem o convívio social e impedem que se alimentem. As dificuldades atingem de forma indiscriminada estudantes de todos os níveis sócio-econômicos.
Passando ao largo pelo protecionismo ou assistencialismo, destaca-se que a instituição de ensino e o “extramuros” não reconhecem essas dificuldades. A instituição deveria disponibilizar infra-estrutura (biblioteca, secretaria, laboratórios) em horários depois das aulas, bem como ter seu projeto pedagógico compatível com a realidade do aluno do noturno, e oferecer recursos tecnológicos e capacitação ao corpo docente, possibilitando o desenvolvimento de conteúdos atualizados. Também deveria buscar integração com empresas de transportes para compatibilizar horários e demandas.
Nessa mesma linha, as prefeituras deveriam criar e manter faixas de travessia de pedestres, iluminar as áreas próximas às instituições, organizar o fluxo de veículos na chegada e saída dos estudantes. Já a Secretaria de Segurança Pública poderia ter um contingente repressivo maior no período noturno (entre 22 horas e meia-noite), horário de maior circulação de estudantes, e estender a realização de rondas escolares às instituições de ensino superior.
Adicionalmente, os empresários, em meses letivos, poderiam flexibilizar o horário de trabalho e ampliar o valor do benefício-alimentação para tais estudantes.
Muito se fala sobre a importância da Educação na formação de um país, de seu povo e, sobretudo, das conseqüências da melhoria na qualidade de vida. Na atualidade, falar em Educação como prioridade transformou-se em discurso politicamente correto de intelectuais, empresários e políticos.
Essa é a hora de dar um basta na expectativa de que “o outro” faça algo, pois a Educação clama por ações imediatas tanto do extramuros como do intramuros das instituições de ensino. Ações que sejam integradas, sincronizadas e amparadas por planos e políticas públicas; que se sobreponham a cores partidárias, tendo um real compromisso com a sociedade e a formação do povo brasileiro. [Webinsider]
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1° Tom Data: 07/03/2008 às 12:59 pm
Atividade: Tecn. CPD
Cidade: Guarulhos
Bom, essa é a dura realidade que temos que conviver todos os dias. Fora todos os fatores que você citou Armando, um em especial que gostaria de enfatizar é sobre até a alimentação ao qual você disse.
Acho que pelo valor que pagamos pelos estudos, deveria ter algum benefício desse tipo em todas as instituições. Em todas que conheço tem as tais cantinas ou lanchonetes, mas, imagina todos os dias você pagar pra comer, seria um pouco a mais do seu salário que vai embora. Deveria a instituição estabelecer um prato fixo diário para sustentar os estudantes, pois estudar com fome, de estomago vazio é uma coisa que eu não recomendo pra ninguém. A falta de alimentação muitas vezes tira a sua atenção na aula. Deveriam, como disse, pelo valor pago por cada estudante, tirar uma porcentagem e investir nessa parte para não termos que ficar pagando para nos alimentar.
Acho que nem todos (os trabalhadores-estudantes) que saem do trabalho direto para a faculdade tem dinheiro para comprar um lanche que seja, as vezes tem só o dinheiro do valor da faculdade e nada mais, se mata para pagar, tenta economizar o máximo para não ficar atrasado com suas prestações, isso gera até uma abstinência, com essa economia para não atrasar no valor do estudo, ele fica até sem comer e é pior para nós também. Mas as instituições não pensam nisso, pensam apenas no bolso deles e em nada mais. Agora, deixa atrasar 2 dias depois do vencimento da mensalidade para você ver, ai sim eles vão saber que nós existimos.
O BRASIL É UMA VERGONHA !!!