O que significa o Yahoo para a Microsoft
06 de fevereiro de 2008, 15:16Além de competir melhor com o Google em buscas e receita em links patrocinados, a aquisição do Yahoo pela Microsoft seria uma importante defesa em frentes como os serviços online, por exemplo.
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Hoje a Microsoft é o grande império dos computadores - a maioria dos computadores roda Windows. A maioria dos documentos é feita no Microsoft Office. Mas há competidores cada vez mais fortes e o tempo em que ganhar era fácil acabou. Nós não sabemos como este jogo continuará, pois um jogo se faz a cada instante.
Ainda está no horizonte a possibilidade da Microsoft perder o reinado.
Embora ainda timidamente, o Linux avança, com ações mais voltadas para melhorar a experiência do usuário, como o Ubuntu. O Firefox tem dado grandes demonstrações de força, ganhando em pouco tempo um mercado que o Netscape lutou até a morte para conseguir. A Apple veio comendo pelas beiradas com o iPod e está também avançando sobre os PCs com Windows.
Muitas reclamações têm sido feitas sobre o Windows Vista e não são poucos os usuários que compram um PC com o sistema e fazem um “upgrade” para o XP.
Mas o maior desafio da Microsoft não está no software desktop.
Este é o seu habitat natural, seu reino. A sua próxima grande batalha está em outra plataforma: a internet. Vimos nos últimos anos uma mudança muito radical na maneira como consumimos software. É o Office 2.0. Usuários deixam de lado programas instalados no computador - vulneráveis a vírus, roubo físico, presos a um único dispositivo e lugar, perdas de dados, etc - por serviços online.
Na era do Office 2.0, com programas que rodam direto do browser e não precisam de nenhum plugin ou sistema operacional específico para funcionar, com os arquivos todos disponíveis na rede, em qualquer dispositivo, já não importa muito se o usuário está no Mac, Linux ou Windows.
É aqui que entram dois outros titãs na briga, Google e Yahoo.
O primeiro se impõe como senhor absoluto das buscas e da receita gerada por milhões de pequenos anunciantes. Aparece também, com o Google docs e o Google aplicativos para seu domínio, como o grande mestre dos serviços web. Ele é ainda o dono do Youtube, tendo assim controle sobre o mercado de vídeos.
O segundo, com maravilhas como o Flickr, Delicious e Respostas, embora tenha perdido o trono das buscas para o Google, se mantém gigante neste segmento e em diversos outros serviços online.
É justamente neste plano que a Microsoft patina.
Os serviços Live não alcançaram o sucesso esperado. Não que tenham fracassado - o MSN tem ainda uma base gigantesca de usuários e o Hotmail é líder no mercado de webmail. O que a Microsoft tem na web está longe de ser um “fracasso”. Mas para uma empresa tão bem sucedida no mercado de software, a ponto de ser acusada de monopólio, são conquistas que deixam a desejar.
Agora imagine se o mercado de sistemas operacionais se comoditizar como aconteceu com o PC e desaparecerem as diferenças mais radicais entre um e outro sistema operacional, a ponto do Windows começar a perder terreno de verdade para o Linux e para o Mac?
Imagine que neste futuro possível os usuários já se acostumaram a softwares online que não dependem de nada além de um browser para rodar. Imagine que a Microsoft continuou patinando neste terreno. Acabou-se o império.
É aí que entra a recente oferta da Microsoft pelo Yahoo.
Caso você não saiba, a Microsoft ofereceu US$ 44.6 bilhões pelo Yahoo. Com esta compra, o império do software vai chegar bem próximo de se tornar também um verdadeiro titã dos serviços web, com poder suficiente para, no mínimo, brigar de igual para igual com o Google; ou ainda, de posse da maior base de usuários de internet messengers, webmail e dois dos maiores portais da internet, poderia acabar com a competição na área, estabelecendo na internet um monopólio igual ao que deteria com o Windows.
É o que diz o Google. Numa resposta bastante dura, o VP David Drummond, diz que a Microsoft tem um sério legado de estabelecer monopólios proprietários e depois usar estes padrões para estender seu monopólio para áreas adjacentes. Para ele, uma união entre Microsoft e Yahoo seria o fim da internet aberta e livre. A empresa poderia utilizar, como já fez em outros casos, sua base de usuários do Windows para forçar uma liderança também na internet, de maneira desleal.
No entanto, Bradford L. Smith, da Microsoft, disse ao New York Times que a união criaria mais competição, não menos. Isso porque Microsoft e Yahoo juntos teriam 30% do mercado de buscas nos EUA, bem menos que os 65% que o Google tem.
O futuro dirá.
Então, o que vocês acham? A compra vai acontecer mesmo? Se acontecer, será boa ou má notícia para o mercado e para os usuários? E a Microsoft, será capaz de superar as limitações que a fizeram patinar nas suas iniciativas de web? [Webinsider]
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1° Vinicius Serpa Data: 06/02/2008 às 3:47 pm
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E se a microsoft oferecer um buscador integrado ao windows como ocorreu com o Internet Explorer?