Por favor, seja útil e venda meu produto
10 de outubro de 2007, 1:40Em vez de enviar o usuário a um hotsite engraçadinho, por que não oferecer a ele uma chance de interagir com o produto, dizendo onde, quando e como?
Por
Campanhas publicitárias online conseguem transmitir, na maioria das vezes, os conceitos de comunicação trabalhados em uma publicidade integrada. Não há dúvida de que, em maior ou menor grau de criatividade, a assinatura da campanha e mesmo os valores ligados a ela podem ser transmitidos através das ações ativas e receptivas. Peca, contudo, quem encara a vertente digital unicamente como veículo de mídia, como uma extensão dos meios de massa, apesar de suas características próprias.
O grande diferencial da web nas ações de marketing e vendas é que, neste meio, as ações, além de poderem ser mensuradas de uma forma mais precisa, permitem com que sejam geradas oportunidades de venda para o canal de distribuição; ou ainda, que se possa gerar vendas diretas através do meio online.
Por que, então, contentar-se em enviar um usuário a um website unicamente para que ele “interaja com o conceito da campanha”? E, antes disso, por que interagir com uma campanha significaria apenas embutir uma piada num hotsite engraçadinho?
Vamos ao primeiro ponto: seja útil!
O conceito de “útil” pode abranger diferentes abordagens, é possível sim ser útil com algo ligado ao entretenimento (o “Churrascômetro”, da Antarctica, que calculava a quantidade de carne e bebidas para um churrasco em função do número de pessoas, ainda é sensacional).
Prestação de serviços atrelado ao produto é outro fator de diferenciação; além de fazer o usuário achar ‘divertido’, pode-se oferecer algo que lhe ajude a vender seu produto através da prestação de serviços: uma empresa que venda chocolates light pode oferecer um cálculo do índice de massa corpórea (onde definitivamente TODOS estão acima do peso); para vender troca de óleo, cadastre seus visitantes, peça para eles indicarem a quilometragem do veículo e quando foi a última troca, enfim, seja útil e as pessoas lhe ouvirão.
Quando atrelamos o conceito da campanha a uma funcionalidade relevante para as pessoas, ganhamos mais atenção e mais envolvimento, otimizando-se a imagem de marca e se, além de tudo, a funcionalidade for realmente interessante, ainda podemos ter ganhos na viralização.
Segundo ponto: venda meu produto!
Nada pior do que construir um site onde o consumidor entra, brinca (sub-entenda “brincar” como: jogar, escrever uma frase, ver o filme ou qualquer outra ação do gênero, que termine nela mesmo), fecha o browser ou vai para o seu webmail. A web não é só propaganda e não deve considerada unicamente para esta finalidade. Salvo alguns produtos e mercados específicos, sempre será possível utilizar o meio digital para geração de leads de venda.
Fechar o processo A.I.D.A (Ação, Interesse, Desejo e, sobretudo Ação) não significa simplesmente inserir um link “Procure aqui onde comprar”. Facilite ao potencial cliente a aquisição do produto. Se o máximo que pode ser feito é indicar canais de venda, faça-o direcionando o usuário àquele PDV que melhor atenderá suas necessidades particulares: perfil de compra, formas de pagamento, entrega, proximidade geográfica, entre outros fatores que farão com que se indique “o cliente certo ao PDV correto”.
Por mais que boa parte das empresas forçadamente não possam privilegiar determinada revenda em detrimento de outra, sempre haverá uma forma de se planejar um modelo (junto aos revendedores) que permita com que todos sejam tratados de forma justa e que, ao mesmo tempo, possa beneficiar aqueles que melhor atenderem os clientes e penalizar os que destratam as oportunidades de venda encaminhadas, deixando clara a regra desde o início.
Mesmo a captação de dados dos potenciais consumidores e/ou encaminhamento ao ponto-de-venda pode ser acomodada dentro do conceito criativo da ação. Perdoem-me os criativos de plantão, mas somente as pessoas de agência e clientes com miopia ficam encantadas com sites que só tem um “visual bonito” ou alguma tecnologia inovadora que, no fundo, só serve como perfumaria.
É claro que novas tecnologias e designs envolventes auxiliam na captura da atenção do usuário e mesmo na indicação do projeto a outros. A questão não é essa. Ninguém tampouco está falando para transformar o website em um catálogo no monitor. Mas por que ignorar a possibilidade de aproveitar que o usuário já está envolvido e convidá-lo para uma experiência real com o produto (dizendo como, quando e onde)?
Certamente todos (inclusive o anunciante) poderão vangloriar-se muito mais quando, além de terem uma campanha elogiada pela criatividade e execução, puderem comprovar que a empresa obteve alguns pontos a mais de share. [Webinsider]
.


1° Jones Bergh Data: 10/10/2007 às 8:30 am
Atividade: Diretor de Projetos
Cidade: Porto Alegre
Caro Rodrigues, 100% de acordo. O que tenho notado é uma enorme dificuldade do pessoal realmente parar para pensar “mais negócio” nas peças. Acho que é um mix de falta de visão com uma certa preguiça mental. Os criativos estão fazendo a sua parte, quem não está são os analistas de negócio e gerentes de projetos. O teu artigo me dá mais força em minhas já antigas concepções.
Grande abraço.