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Design - Criação - Branding

A inovação vem bem depois da criatividade

31 de janeiro de 2008, 11:49

Criatividade é apenas o primeiro passo para que se possa inovar. Além de boas idéias, devemos reconhecer oportunidades para poder aplicá-las, solucionar problemas e obter demanda no mercado.

Por Agni

“O boxe é um ato anti-natural, porque tudo nele é ao contrário. Se quiser ir para a esquerda, você se apóia do lado direito. Para ir para a direita, use o dedão esquerdo. Às vezes o melhor jeito de dar um bom soco é recuando, mas se recuar demais você acaba derrotado. Em vez de fugir da dor como gente normal faria, você vai em direção a ela!”

Não, eu não sou pugilista. Para falar a verdade, que eu me lembre eu nunca briguei, nem na escola. Mas depois de assistir mais de cinco vezes o filme Menina de Ouro e quase decorar as lições narradas por Morgan Freeman, eu fico achando que sei tudo sobre boxe.

Mas por que boxe em um artigo sobre inovação?

Bem, simplesmente porque da última vez que vi esse filme e ouvi essas lições, começaram a me ocorrer analogias entre o boxe e a inovação. E surgiu a seguinte questão na minha cabeça: a inovação hoje também é um ato anti-natural?

Assim como eu afirmei em um artigo anterior que design é uma palavra que está na moda, vou sugerir agora que inovação é a palavra da vez.

A competição e o volume de produtos do mercado capitalista, que faz com que ele esteja constantemente saturado, obriga empresas e profissionais a investir em inovação. Aliás, isso torna-se cada vez mais necessário para a renovação do mercado e venda de produtos. Mas muitos ainda têm o pensamento pouco sintonizado com o que realmente é inovação.

E o que significa de fato inovar?

Vemos muitas pessoas associarem a idéia de que para haver inovação, basta haver criatividade. Porém temos que entender que essas palavras não são sinônimos. Se formos entender a criatividade como a geração de novas idéias, podemos então entender a inovação como a implementação bem sucedida dessas idéias. Sendo assim, não basta ter boas idéias se não estiver apto a implementá-las.

Criatividade é apenas o primeiro passo para que se possa inovar. E, além de boas e novas idéias, devemos saber reconhecer oportunidades para poder aplicar as novas idéias na prática, solucionando problemas de forma bem sucedida e obtendo demanda no mercado. Ai sim teremos algo inovador.

Hoje, a área do conhecimento mais preparada para gerar novas idéias e criar estratégias bem fundamentadas para implementação é o design, por ser cada vez mais uma área projetual com foco no público alvo e em formas de cativá-lo, não apenas esteticamente.

Algumas empresas vão aos poucos tendo essa percepção e escalando designers para trabalhar não só na criação estética, mas na criação de estratégias e planejamento de vendas de produtos e serviços, coisa que era naturalmente responsabilidade dos profissionais de marketing.

Design é área multidisciplinar

Isso faz também com que o design seja uma área cada vez mais multidisciplinar, fugindo da natural grade curricular de antes e agregando para si diversos outros conhecimentos e valores, não se limitando mais a disciplinas de artes.

Hoje, em um mercado cada vez mais saturado de produtos e serviços, e com a globalização e a tecnologia encurtando cada vez mais as distâncias para a concorrência, o sucesso de uma empresa ou de um profissional está diretamente ligado à sua capacidade de criar, repensar e reinventar. Ou, sintetizando, na sua capacidade de inovar.

E sendo a criatividade o primeiro passo para a inovação, o que as empresas e profissionais andam fazendo para estimular seu processo criativo?

Por mais que para ser criativa uma pessoa dependa em boa parte de talento, não acredito que exista apenas um seleto grupo de indivíduos dotados de tal capacidade, privilegiados por uma inspiração divina. Toda pessoa, desde que seja estimulada e se auto-estimule para isso, é capaz de criar novas idéias.

Inovação e custos

Vejo que para muitas empresas e profissionais, inovação acaba sendo um sinônimo natural de grandes investimentos, seja na investida em consultorias, contratação de especialistas, investimento em novos equipamentos, melhor remuneração de seus profissionais ou até mesmo a terceirização de serviços.

Como muitas empresas se vêem sem recursos financeiros para tais investimentos, logo pensam estar sem alternativas. Os custos poderiam ser bem menores se o investimento fosse direcionado à capacitação dos profissionais de design que integram a sua equipe. Na verdade é um erro associar sempre inovação a investimentos financeiros. A primeira atitude para se chegar à inovação está na verdade numa mudança radical de costumes, pensamento e postura.

Um pensamento antiquado, mas que parece ainda muito natural em muitas empresas, é a idéia de estimular a produção criativa através de individualização de tarefas, estimular a competição interna ou premiação financeira dos funcionários, ou até mesmo exercendo certa pressão sobre o processo criativo ou sobre a implementação de novas idéias obtidas. Porém, com esse tipo de pensamentos e atitudes, o que acontece é o oposto, acaba-se na verdade por travar o processo criativo e a implementação satisfatória de idéias.

Aqueles que almejam a inovação e o sucesso naquilo que fazem devem entender que a criatividade depende de diversos fatores, que devem ser estimulados e trabalhados, como as experiências profissionais e pessoais, o conhecimento técnico e a capacidade de enxergar os problemas por novos ângulos.

O ambiente de trabalho

O ambiente de trabalho deve primar pela coletividade, pela colaboração e comunicação de uma equipe, mas ainda assim pela autonomia e liberdade de cada indivíduo. Deve-se investir na satisfação dos membros da equipe, ter a preocupação de que cada pessoa tenha prazer naquilo que faz.

Qualquer ambiente de trabalho que prive os membros de uma equipe de boas relações interpessoais, de boas experiências, que sufoque os indivíduos com prazos e horários, com exigências autoritárias que retalhem a produção intelectual exigindo foco exclusivo nas tarefas, que não permita pausas para arejar os pensamentos e que não prime pela satisfação pessoal de cada um, está fadado ao estancamento da criatividade e à falta de inovação.

Assim como no boxe “o melhor jeito de dar um bom soco é recuando”, para inovar não se deve deixar levar pela afobação de resolver um problema, mas recuar um instante e estudar a situação, trabalhar em uma nova idéia consistente que possa solucionar um problema real e ter assim uma aceitação do público e definir uma boa estratégia. Mas para fazer esse pequeno recuo, deve-se ter a certeza que sua equipe está apta para essa tarefa. E caso essa não seja a realidade, não é substituindo membros da equipe que se conseguirá o êxito.

Afinal, o novo profissional também vai estar inserido nesse ambiente de trabalho pouco propício e haverá períodos de treinamento ou adaptação que podem tornar esse recuo grande demais. E, assim como no boxe, se recuar demais você acaba derrotado.

Enfim, vemos muito mais iniciativas que rompem essa antiquada linha de pensamento e postura nos Estados Unidos e Europa. Porém no Brasil, esse pensamento antiquado ainda parece para muitos ser o caminho natural.

Se você então anseia a inovação, rompa com velhos pensamentos e busque a (R)evolução de seus conceitos e paradigmas. E a despeito do que ainda é naturalmente estabelecido, tenha uma boa atitude anti-natural.

Para se aprofundar no tema “Inovação”, recomendo a leitura dos artigos de Ellen Kiss, mestre em Design Management e consultora em branding.

[Webinsider]

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Sobre o autor

AgniAgni (edu_agni@hotmail.com), ou Eduardo Santos, é webdesigner e professor do curso Web Design Developer da Microcamp em Santo André e São Bernardo. Mantém o blog Agni.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ] [ gestão ]

Comentários

9 pessoas comentaram o artigo "A inovação vem bem depois da criatividade"

Camila Westphal Data: 31/01/2008 às 2:06 pm

Atividade: Designer de moda

Cidade: Balneário Camboirú

Sinceramente espero que as empresas aprendam e tenham iniciativas de trabalhar o coletivo e não o individual.. como na maioria dos casos acontece….
A partir do momento em que uma equipe consegue entrar em sintonia.. as coisas começam a fluir e com certeza, além da criatividade nata de algumas pessoas.. as iniciativas começam a aparecer.. e consequentemente as inovações..
O importante mesmo é valorizar o profissional,penso que uma pessoal que se sente valorizada trabalha com muito mais vontade..e acaba não se inibindo a ter idéias proativas.

Parabéns pelo artigo.

eduardo alencar Data: 01/02/2008 às 8:03 am

Atividade: programador

Cidade: sao paulo

Bem o que percebo na maioria das empresas é o medo de inovar, de criar coisas novas, enfim medo de serem diferentes. Tudo começa pelo processo de seleção, onde na maioria das vezes é sempre a mesma coisa, primeiro você preenche uma ficha com seus dados pessoais, depois faz alguns testes técnicos e não-técnicos, e na conversa sempre surge as mesmas perguntas, que não conhece aquela clássica: Fulano, quais são características positivas e negativas? Não esta na hora de mudar isso? Porque não perguntar sobre os sonhos da pessoas?

Essa é minha humilde opinião.
Parabéns pelo artigo, esta muito bem escrito.
Abraços.
Eduardo.

Rafael C. Data: 01/02/2008 às 2:22 pm

Atividade: Designer Instrucional

Cidade:

Artigo muito interessante!

Hoje durante o almoço com colegas do trabalho estávamos discutindo exatamente isso… o quanto faz falta uma burocracia menor e uma valorização maior, o trabalho em conjunto e a satisfação pessoal que um profissional inserido numa equipe integrada conquista.

Concordo 100% com o Eduardo… ninguém nunca pergunta quais os sonhos, os ideais de um ser humano além do discurso padrão.

Não importa se o profissional tem ética ou algum valor moral… por essas e outras que vivemos na mesmice de sempre e fadados a perder terreno sempre que não idealizamos projetos (ou idéias) inovadores(as).

Cesar Zeppini Data: 01/02/2008 às 2:50 pm

Atividade: Publicitário

Cidade: Indaiatuba-SP

Eu acho que nesse artigo a inovação e a criatividade estão subestimadas, assim como as pessoas que trabalham com isso.

A criação e inovação não são apenas caminhos inversos ou diferentes dos que todo mundo toma. Andar na contra-mão ou apenas pegar um atalho não é inovação e nem criatividade.

A questão é que uma idéia criativa ou inovadora está ACIMA desses caminhos. Está em outra dimensão de pensamento.

Como diz no livro (O Deus da Criação, que aliás, recomendo) existem níveis de criatividade: a normal, a fora do normal e a genial. A normal é a que todos têm… a fora do normal é a que normalmente os publicitários possuem por estar sempre exercitando. A genial é uma mistura de dom, inteligência, talento e visão. Dom porque acredito que assim como alguém nasce com o dom de pintar, a criatividade também segue este ritmo. A inteligência porque o processo criativo nada mais é do que o uso de informações que você possui numa montagem inovadora. Talento porque não adianta você querer fazer tudo isso sem a técnica que um publicitário possui. Não adianta ter o dom e inteligência, mas ser peixeiro e querer fazer campanhas de sucesso (valorizo SIM o diploma de publicitário que tenho) e por fim, mas não menos importante, a visão… pois tendo o dom, a inteligência e o talento, cabe agora à pessoa enxergar da maneira mais simples e mais direta possível o ambiente em si, e saber como usar todaa informação, dom e talento que ela possui para criar uma idéia genial.

Acho que por isso neste artigo a criatividade e inovação foram subestimadas. Estamos muito acostumados com o nível de criatividade anormal… mas esquecemos que o que se deve ser feito e que devemos cobrar de nós mesmos é um nível genial.

Por isso que muitas empresas temem a inovação. Porque muitas agências prometem idéias geniais, quando na verdade estão oferecendo idéias fora do normal apenas.

AGNI Data: 02/02/2008 às 1:53 am

Atividade: Web Designer

Cidade: Mauá

Olá Cesar Zeppini, como vai?

Não acho que nesse meu artigo eu tenha subestimado a inovação ou a criatividade, nem qualquer pessoa que trabalhe com isso. Apenas não me preocupei em enfatizar a Inovação única e exclusivamente como uma ferramenta de venda. Tentei me focar nos benefícios que as empresas e as pessoas podem ter, de modo geral, ao se permitirem inovar em suas atitudes. Vejo a Inovação como algo implícito no gênio humano, e digna daqueles que se permitem ousar. É necessária para o crescimento das empresas e do mercado, mas principalmente para a emancipação humana. Eu até te entendo…me propus enxergar as pessoas por traz dos produtos, e isso numa sociedade capitalista realmente parece algo anti-natural.

Com relação aos níveis de Criatividade, respeito muito a Criatividade Genial, mas infelizmente ela é rara.
Acho Beethoven Genial. Acho Fernando Pessoa Genial. Acho Niemeyer Genial.
Já na publicidade, não vejo nada Genial, pois para que um trabalho ganhe esse rótulo, ele deve ter uma função muito maior que meramente “vender”…Deve propor uma nova forma de pensar, deve inspirar, deve ter uma função social, deve propor novos paradigmas. Vejo muitos trabalhos de Criatividade “fora do normal”, como você diz. Mas realmente faz tempo que não vejo algo genial, muito menos na publicidade.

Seguindo ainda os níveis de criatividade, dentro do padrão “fora do normal” (e como eu já havia dito), não acredito que exista apenas um seleto grupo de indivíduos dotados de tal capacidade, privilegiados por uma inspiração divina. E ainda para reforçar, também não acredito no seleto grupo privilegiado pelas oportunidades e/ou condições financeiras de adquirir um diploma. Respeito todo profissional que possui um diploma, assim como respeito um auto-didata. Na verdade, creio que julgar competências por mérito de possuir ou não um diploma seria Elitizar a Criatividade, e para levantar uma discussão dessas seria necessário mergulharmos mais a fundo no âmago da nossa sociedade capitalista e discutirmos oportunidades e políticas sociais, assim como discutir se a Criatividade ou a Genialidade podem escolher uma classe social específica ou apenas indivíduos com cultura acadêmica para se manifestar (essa o “Cartola” poderia responder!), discussão essa que com certeza não cabe aqui…talvez em um próximo artigo.

Obrigado pela sua opinião…
Até mais…

Henrique Palazzo Data: 02/02/2008 às 10:42 am

Atividade:

Cidade: São Paulo

De fato, em um pais com uma cultura visual tão questionável quanto o Brasil, parece que a população de forma geral (empresários, consumidores, etc…) começam a perceber a função e as possibilidades de um trabalho com um design “pensado”, não pasteurizado. Concordo com vc, acredito que o designer pode oferecer muito mais que layouts bonitos… Enfim… a esperaça é a última que morre…

Gustavo Oliveira Data: 02/02/2008 às 1:06 pm

Atividade: Programador e designer de interfaces.

Cidade:

Só tenho uma coisa a dizer: Welcome to the good life!

DECIO DA CUNHA MENEZES FILHO Data: 04/03/2008 às 10:50 pm

Atividade: consultor de vendas

Cidade: BELO HORIZONTE

Boa noite trabalho em uma grande empresa en bh ;e la sofremos com velhos padroes ,seria muito bom se os empresarios de hoje tivessem mais criatividade e inovacen. Sou um amante de publicidade, tenho ate umas ideis boas mas nao tenho formaçao para execulta-las.

odair pontes Data: 16/05/2008 às 9:19 am

Atividade: inventor

Cidade: rio das pedras

a inovação vem depois da critividade para ser critivo primeiro criamos um modelo de vida diferente dos atuais trocamos a ignorancia pelo entendimento e a individuação que cada um exerce no trabalho em equipe.a inveja que assoria a terra fertil do cerebro deve-ser substituida por trabalho e perseverança e mais você jamais vai ser criativo ou inovador se não mudar seu jeito de pensar tanto no trabalho quanto no lar.

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