Blu-ray no Brasil
19 de dezembro de 2007, 16:51Formato Blu-Ray é superior, mas falta os discos serem prensados no Brasil, o maior mercado de home vídeo da América Latina.
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Custou, mas chegaram: os discos de alta definição, no formato Blu-Ray, começam a ser oficialmente embalados e vendidos em território brasileiro. Para variar, os preços são abusivos, frente ao mercado norte-americano, mas a gente até já está acostumado.
A contracapa dos discos, porém, nos dá uma pista do porquê do alto preço: não existe prensagem de discos Blu-Ray no Brasil! O que a gente recebe quando compra um deles é um molde injetado no país, com a grossura próxima de uma embalagem convencional de DVD, o encarte interno em português, e, como era de se esperar, um disco importado.
No caso da Disney, um disco importado do Japão, porque lá, por incrível que pareça, a força do formato incorporou trilhas sonoras em português, provavelmente oriundas daqui mesmo. Um tempo atrás, eu visitei a Double Sound, aqui do Rio de Janeiro, de padrão internacional, com certificado THX, e que fazia trilhas para os estúdios Disney. São essas trilhas que vão parar nos discos japoneses, ou seja, eles fazem por lá o que nós devíamos estar fazendo aqui!
Mas, diria o leitor, não se pode comparar a economia do Japão com a economia brasileira! Pode sim, se alguém considerar que o Brasil é o maior mercado de home vídeo da América Latina! Na contracapa do disco “brasileiro”, está lá a informação que o disco vem da Videolar. Trata-se de uma empresa de porte, mas indecisa quanto ao futuro do Blu-Ray. Esta indecisão está refletida em um documento divulgado pela própria empresa. São noções que indicam a falta de convicção num formato, que eu pessoalmente, considero vencedor, por um monte de motivos técnicos e outros tantos, mercadológicos.
Quando os primeiros reprodutores Blu-Ray saíram no Brasil, eu não tive dúvidas e comprei um. Um amigo meu de longa data, o Fernando Blanco, super expert em música, e eminente hobbyista em eletrônica de áudio, me confessa, tempo atrás, que não estava muito entusiasmado com os discos de alta definição, por vários motivos. O fato é que, com a introdução de reprodutores de DVD com recursos de upscaling até 1080i teriam mostrado o potencial ainda não descoberto daquela mídia, mas no meu espírito eu nunca deixei de ter certeza de que a equivalência neste nível era pura fantasia. E fiz, muito tempo antes do Blu-Ray sair no mercado americano, várias experiências com 720p e 1080i, com o meu computador pessoal e com as telas HDTV que eu tinha. Depois, eu vi um material profissional da Sony, com o uso de discos óticos de alta definição.
O Blu-Ray é apenas uma conseqüência disso, na realidade uma joint-venture Sony-Philips e um monte de gigantes da eletrônica; quer dizer, não tinha como dar errado.
Mesmo num momento inicial, onde a Toshiba se lançou de forma aventureira, para forçar a adoção do HD-DVD neste mercado, e com as críticas severas e injustas das primeiras edições Blu-Ray com vídeo em MPEG-2, a minha certeza não se abalou. E confesso que fui eu o culpado de ter convencido o meu amigo Fernando de que o Blu-Ray era o formato que ia dar certo. Ele e eu investimos no formato, e montamos o aparato necessário para fazer justiça à esta mídia: tela LCD “Full HD” e receivers com capacidade para processamento de áudio compatível com o conteúdo. Fizemos, eu e ele, testes juntos e separados e trocamos experiências com os resultados. No final do ano, este meu amigo me transparece uma única preocupação, dizendo: “o HD-DVD já está morto, mas o que resta saber é se o Blu-Ray vem para ficar!”
Eu acho que vem! E o meu filho, que me diz, não sei se na base da gozação, que eu sou portador de intuições “bruxísticas”, um dia me afirmou que eu nunca explorei o potencial deste meu lado místico e devia fazê-lo. Pois bem, então vamos lá:
Anos atrás eu freqüentava o Home Theater Talk e naquela época havia uma polêmica danada sobre o que seria a TV do futuro. E como abundavam queixas sobre plasma e retro projetores, um belo dia eu disse a todos para esquecer tudo aquilo, o futuro era a tela de LCD. E a turma se divertiu com os meus comentários. Mas, eu mesmo pisei na bola: comprei um painel de plasma e, por coincidência, me dei mal. E como eu sempre tirei conclusões de todas as minhas experiências (ato compulsório, por força da maldita profissão), eu me redimi e investi naquilo que eu acreditava: LCD. Depois, eu ainda cheguei a ver empresas do porte da Sony, Philips, e no caso do Brasil, Gradiente e outras, abandonarem o painel de plasma, por um monte de motivos. As telas de LCD cresceram e se multiplicaram. O tempo de resposta caiu e o contraste aumentou, os painéis frontais sofreram modificações significativas, e tudo isso levou o painel LCD chegar à posição de desbancar de vez a TV de plasma do mercado.
Contra fatos, amigos leitores, não há argumentos, e agora a pouco, eu me deliciei lendo um e-mail de um fornecedor, vendendo telas Panasonic… LCD! A Panasonic, Deus que a perdoe, andou publicando no site as “vantagens” das telas de plasma, com relação às de LCD”. Mas agora, sejam bem vindos ao mundo das Panasonic LCD Viera! É como dizem os ingleses “so much for plasma supremacy!”
Virtudes do formato Blu-ray
E eu não preciso lançar mão das minhas alegadas “intuições bruxísticas”, ao diagnosticar sobre as reais virtudes do formato Blu-Ray. Se eu errar, eu prometo que peço desculpas. Mas, se não, vejamos:
Falou-se muito, em passado recente, sobre a capacidade de memória de um disco Blu-Ray. Mas isto não é tudo: o formato prevê uma taxa alta de transmissão de dados, com boa estabilidade. Na verdade, tão boa que desafia as deficiências óbvias das transmissões HDMI. Mesmo os apologistas da mídia física, isto é, não rotativa, irão concordar que taxas desta magnitude, aliadas aos formatos de altíssima definição, áudio e vídeo, não são fáceis de serem obtidas.
E não pára por aí: nem mesmo o tão desprestigiado MPEG-2 HD nos mostra uma qualidade irreprochável. Hoje se sabe que os primeiros discos não saíram a contento, por falta de experiência com o formato, coisa que, aliás, é normal para uma mídia tão nova.
Certamente o formato não teve tantos “bugs” quanto o HD-DVD no seu início, coisa que também é perfeitamente normal! E se o MPEG-2 é possível, em toda a sua plenitude, o é pelas virtudes de armazenamento e transmissão que o Blu-Ray oferece. No caso do áudio, eu estaria sendo até repetitivo, se dissesse o mesmo, porque não são poucos os discos dotados de LPCM puríssimo, a 48 kHz/24 bits, em 5.1 canais, e nós somos informados que o LPCM é tão demandante e gastador de memória quanto o MPEG-2, mas não existe qualquer problema de reprodução.
Certamente, nada na vida é perfeito. O Blu-Ray ainda guarda resquícios da ditadura dos códigos de região (minimizado pelo fato de o Brasil estar na mesma área de Estados Unidos e Japão e pelo fato de que muitos dos discos europeus não têm código), e alguns discos ainda apresentam rotinas de software que podem não tocar num reprodutor com firmware desatualizado. Mas, por outro lado, os discos carregam relativamente rápidos e os leitores de mesa todos têm um processamento Java, sem os mesmos problemas da versão manca do Windows usado pelo HD-DVD. E em última análise, os codecs de áudio mais avançados passam nas suas contrapartidas em LPCM multicanal, habilitando assim um monte de processadores e com a mesma pureza da fonte.
Por tudo isso, creio que o futuro de 2008 é azul! O oba-ôba da DTV tupiniquim vai se desgastar rápido, assim como o preço dos conversores desgastou os seus potenciais compradores. O espectador brasileiro, uma vez banalizada a novidade do telejornal em HDTV, vai acabar mesmo é procurando alguma coisa interessante para usar na sua tela preparada para alta definição, sem problemas de recepção por falta de repetidoras, conversores caros e programação ruim.
O Blu-Ray oferece uma qualidade que nenhuma outra mídia em vídeo oferece. Falta agora os discos serem prensados aqui, ao invés de importar e colocar num estojo traduzido. Mas isto, vai depender da visão daqueles que detém o poder financeiro e os meios para resolver isso! [Webinsider].
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1° josias Data: 19/12/2007 às 7:04 pm
Atividade:
Cidade: goiânia
Falta frisar que o HD-DVD foi feito pela DVD Consortium que é o orgão responsavel pelo formato DVD e que nasceu em 1995. E que também o formato triple layer do HD-DVD foi aprovado agora em novembro aumentado a capacidade para 51GB por disco. Talvez a questão esteja dando “pano pra manga” porquê o responsavel pelo HD-DVD é o orgão que é responsavel pelo DVD aplamente adotado nas residencias e dai a resistência tão longa da guerra.Creio que só no final de 2009 é que se terá a resposta definitiva (até porque novos padrões de layers serão aprovados por parte dos dois consorcios e isso não inclui compatibilidade com os players de hoje). Abraços, otima materia.