A calopsita e o Coelho
15 de fevereiro de 2008, 13:46E-books circulando na web rendem mais vendas de livros de papel? Paulo Coelho garante que sim.
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No final do ano passado, dei uma calopsita para o meu filho, o Breno. Para quem não sabe, calopsita é um misto de periquito com papagaio, com um penacho na cabeça. É lindo, simpático e, principalmente, fácil de cuidar - o dos outros, não o que habita a minha casa.
Embora eu e minha esposa, Ana, tenhamos tomado todo cuidado, o bichinho, coitado, veio com clamídia, uma espécie de gripe permanente, sem espirros, e transmissível a seres humanos. Já gastamos quase mil reais entre vacinas e exames, e ele ainda não está curado. Pensa que o pesadelo terminou? Breno queria uma calopsita macho, que canta e pode até falar. Fizemos o exame de sexagem – o Sol, coitado, é ‘a’ Sol.
Não tenho rancor da pet shop onde compramos o bichinho. Só desejo que ela seja o epicentro de um terremoto de enormes proporções e raio de ação reduzido, que reavivará um vulcão adormecido e, por fim, provocará um tsunami que engolirá o que sobrar da loja. De resto, desejo tudo de bom para eles.
Mas o que a Sol tem a ver com o Paulo Coelho? Da mesma maneira que a descoberta do real sexo da Sol foi como um soco no estômago, a matéria que saiu há poucos dias no ‘El País’ me pegou de surpresa e deixou os leitores de queixo caído. É algo que dividirá, para sempre, a opinião do mercado editorial sobre pirataria.
Agarre-se na cadeira e cheque alguns trechos do texto, gentilmente traduzido pela Ana:
PAULO COELHO MULTIPLICA POR DEZ AS SUAS VENDAS GRAÇAS AO DOWNLOAD GRATUITO
“Paulo Coelho encontrou a fórmula para converter o inimigo em aliado. Como se fosse um alquimista, o autor brasileiro transformou em ouro um meio detestado por gravadoras e editoras. Na conferência “Digital, Life, Design”, realizada em Munique, o autor confessou que há anos vem publicando seus livros na internet em segredo porque “ao final do dia, as pessoas vão comprá-lo, isto os estimula a ler o que, por sua vez, os estimula a comprar”, assegura o autor, que avalizou sua teoria com dados objetivos: ao publicar a tradução para o russo do romance O Alquimista, suas vendas na Rússia subiram de cerca de 1.000 unidades por ano para 100.000 unidades”.
Tá bom pra você? Deixando a qualidade literária do autor de lado – eu ficaria a vida inteira escrevendo este texto -, Paulo Coelho é o cara, nosso Pelé, nossa Gisele Bündchen dos livros. ‘Paulo Coelho Rules’: ele manda e sabe disso. Não à toa, hoje em dia, Paulo diz e faz o que quer, como em Munique. Então quer dizer que pirataria multiplica por dez a venda dos livros?
Continuemos a ler a matéria:
“Coelho, que aparece em um de seus blogs posando como pirata em uma foto, teve que lutar contra algumas travas legais para poder oferecer seus livros na internet, já que as editoras não são partidárias deste sistema: ‘O problema foi encontrar uma forma de driblar as leis que me obrigam a conseguir a permissão dos tradutores dos meus livros se quiser distribuir cópias em outros idiomas”, afirma Coelho (…)“.
A questão não inclui apenas autor e editoras, coloca tradutores na roda, também? Valha-me Deus. Continuemos:
“A primeira vez que Coelho fez valer uma das máximas deixadas pelo carteiro de Neruda – ‘A poesia não é de quem a escreve, mas de quem a necessita’ – foi em 2001, quando publicou Histórias para pais, filhos e netos. Ele concluiu que o livro teve milhares de downloads, um fato que não é proporcional à leitura, já que as conversas mantidas com diversas pessoas não confirmaram que estas tivessem feito o download. Apesar disso, Coelho é partidário desse sistema que permitiu que ele expandisse a sua obra ao redor do mundo graças às traduções que disponibilizou na internet”.
Confesso que citar Neruda demonstra que, além de um mestre do marketing, Paulo Coelho tem um humor capaz de botar os britânicos no chinelo.
Sendo eu, também, um autor, esta questão já me foi apresentada em meados do ano passado. Um aluno disse que viu meu segundo livro listado no e-Mule. Não dá para dizer que não fiquei incomodado, mas pouco depois li uma entrevista com Cory Doctorow, escritor e colunista da Forbes - que havia acabado que lançar seu ‘Overclocked: Stories of the Future Present’ -, sobre disponibilizar gratuitamente livros em e-books.
Doctorow, ferrenho defensor do Creative Commons, dizia que seus livros circulando pela web lhe rendiam outros frutos; o principal seria a divulgação, não da obra, mas de seu nome. Ou seja, a ‘pirataria’ renderia contratos para palestras, conferências, aulas etc..
Hum… Sabe que é verdade? Que a minha editora não me escute.
Mas vou ficar em silêncio. Tenho certeza que já há leitores desta coluna imaginando Paulo Coelho em Laranjeiras, lá perto de casa, entrando em uma pet shop, segundos antes da lojinha ser assolada por fenômenos naturais – tudo observado atentamente por um bando de calopsitas sedentas de vingança e um enorme grupo de autores, editoras e tradutores loucos por sangue.
Credo! [Webinsider]
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- E São Paulo que me aguarde! Agora é certo: em maio, retornarei firme e forte com meu curso às terras paulistanas!
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1° Roberto Bechtlufft Data: 16/02/2008 às 10:51 pm
Atividade: Tradutor
Cidade: Rio de Janeiro
Achei no mínimo inusitado um arquivo do webinsider com um título desses, não pude deixar de ler.
Só queria me solidarizar com seu sofrimento. Também tive uma calopsita que era macho, “o” Tobias, e que virou “a” Tobias. Malditas pet-shops. O ideal é comprar direto do criador, até porque elas costumam ser quinhentas vezes mais saudáveis.
Outra: o/a Tobias morreu aos três anos, vítima das famigeradas “farinhadas”. Talvez você já tenha visto por aí: farinhada de beterraba, farinhada de ovo… tem um monte de gente que diz que faz bem, que nutre a ave. Balela. É pura química. Arruinou o fígado do meu pobre passarinho.
E o girassol? Cate pacientemente o girassol da mistura de sementes dele. É gorduroso, seu bichinho vai engordar até explodir. Tira vários anos da vida dos papagaios. Eles consomem na natureza porque voam pra lá e pra cá. Em casa eles não gastam essa energia toda, e faz um mal danado. Dê só uma vez por semana, como se fosse chocolate.
E sempre confirme as dicas de desconhecidos como eu com um veterinário. Na internet só me deram dica furada. Procure um veterinário DE ANIMAIS SILVESTRES. A veterinária de cães aqui da esquina foi cortar a asa do Tobias uma vez e o bicho quase sangrou até a morte. Outro veterinário “canino” deu algumas das dicas que levaram o pobre Tobias ao jardim do meu prédio, onde repousa embalado em papel-gordura. O Mufasa, novo bebê da casa, só vai em veterinário especializado em animais silvestres.
Ah, sim, legal o artigo