Webinsider

Mídia interativa - Branding - Games

Anuncie dentro de games e ganhe em branding

25 de setembro de 2007, 15:45

Pesquisa reforça a tese de que os anúncios em jogos trazem ótimos resultados, especialmente no reconhecimento da marca, com aumento de intenção de comprar.

Por André Ursulino

A Massive Inc. divulgou, no início de agosto, uma pesquisa sobre os benefícios que as marcas podem obter ao anunciar em games.

A Massive é uma agência de publicidade especializada em planejar, produzir e medir o retorno de ações publicitárias em jogos. Adquirida pela Microsoft em meados de 2006, inicialmente a Massive focava seus esforços em jogos online para PC, que continuam o carro chefe, mas abriu o leque para o jogos para Xbox e Xbox360 em função da aquisição.

A pesquisa foi conduzida pela Nielsen Entertainment, braço da empresa de pesquisa que estuda o consumo de entretenimento, como games, música e filmes. O instituto entrevistou 600 jogadores de Need for Speed Carbon, em X360 e PC. Para que fossem obtidos dados assertivos, os jogadores foram divididos em dois grupos, um de teste e outro de controle.

Os resultados impressionam. Comparando o grupo de teste com o de controle:

  • O reconhecimento de marca cresceu 64%;
  • A predisposição para compra de carros dos anúncios aumentou 69%;
  • A intenção de compra média, entre todas as categorias, subiu 41%;
  • O recall aumentou 41%;
  • O ad rating teve incremento de 69%;

Os resultados da pesquisa reforçam o que há muito já vem sendo aventado por publicitários e desenvolvedores de games em geral: poucas mídias oferecem envolvimento com a marca do anúncio como os jogos. Mais ainda, a conseqüência desse envolvimento é evidente nos resultados obtidos.

Pesquisas como essa são uma boa notícia em diversos sentidos. Primeiro pelos resultados, que comprovam a viabilidade de ações publicitárias em jogos online ou de console. Depois as conseqüências desses resultados para a cadeia produtiva do setor.

Ruptura com a mídia física

Com estes números, desenvolvedores brasileiros têm mais argumentos para bater na porta de agências de publicidade e anunciantes. Por mais que se discuta a existência ou não de mercado oficial no Brasil, para o anunciante pouco importa se o público comprou o jogo na loja por R$ 200, no camelô por R$ 10 ou baixou da internet de graça. Para o anunciante, importa que mais e mais pessoas vivenciem seus anúncios nos jogos.

Para os desenvolvedores, isto pode representar uma ruptura com um modelo de negócio baseado na venda de mídia física, quando o que importa é o conteúdo lá presente.

Se conquistarem anunciantes que financiem a produção do jogo, talvez seja possível pensar em modelos alternativos de distribuição e formação do preço final do jogo, tornando-o acessível para mais jogadores, de modo a atingir mais consumidores potenciais e, conseqüentemente, aumentar o valor das inserções publicitárias. E que isso se torne um ciclo virtuoso.

É claro que ainda há muito o que percorrer nesse caminho. Um jogo como Need for Speed Carbon leva algo em torno de dois anos para ser produzido. Em tempos de resultados medidos quase que diariamente, é difícil justificar investimento publicitário que trará retorno só em dois anos ou mais. Trata-se também de uma questão de educar o mercado anunciante a pensar no longo prazo, coisa complicada cá por estas terras.

Este estudo eleva para um novo nível o debate sobre o setor de games, que começa a sair do caderno de informática dos jornais e revistas especializadas e para ganhar também os cadernos de economia, negócios, cultura e comportamento, como aconteçeu com a matéria Cultura Game, publicada no caderno de cultura da Folha de São Paulo.

Ao mesmo tempo em que engatinha, o mercado brasileiro também oferece aos players locais boas possibilidades e oportunidades. Alguém aí disposto a aproveitá-las? [Webinsider]

.

Sobre o autor

André Ursulino (aursulino@espm.br) é professor universitário, atua com desenvolvimento de produtos para uma emissora de TV e é colunista do Gamecultura.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ Vendas ] [ microsoft ] [ games ] [ publicidade ]

Comentários

7 pessoas comentaram o artigo "Anuncie dentro de games e ganhe em branding"

Andre Furtado Data: 25/09/2007 às 6:28 pm

Atividade:

Cidade: Recife

Nesse ponto os “casuais” levam vantagem, por antecipar o tempo de retorno.

[]s
– AFurtado

Elias Data: 26/09/2007 às 8:21 am

Atividade:

Cidade:

Sem sombra de dúvida, anunciar em games é investimento de longo prazo. Tal como você lembrou, demora pra começar a dar resultado, por conta do tempo de desenvolvimento. Por outro lado, quando o jogo faz sucesso, ele pode levar a marca do anunciante a ficar em evidência por mais de 5 anos.
Recentemente, eu estava jogando Mario Kart com o meu filho em um Nintendo 64 (que é da década de 90) e pude perceber a quantidade de “propaganda” da Agip, da Mobil e outras empresas que aparecem no jogo. Detalhe: os nomes têm pequenas alterações, mas qualquer um que já tenha visto uma ou duas corridas de Fórmula 1 na TV consegue identificar as marcas. Parece propaganda subliminar.
Desta forma, eu sempre soube que as empresas já estavam anunciando (ainda que timidamente) em jogos. O teu artigo, contudo, é o primeiro que eu leio que traz dados de alguma pesquisa neste sentido.
Parabéns e obrigado pelo excelente texto.

Pablo Almeida Data: 26/09/2007 às 9:54 am

Atividade: Webdesigner

Cidade: Duque de Caxias

Conforme o Elias disse, algumas empresas estrangeiras anunciam mais timidamente em jogos, outras colocam um dinheiro alto (até mesmo para tornar o jogo mais realista). Eu mesmo, cansei de ver determinadas marcas anunciando em jogos de PC e video-games como N64, PS1, PS2…principalmente em jogos de corrida. Eu tenho apenas 19 anos e já joguei muito video-game, aliás ainda jogo! :D

Ao longo do tempo nosso mercado vai evoluir! Nos últimos 2 anos temos visto constantemente matérias sobre produção nacional de games…o importante é que nós brasileiros passemos a “vender” esta idéia de retorno a longo prazo para esse mercado! É uma forma de estar incentivando a produção e o investimento nesse mercado apenas com fontes nacionais. No início vai ser meio complicado porque a grana que vai entrar será “baixa”, mas se o game for bom e fizer um “barulho” no mundo dos games, quando o retorno vier…hehehe…certamente esse modelo de branding evoluirá aqui na terrinha!

Acho que é isso…muito bom o artigo! Parabéns, André!

Felipe Spina Data: 27/09/2007 às 4:11 pm

Atividade:

Cidade:

Advergame é melhor solução.

guilherme Data: 04/10/2007 às 1:36 pm

Atividade: desenvolvedor

Cidade: rio de janeiro

Interessante seria se houvesse uma maneira eficiente de anúnciar nos jogos mobile. Pois eles tem um ‘time to market’ menor. Exigem menos investimento. E sem contar que o número de pessoas com celular é muito maior que com computador.

vlw

Henrique Eloi Data: 30/10/2007 às 12:52 pm

Atividade: Comunicação Digital

Cidade: Jandira

Realmente, a interatividade que os games proporcionam são excelentes, e um ponto a ser observado é que os conteúdos mais utilizados e procurados na internet atual, 1º pornografia, 2º Jogos!

Então anunciar em jogos é a melhor forma da empresa, ter retorno de relacionamento e acima de tudo ensina o seus consumidores a utilizar seus produtos.

Henrique Eloi
www.inov9.com

Ronaldo Data: 09/07/2008 às 11:53 am

Atividade: GameDeveloper

Cidade: bla bla bla

Ja começou a putaria de querer misturar Games com propaganda! Srs. Publicitários, por favor, fiquem longe do mundo dos Games, mantenham suas idéiazinhas e suas “sacadinhas” longe desse mercado, publicidade é uma bosta e é baseada em idéias lúdicase mentiras, e qq manezinho com uma ou outra idéia pode ganhar dinheiro, diferente dos games, onde quem trabalha e desenvolve, tem inteligênciae talento de verdade.Pro diabo com a publicidade! e Salve os Games.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Desenvolve games? Faça uma análise da concorrênciaHá diferentes formas de obter receita com games, apreciados em todo o mundo. Uma análise das possibilidades auxiliará o desenvolvedor a projetar o retorno esperado quando levar seu projeto ao mercado. Por André Ursulino

O cliente compra ações que envolvem mídias sociais?Mercado exige profissionalização e oferece serviços cada vez mais apurados nesta área. As ações fazem parte da vida do público em geral. Mas como os clientes as estão comprando? Por Gabriela Simionato Klein

Afinal, games podem ter responsabilidade social?Polêmica: preconceito contra jogos é inaceitável, pois eles exercem um papel fundamental no desenvolvimento dos jovens e na integração social. Mas games não podem realmente se transformar em instrumentos educativos. Por Julia Stateri

Playstation Home avança na linha do Second LifeA publicidade em games vem crescendo, como novos modelos de negócio e a nova fronteira aberta pelos jogos MMOG, onde milhares de pessoas online participam do mesmo ambiente virtual. Por André Ursulino

Seu filho gosta de games. Você reprova ou aproveita?Os pais criados com videogames começam a perceber que os jogos podem ajudar no desenvolvimento de diversas habilidades para seus filhos e em favor da educação. Por Diego Cox

Cesar Paz

Nova geração, novo consumoEm poucos anos os adolescentes que cresceram com a web terão cartões de crédito e vão poder comprar. Por Cesar Paz

Por dentro do Microsoft XNA Challenge BrasilNova competição da Microsoft apresenta tecnologias e idéias inovadoras para o mundo dos games. Nosso amigo participou… e ganhou. Por André Furtado

Chineses descobrem formas de lucrar com os gamesNa China a cultura de pirataria é muito forte e os usuários de games não gostam de pagar muito caro pelos jogos. Desenvolvedores descobriram novas formas de faturar: vender equipamentos virtuais paras os jogadores.
Por Itamar Medeiros

Webinsider