Webinsider

Redação, edição - Carreira

Bruno Rodrigues
Webwriting

Procura-se redator online

27 de dezembro de 2007, 10:54

Ao contratar, algumas empresas exigem um perfil profissional quase ultrajante.

Por Bruno Rodrigues

Já ajudei muita gente. Mesmo. O juramento que fiz ao adentrar a área de mídia digital foi a de que eu iria ajudar ao máximo quem pudesse, de recém-formados aos que precisassem se recolocar no mercado. Nunca cheguei a ser uma filial da Madre Teresa de Calcutá, mas - ah, sim! - como tem me dado prazer, desde então, dar uma forcinha a quem precisa.

Você sabe que isso não é comum. Quem dera fosse. Eu teria dezenas de exemplos para dar se fosse contar histórias sobre profissionais que conheço, competentíssimos, boníssimos e simpaticíssimos, que escorregam na casca de banana quando é hora de ‘dar as mãos’. Não movem um dedo para enviar um e-mail sequer a algum contato que poderia ajudar um amigo - quanto mais um conhecido. São ‘pau pra toda obra’ quando são eles que precisam se recolocar no mercado, mas são de uma frieza e exigência terríveis quando alguém pede que se exponham - ohhhhh! - para ajudá-lo. É ruim, hein, colocar a própria imagem em perigo? E, por favor, eles têm mais o que fazer…

Eu também sempre tive muito o que fazer. Às vezes em excesso. Mas, como dizia um amigo mais atarefado que qualquer um que esteja lendo esta coluna - sem exagero -, ‘quem quer, arruma tempo para tudo’. E ele arruma. Para ajudar os outros, então, uma vez ele chegou a marcar um jantar com um diretor de uma multinacional, chato de doer, apenas para ajudar o sobrinho de um amigo a arranjar emprego. Não sei se o rapaz conseguiu algo, mas não importa. O que deve ser levado em consideração é a admirável boa-vontade.

Um dia eu chego lá, mas, enquanto isso, uso meus vinte anos de Comunicação, doze de internet inclusos, para mostrar o caminho das pedras a quem precisa, evitando que amigos e conhecidos tropecem aqui e ali.

Entre os perigos, há os perfis de profissionais que algumas empresas solicitam e que são quase ultrajantes. Ao jovem redator online, principalmente, pedem que saiba de tudo um pouco.

Além do básico, que é escrever bem, exigem experiência com softwares de gestão de conteúdo (leia-se, aqui, publicadores), ‘noções profundas’ de html, de ferramentas de arquitetura da informação, de photoshop, de editores de áudio e vídeo e por aí vai. Só falta pedirem experiência com máquinas de café espresso e massoterapia.

Quem conhece o mercado de mídia digital sabe que um perfil assim é senha para ‘vais trabalhar muito e ganhar pouco’. Como todos sabem que os novatos se esgoelam para conseguir uma vaga qualquer, vale tudo. E os pobres que nem sonhem em ’subir na empresa’ que, de tão limitada (em todos os sentidos), só tem a oferecer é o elevador.

E, vale observar, aprender a lidar com ferramentas como as necessárias para produção de conteúdo, até um dálmata bem treinado consegue.

Quem irá usá-las e como irão usá-las é que faz toda a diferença.

Sim, claro, nem todas as empresas são assim! Fosse essa a realidade, minha missão de ajudar os outros não teria saído da intenção. Deus é bom, e tem muita gente decente que cria e/ou administra empresas cuidando bem dos novatos, e até dos mais experientes. Não prometem mundos e fundos - até porque ainda não os têm -, mas também não pedem loucuras na hora de contratar.

Contam com os que já estão na empresa para ‘treinar’ os recém-chegados, mas têm como meta investir em treinamento. Podem até pagar pouco, mas a troca é justa. Curiosamente, são essas que crescem e aparecem. Seria algo como ‘dá e recebereis’ - uma adaptação da velha máxima.

Talvez seja a proximidade do Ano Novo, mas foi bom notar que ajudei tanta gente ao longo de 2007, a mais recente semana passada.

Em 2008, experimente: ‘adote’ um profissional, novo em folha ou já tarimbado, e abra espaço na sua agenda para ajudá-lo. Nem precisa se levantar da cadeira; por e-mail, quase tudo se resolve.

Lembre-se: amanhã pode ser seu irmão, sua namorada, seu filho, seu melhor amigo - ou até mesmo você. [Webinsider]

…………………………………………………………

Quem quiser ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é só entrar em contato pelo e-mail extensao@facha.edu.br ou ligar para 0xx 21 2102-3200 (ramal 4) para obter mais informações sobre meu curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’ no Rio de Janeiro.

As aulas da próxima turma, que terá início em 12/02, serão ministradas em Botafogo, ao longo de seis terças-feiras à noite.

Comece o ano de 2008 atualizado e com o pé direito! :-)

.

Sobre o autor

Bruno RodriguesBruno Rodrigues (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ]

Comentários

15 pessoas comentaram o artigo "Procura-se redator online"

Thiago Luiz Torquato Data: 27/12/2007 às 1:27 pm

Atividade: Suporte TI

Cidade: Florianópolis, SC

Parabéns pelo post Bruno. Existem muitos profissionais competentes que só precisam de um leve empurrão para deslanchar e mesmo que a sua ajuda seja mínima, estes lhes serão gratos por toda a vida. Eu lembro que alguns anos atrás, eu trabalhava como técnico de laboratório em uma loja de informática, e indiquei um amigo que sabia muito, mas não trabalhava na área. Minha ajuda se resumiu a ligar para ele e o indicar para o meu superior, e mais tarde veio trabalhar não só ele como o irmão dele também, alguns meses depois. E hoje todos saimos da loja e estamos em posições melhores. É assim que a coisa funciona, no dia em que eu passar por necessidade, sei a quem posso estender a mão.

Daniel Data: 28/12/2007 às 11:00 am

Atividade: Design

Cidade: Belo Horizonte

Acho que era aulas ali onde tá alunas no final, assim fica parecendo professor pegador…
Abr!

Bruno Rodrigues Data: 28/12/2007 às 11:44 am

Atividade:

Cidade: Rio de Janeiro

*Thiago*, e nem dá para dizer que é uma questão de competição, mercado muito acirrado, etc. O problema é ego, sempre ele. Mas tem muita gente boa por aí, tenho fé na humanidade! :-) ))) *Daniel*, já pedi para o Vicente corrigir, O.K.?

André Milagres Data: 02/01/2008 às 4:25 pm

Atividade: Webdesigner

Cidade: Rio de Janeiro

Bruno,

Não tenho muita referência sobre a área de redação online. Mas já acho um absurdo muitas empresas pedirem experiência em softwares de edição e conhecimento profundo de HTML para redatores.

Na minha área, o design, é comum esbarrar em anúncios de emprego exigindo algo do tipo “…domínio de HTML, CSS, Flash, JavaScript, Photoshop e Corel Draw…”. Alguns anúncios pedem que o designer saiba até linguagens de programação como ASP e PHP (!?!).

Seria importante que esses recrutadores repensassem sobre o perfil dos profissionais que procuram. Será que a melhor opção é contratar um “faz-tudo”?

E já que exigem tantas competências, não seria mais interessante recrutarem um profissional talentoso que, mesmo não tendo domínio de todas as ferramentas, vá aos poucos sendo bem formado dentro da empresa?

O pior é que normalmente os salários oferecidos são na faixa dos 500 a 1000 reais (quando muito)…

Já sofri muito. Hoje, graças a Deus, estou em uma empresa pequena, mas com boas perspectivas. Na entrevista não exigiram que eu soubesse de tudo, mas avaliaram a minha competência. E tenho apoio para aprender e futuramente crescer na minha área.

Acho que o mercado deveria buscar mais esse caminho. Seria mais produtivo para as empresas e também para os profissionais.

Marina Data: 11/01/2008 às 9:01 am

Atividade: webwriter

Cidade: BH

Acredito que o mais relevante na hora da contratação seja o perfil do profissional. Os fatores subjetivos (e aqui vem uma psicóloga de formação falando), e, principalmente, a postura do profissional diante dos novos desafios é que fazem toda a diferença. Isso, claro, partindo do princípio de que ele tenha sim as competências técnicas para o cargo, mas características como pró-atividade, assertividade e multidisciplinaridade desequilibram a balança a favor do candidato ou do novo contratado.

Um abraço!

Bruno Rodrigues Data: 11/01/2008 às 3:06 pm

Atividade:

Cidade:

*Marina*, ah, mas o empregador que sabe das coisas também vê sua equipe desta maneira… O problema são os outros… ;-)

Letícia Régis Di Maio Data: 11/01/2008 às 5:39 pm

Atividade: estudante

Cidade: Rio de Janeiro

Bruno,

Sou estudante de webdesign, recém-formada em Publicidade e ainda trabalho como freelancer. Diante da minha falta de experiência, tenho buscado na leitura uma maneira viável de me manter mais próxima do mercado. Assim, comecei lendo a revista Webdesign e me deparei com seus artigos. Em dezembro, consegui comprar seu livro sobre Webwriting e, pouco depois, recebi uma proposta para reescrever os textos de um site. Diante do desafio, busquei apoio nas didáticas orientações que seus capítulos trazem e estou tentando fazer algumas sugestões para esse projeto. Pretendo continuar estudando o assunto e fiquei bastante interessada no curso ‘Webwriting & Arquitetura da Informação’, mas tenho dúvida quanto à data de início da próxima turma. Aqui você divulga dia 22 de janeiro, mas a FACHA, por telefone, me informou que o início é no dia 22 de fevereiro. Pretendo participar dessa turma e vou aguardar a confirmação da data.
Grata,
Letícia

Bruno Rodrigues Data: 14/01/2008 às 1:41 pm

Atividade:

Cidade:

*André*, o comportamento ‘faz-tudo’, o velho ‘peão’, não é bom para ninguêm, nem para a empresa e muito menos para o próprio profissional…

*Letícia*, o curso terá início em 12/02, mesmo. Adiei o início por conta do Carnaval - nos encontraremos em fevereiro, então! :-) Até lá!

Luiz Henrique Data: 17/01/2008 às 1:55 pm

Atividade: Redator

Cidade: Campinas

Realmente, eu sou um desses ajudados pelo Bruno Rodrigues, com uma simples dica por e-mail, sem falar no livro webwritting. Busco uma recolocação como redator online. E eu vejo muito dessa colaboração no meio de web. Na propaganda offline rola uma competição que chega a ser infantil. Ciúmes e birras com profissionais da mesma área. Acho q esse medo é falta de autoconfiança.E sobre as vagas, já vi vagas de estágio para webdesigner que além de todas as linguagens imagináveis dizia que se soubesse after effects era um bom diferencial. Ridículo. Um estagiário que saiba tudo isso monta a sua própria empresa…rs.

10° Bruno Rodrigues Data: 18/01/2008 às 3:44 pm

Atividade: Consultor

Cidade: Rio de Janeiro

*Luiz*, estágio, então, é da hora da diversão para quem não tem boa índole… e pouco dinheiro para contratar! ;-)

11° antonio medina rodrigues Data: 13/02/2008 às 7:17 am

Atividade: professor

Cidade: são Paulo

Gostei imensamente, Bruno, do seu comentário sobre a necessidade de nos ajudarmos uns aos outros. Logo percebi ser você uma pessoa diferenciada, e por nenhuma outra razão a não ser a coronária, que é a única que fala alto quando alguém, sem mais razões, ajuda alguém. Então por que ajudar? Exatamente por uma única razão, que você tem: um imperativo categório, uma ordem interior que manda, obriga a fazer um bem e pronto, estará tudo completo, e o beneficiado real só poderá ser Deus.

12° Flávia Pedrazzi Data: 13/04/2009 às 10:20 pm

Atividade: Publicitária

Cidade: São Paulo

Como eu não descobri você antes???? Suas dicas, comentários, matérias…são tudo que eu preciso na minha “life” !!!!

13° Tiago Luiz dos Santos Data: 16/06/2009 às 10:09 pm

Atividade: Redator

Cidade: Florianópolis

Parabéns pela visão Bruno! É bom saber que existem pessoas como você no mercado. Para falar a verdade, não conhecia o seu trabalho até duas horas atrás, mas descobri o seu livro e procurei conhecer mais a seu respeito pelo “oráculo” (Google). Essa semana comprarei um exemplar e pelo pouco que li a seu respeito, já posso dizer que gostei do seu estilo de escrever.

Sucesso!

14° Edna Kieffer Data: 29/06/2009 às 11:37 am

Atividade: Jornalista

Cidade: Rio de Janeiro

Olá Bruno,

Realmente é muito bom termos com quem contar, ainda mais em se tratando da área de Comunicação que é tão restrita. Me formei há dois anos e ainda não consegui ingressar no mercado devido a falta de alguém assim como você… infelizmente os supostos ‘conhecidos’ não indicam, e as empresas exigem um profissional ‘bombril’ (de mil e uma utilidades), então se você apenas possui o diploma, que agora nem é obrigatório, você fica de fora. Gostei muito dos seus artigos, me interessei pelo seu livro, parabéns!

15° Lucas Data: 23/10/2009 às 3:14 am

Atividade:

Cidade:

Interessante!

Lucas
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