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Sem-Fio e Telecom - Mídia interativa - Redes sociais

Próximo passo: o conteúdo colaborativo em contexto

13 de dezembro de 2007, 14:14

Relacionar uma ação ao momento, local ou fato é uma nova fronteira para a comunicação digital e a propaganda, especialmente a partir do uso de dispositivos móveis.

Por JC Rodrigues

Em tempos de web 2.0 - que não passa de uma nomenclatura em cima do conceito inicial quando da criação da web - fala-se já em sua ‘versão’ 3.0, o momento em que todo provimento de conteúdo e serviços será contextual, além de bi-direcional.

Mas o que seria, na prática, servir conteúdos e serviços contextuais?

O “contexto” trata de relacionar uma ação ao momento, local ou fato presente no momento de tal ação. Trazida para a comunicação digital, podemos dizer que o dispositivo que provê conteúdos e serviços “entenderia” o que está acontecendo e customizaria seus serviços em função destas variáveis. Para, didaticamente, traduzir a capacidade de personalização variável, poderíamos classificar esta contextualização em:

Geográfica

Relacionada ao local onde o consumidor se encontra. Os serviços de LBS - Location Based Services - já usam este critério para, no mínimo, identificar rotas e serviços próximos de um local específico. Usando esta variável isoladamente, uma empresa já pode, por exemplo, apresentar serviços próximos à localização do usuário. Isto não é nenhuma novidade hoje em dia e poderia ser considerada web 3.0. Sim, um (hoje) simples GPS já está nesta nova era (que, particularmente, é mais uma face da mesma moeda).

Temporal

Ligada ao momento em que o usuário se encontra, não apenas a questão horária (manhã, tarde, noite), mas também à atividade que ele está realizando conscientemente: trabalhando, passeando, jantando etc. Ao saber que o consumidor terminou seu jantar, o menu touch-screen da mesa do restaurante altera para seu menu de sobremesas, ordenadas pelos hábitos de consumo das últimas visitas do usuário. Toque (ou, se preferir, fale) e confirme sua seleção.

Situacional

A situação, inicialmente, poderia ser vista como uma extensão da contextualização temporal. Uma diferença que creio ser importante é a consciência ou não de determinadas necessidades. Privacidade à parte (não é o foco da discussão), de uma forma ou de outra seria possível identificar o que alguém viria a desejar em função do que está ocorrendo; e oferecer este conteúdo.

A “brincadeira” começa quando começamos a juntar estes elementos: “Está calor hoje”, identificado automaticamente por seu chip corpóreo, que transmite a informação a seu dispositivo móvel, levando ao recebimento de uma mensagem autorizada - “Apresente este código de barras na sorveteria Cuca Fresca, localizada 20m à sua esquerda e tenha 10% de desconto no sorvete de menta (seu sabor preferido)”.

Exagerando para tornar caricato, futuramente podemos ter como opção de opt-in: “Identifique e supra qualquer necessidade que eu tenha”. Sim, tecnicamente isto é possível, chips corpóreos que monitoram o comportamento e transmitem informações remotamente já existem há um bom tempo (há muito tempo atrás, em 2006, já se falava neles). Bases de dados modeladas para acomodar informações dos usuários visando customização de conteúdos e serviços idem. Logo, qual seria o empecilho técnico? É claro que há uma discussão fundamental relacionado à privacidade e o acesso a estas informações.

Não indo tão longe, vamos tomar como exemplo a ação de RFID usada pela Mini em algumas cidades dos EUA.

Os novos proprietários de um automóvel Cooper poderiam, se quisessem, obter um chaveiro com uma mensagem customizada emitida via RFID. Ao passar embaixo de alguns enormes painéis luminosos em viadutos nas cidades de Chicago, Nova Iorque, Miami e São Francisco eram exibidas estas mensagens particulares, transmitindo a mensagem para, no mínimo, todos os motoristas próximos. (Claro que as mensagens eram moderadas para que alguma revolta pessoal não fosse transmitida, by Mini, para os transeuntes da ponte Golden Gate).

Ok, mas vamos agora tirar o componente corporativo desta comunicação personalizada e pensar, por exemplo, em redes-socias-mobile-colaborativas-contextuais.

Por partes:

  • Redes sociais: vamos lá, consideremos o Orkut, quem não tem no Brasil, um dia já teve;
  • Mobile: acessíveis (”acessáveis”) de qualquer lugar, a qualquer momento com múltiplos dispositivos;
  • Colaborativas: com tanto sendo falado sobre web 2.0, é redundante abordar este tópico;
  • Contextuais: permitiriam o consumo ou publicação de informações relacionadas ao contexto (geográfico, temporal ou mesmo situacional) de quem o está acessando ou publicando.

O próprio fato de ser “móvel”, traz consigo, intrinsecamente, parte da questão da contextualização.

Ilustrando esta forma de comunicação, todo profissional que trabalha no meio online certamente já viu o vídeo Epic2015, uma visão de futuro sobre como a informação será tratada nos anos vindouros. Seu fechamento, quando a “sobrevivente” Pink utiliza o celular para contatar-se com pessoas próximas e informar como está o trânsito ou seu colega convida pessoas que estejam próximas a determinada praça para um lanchinho num parque das redondezas são exemplos de uma rede-social-móvel-colaborativa.

Claro que, patrocinado por uma empresa, caímos numa discussão do quanto a publicidade pode ser útil ou extremamente irritante.

Um exemplo que gosto de utilizar em palestras: meu celular sabe que estou entrando no Shopping Ibirapuera (Piso Moema) e detecta que aquela garota, presente em minha lista de paqueras no Orkut, está, coincidentemente, no mesmo shopping. É hora do almoço e você também está na lista de paqueras dela? Ambos recebem um SMS: “Fulano, Fulana está te paquerando e a 100m de você. Não é uma ótima oportunidade para conhecer o novo Big Whooper do Burguer King? Venham juntos e ganhem um ringtone exclusivo”. Isto sem que nenhum dos dois tenha, ao chegar no shopping, pensado em iniciar um relacionamento em uma rede de fast-foods. [Webinsider]

.

Sobre o autor

JC Rodrigues (contato@jcrodrigues.com.br) é publicitário, pós-graduado em Tecnologia Internet, professor na ESPM e gerente de projetos em digital media da The Walt Disney Company. Possui um site.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ mobile ] [ conteúdo colaborativo ] [ Vendas ] [ celular ] [ aplicativos web 2.0 ]

Comentários

8 pessoas comentaram o artigo "Próximo passo: o conteúdo colaborativo em contexto"

Rafael Tosta Data: 13/12/2007 às 3:22 pm

Atividade: Webdesigner

Cidade: São Paulo

Bom artigo!

Alex Hubner Data: 13/12/2007 às 9:35 pm

Atividade: Palpiteiro

Cidade: São Paulo

Alguém ainda leva a sério essa história de Web 2.0, 3.0, 4.0…?

Marcelo Ariatti Data: 13/12/2007 às 9:41 pm

Atividade:

Cidade:

Muito interessante, gostei do exemplo do shopping! haha! :D

Fernando Bellentani Data: 14/12/2007 às 1:25 pm

Atividade:

Cidade:

O artigo é interessante, mostra os precedentes que a Internet abriu e um leve vislumbre de um futuro possível – tal como se eu lesse uma novela de Philip K. Dick ou William Gibson, com seus futuros quase possíveis e hiperealistas.

Agora, eu não entendo porque diabos pintar os paradigmas e contextos com essa nomenclatura bizarra. Ela agride quem entende um pouco do tema e não facilita muito para as pessoas que apregoam por aí sobre a tal da Web 2.0 (pois essas não entendem nem metade dos conceitos envolvidos nessa nomenclatura estúpida). Talvez o que devamos fazer é bancar os budistas e esquecer que aprendemos tal nomes, jogar tudo fora e ficar só com os conceitos – é mais fácil falarmos de cenários e de situações ou, como queiram, paradigmas e contextos, mas largar mão de modismos de linguagem ou de “tecniquês”.

Irrita a mim e a um monte de gente da área essa teimosia nesses rótulos estúpidos. Já tentaram fazer uma pesquisa de aceitação com relação a isso no meio dos profissionais que realmente trabalham com web além da produção de sites bobinhos? Creio que isso derrame xingamentos e incômodos que criam barreiras de absorção de informação para a maioria do público relevante.

É isso.

Cesar Zeppini Data: 19/12/2007 às 9:39 am

Atividade: Publicitário

Cidade: Indaiatuba

Fernando e Alex,

O Fernando ainda parece entender bem o que se passa hoje em dia na internet. Entende o que é a web 2.0, mas só não aceita o rótulo. O Alex parece estar completamente perdido e fez um comentário para provar isso.

Amigos, só quero dizer que a internet está entrando numa plataforma colaborativa. É uma nova fase, um novo conceito (como disse o Fernando) e por isso, merece uma nova nomenclatura. Vocês podem dizer “ah, mas ela continua sendo a internet, não precisa de um novo rótulo apenas como buzzword para ser vendida”. Ok, então porque não chamamos a TV de plasma apenas de TV? Porque não chamamos o iPhone apenas de celular?

O que vocês tem que entender é que comparar a internet de hoje com a internet de 5 anos atrás é que é imbecilidade. Tudo bem, ela continua sendo INTERNET, assim como a TV de plasma continua sendo TV. Mas hoje em dia a internet É SIM Web 2.0. E um dia vai ser 3.0 e etc. Isso porque os conceitos mudaram. Isso mesmo Fernando, o conceito é o mesmo que você disse. Mas você perguntou porque não deixamos os rótulos para trás e ficamos apenas com os conceitos não é? E com certeza você acha que se um profissional for vender um site dizendo que ele é 2.0 você vai dizer que ele usa esse rótulo apenas como buzzword certo?

ok, veja um exemplo. Se você chega numa loja e pede uma tv. Você aponta pra tv de plasma e o vendedor diz que custa 3.000 reais. Mas vc diz que nao, que existe uma tv ali no outro setor da loja que custa 500 e vc quer a de plasma pelo mesmo preço. Pois as duas servem pra mesma coisa, certo? Bom, provavelmente vc ja sabe que o vendedor vai rir da sua cara.

Mesma coisa no nosso ramo. Agregar ferramentas colaborativas é agregar valor à um site. Ele VAI SIM valer mais e custar mais. Por isso NECESSITAMOS de um rótulo, pois imagine chegar no cliente e TODA A VEZ ter que ficar catequizando-os sobre os conceitos. Não é mais fácil usar um rótulo como Web 2.0?

É isso que eu tenho a dizer. Quem é contra o rótulo, ok, pode ser, mas vai estar perdendo dinheiro, pois vai estar vendendo uma TV de plasma pelo preço de uma TV comum.

Pedro Data: 24/12/2007 às 12:14 pm

Atividade:

Cidade: vulpellac

É o ponto que nos deixa mais em duvida será a que ponto nossa intimidade deve estar exposta a publicitários, e tambem, onde estarão os hackers mal intencionados ?

Paulo Data: 28/12/2007 às 9:48 am

Atividade:

Cidade:

Acontece que outros rótulos na própria ciência da computação já existiam para tudo o que foi escrito e será escrito nesta thread.

Davi Lima Data: 03/01/2008 às 4:38 am

Atividade:

Cidade:

Já na ciência da física todos esses “outros rótulos” já existiam para tudo o que foi e será escrito nesta thread e em todas as outras. Isso beeeem antes da Web 2.0, na verdade foi um segundinho antes do BigBang.

De lá pra cá tudo que nos resta é procurar os conceitos mais parecidos e combiná-los e recombiná-los, até o fim de nossas vidas, buscando-se comodidade ou sei lá o quê, e enfim colaborando inevitavelmente com a expansão do universo - seja lá a versão em que ele estiver!

Zeppini, gostei do seu ponto final sobre a (meu deus) polêmica Web 2.0!

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