TV aberta é a última fronteira da interação
19 de novembro de 2007, 1:05Com a infinidade de mecânicas de participação do usuário (em compras, geração de conteúdou ou relacionamento), assistir TV vai virar, assim como a internet, uma experiência social e colaborativa.
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Já imaginaram o fenômeno das redes sociais – Flixter, My Space - inserido por completo no cotidiano das pessoas via IPTV ou TV Digital? A sinergia entre programação e a capacidade de interatividade da internet (e do próprio ser humano) criará uma nova realidade social com diferentes padrões de comportamento nos domicílios.
Segundo dados do IBGE, a TV aberta atinge mais de 95% dos brasileiros. Como utensílio doméstico, o aparelho só perde para o fogão. Ela – a TV - é a última fronteira da digitalização. Se você ainda não se deu conta, olhe a sua volta: o telefone celular é digital, o DVD é digital, a máquina fotográfica é digital. Até a TV por assinatura se rendeu ao novo modus operandi.
À primeira vista, os indicadores apontam para uma transição sem turbulência. Todos os principais players estão cumprindo a lei e os prazos. E o Ministério das Comunicações se diz totalmente preparado para auxiliar e facilitar a rápida passagem dos milhões de brasileiros para a nova realidade do sinal digital.
O céu parece de Brigadeiro, mas será que estamos de fato preparados? E o baixo poder de compra do consumidor brasileiro? E a fraca capacidade de investimento da indústria como um todo?
É preciso admitir que este processo será de longo prazo e que o caminho, por vezes, terá curvas perigosas. A turma de TI se apressa em aprender a desenvolver aplicações de middleware para as especificações de TVDI - TV Digital Interativa - adotadas no Brasil (GINGA). O foco dessas aplicações é o sincronismo espacial e temporal e a estratégia principal é permitir e estimular, entre outras coisas:
1. Conteúdos adaptáveis para os diversos dispositivos (e não somente a TV);
2. Push de venda: No momento preciso que o ator da novela em exibição abre a porta do carro, um vídeo-propaganda dele é exibido. Enquanto o vídeo aparece, ele pode agendar um test drive. Este sincronismo é baseado em um evento previsível do tempo (Ex: O momento que o ator abre a porta ocorre depois de transcorridos 10 minutos do segundo break comercial da novela) e;
3. Interação simultânea a partir dos dispositivos (controle remoto, celular, PC etc). Isso possibilita, por exemplo, que o usuário veja o anúncio na TV e agende o test drive depois pelo PC.
Diante de tantas possibilidades e flexibilidades, a turma de negócios já pensa, obviamente, em modelos que possam gerar incremento de receita vindo deste relacionamento com os usuários, seja através da comunicação direta ou estimulando a interação entre o público. Modelos que não se esgotam com o T-commerce. A estratégia é garantir a participação dos usuários em torno do conteúdo, mas gerando um “relacionamento sustentável”.
A TV aberta, por exemplo, é um commodity social (todo mundo tem!) e pela primeira vez vai proporcionar experiência integrada de consumo e interação. Em vez de uma natureza de ativo (o vídeo/programação), agora serão duas: a programação e as redes sociais, com personificação, recomendação etc. E os consumidores de conteúdo não serão simplesmente telespectadores, mas T-buddies.
Imaginemos o cenário onde o usuário que agendou o test drive pode se comunicar, no mesmo momento, com outros usuários que já tiveram acesso ao carro, avaliaram, que recomendam acessórios ou que partilham dos mesmos interesses? A infinidade de mecânicas de participação do usuário (seja comprando, gerando conteúdo ou se relacionando) é tão grande que assistir à TV vai virar, assim como a internet, uma experiência social e colaborativa.
Não há como mencionar aqui todas as mecânicas de interatividade, que vão desde atividades voltadas para o e-learning e e-government até quiz e bolões inseridos nos contextos das programações. E a monetização em cima de conteúdo, aplicações e da própria criação e fomentação de T-relationships vão tornar este mercado de TV Digital bastante atrativo.
Ponto importante sobre este mercado:
Hoje, a discussão já passou da fase de padronização tecnológica e prazo de transição de sinal para a participação “econômica” dos grandes grupos do segmento de telefonia neste mercado. Não cabe aqui aprofundar neste assunto polêmico, mas o fato é que uma mesma empresa adquirir múltiplas redes para possibilitar o bundle para seus clientes e reduzir seus custos operacionais é convergência econômica, mas não tecnológica. Convergência é, de fato, você utilizar a mesma rede para oferecer múltiplos serviços. [Webinsider]
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1° Paulo Ignácio Data: 19/11/2007 às 12:14 pm
Atividade: Planejamento Web
Cidade: Rio de Janeiro
Muito bom artigo Cristiana,
Fico imaginando que a publicidade já está totalmente mudada.
A comunicação de “interrupção” está mesmo com os dias contados e as soluções terão que ser completamente criativas para gerar o desejo de interação do usuário/cliente.
Ainda não tenho noção de como será isso, mas tenho certeza de que será muito interessante trabalhar neste segmento.
Parabéns pelo artigo.
Paulo Ignácio