Procura-se: escreva aqui sua idéia web 2.0
14 de outubro de 2007, 22:51Ações de propaganda quando envolvem mídia social bem que poderiam ir além do "visite, escreva uma história, envie sua foto, vídeo, história e diga como vai ser o futuro".
Por
O conceito de web 2.0 fez com que planejadores de comunicação e tecnólogos repensassem a forma como disponibilizavam recursos e ações publicitárias para o público em geral.
Do ponto de vista técnico, a utilização da internet como plataforma para aplicativos e ferramentas quebrou o paradigma da solução ‘in-a-box’. Mas a discussão neste artigo não trata da ‘webalização’ de aplicativos mais sim de como o conceito de UGC (User Generated Content) vem sendo tratado pelo mercado publicitário em suas campanhas e websites.
Do final de 2006 para 2007 houve uma verdadeira migração do que era ‘cool’ no mundo virtual. Redes sociais e second lifes à parte, vimos uma verdadeira enxurrada de projetos web pedindo que o usuário (consumidor) conte sua história, envie sua foto, envie seu vídeo, enfim, ajude a construir o conteúdo do ambiente receptivo proposto.
Pois bem, passada a novidade, o que se nota é uma repetição de fórmulas prontas quando ações de comunicação se utilizam da internet colaborativa na venda de um produto ou conceito.
Quase como um roteiro pronto, pede-se aos usuários que:
1) visitem ou escrevam uma frase/blog;
2) enviem sua foto/vídeo ou
3) digam como vai ser o futuro
Dois questionamentos derivam destas ações: primeiro, até quando as pessoas se sentirão motivadas a colaborar em nome de campanhas publicitárias? Até quando ver o próprio nome publicado em um website terá apelo suficiente para envolvê-las em sua ação? A partir do momento em que todos trabalham as mesmas molduras na concepção criativa de campanhas publicitárias, qual o fator de diferenciação que fará com que as pessoas participem em uma ou outra ação (ou qualquer uma delas)?
Um segundo ponto, o que mais pode ser feito com internet colaborativa além das três opções apresentadas acima? Será que tudo de web 2.0 resume-se à “visite/escreva uma história, envie sua foto/vídeo/história e diga como vai ser o futuro”?
Bem, por partes. O envolvimento das pessoas em ações com UGC está intrinsecamente ligado a dois possíveis benefícios, a utilização de ações promocionais, com premiações que motivem a colaboração do usuário ou, o que ocorre em sua maioria, os ‘15 minutos de fama de Andy Warhol’, a simples possibilidade de verem suas criações e seus dados pessoais publicados no website de uma grande empresa.
A utilização desenfreada de ações promocionais como subsidio para a colaboração, além de ser um tanto quanto dispendiosa, pode tornar-se a ‘figurinha do chiclete’, não permitindo que outra mecânica similar exista sem que haja o benefício adicional do prêmio. Esta possibilidade, por si só, é descartada.
Trabalhar o motivacional em cima da publicação dos dados dos participantes tem sido, contudo, a melhor (e mais barata) saída para projetos baseados em UCG. Desconsiderando eventuais problemas jurídicos inerentes à hospedagem de conteúdo gerado por terceiros (tema para outro artigo), o que vemos é um pequeno grupo de usuários que realmente envolvem-se com o tema proposto e outros 90% de visitantes ocasionais cujo interesse na ação é tão profundo quanto o relacionamento sentimental com seu último almoço (ok, mais um desses sites “visite/escreva uma história, envie sua foto/vídeo/história e diga como vai ser o futuro”).
A carência de criatividade na concepção e fluxo de navegação nos websites publicitários baseados em 2.0 banaliza o impacto das ações publicitárias, reduzindo com isto a quantidade de pessoas envolvidas com seu tema (objetivo primário do conceito).
Onde está a solução então? Inicialmente na compreensão de que o conceito de Web 2.0 não se trata apenas de usuários fazendo o conteúdo de um website, mas sim da descentralização da produção da informação. Mas uma coisa não é igual à outra?
Não necessariamente, sobretudo se avaliarmos, inicialmente, questões como o repertório individual de cada usuário, seus conhecimentos e experiências e, num mesmo nível, sua localização geográfica (uma informação que só ele tem, até que se descubra como dois corpos podem ocupar o mesmo espaço/tempo).
O conhecimento particular de um indivíduo poderia ser usado para otimizar conteúdos ou serviços web (muito mais do que a capacidade de escrita de cada indivíduo para “escrever uma frase sobre..”). Serviços como Wikipedia e Google Maps/Earth já se fazem valer desta característica sendo, simultaneamente, sites web 2.0 e sites úteis. Sem copiar estas fórmulas já prontas, quando é que uma empresa criará uma campanha publicitária 2.0 e útil?
Escreva abaixo sua idéia. [Webinsider]
.



1° Cesar Zeppini Data: 15/10/2007 às 9:02 am
Atividade: Publicitário
Cidade: Indaiatuba-SP
Rodrigues,
Ué, a pergunta que você faz no final do artigo é: “como vai ser o futuro?” que é a pergunta que você recrimina no começo! hehehe
Supor como vai ser o futuro é da característica humana, e não de uma fase da humanidade. Então, perguntar como vai ser o amanhã, não é tão enjoativo quanto parece.
Claro, como você mesmo disse a Web 2.0 é muito mais do que isso e pode ser muito melhor aproveitada também. E mais do que isso, não vai ser sempre assim “eu tenho um site e você, usuário, terá que dispor o conteúdo aqui para mim”. Digo isso com o maior exemplo de todos, o Google, que TAMBÉM é um site onde os USUÁRIOS alimentam o conteúdo, mas desta vez indiretamente. E não existe só o Google com esse tipo de ferramenta. Cada vez mais a colaboração dos usuários vai passar a ser automática (indireta), mas claro, com plataforma para atender os colaboradores diretos também.