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Redação, edição - Criação

Bruno Rodrigues
Webwriting

Não quero ver meus textos copiados

21 de setembro de 2007, 18:58

Profissionais da cópia usam softwares que trocam palavras por sinônimos e assumem autoria de artigos.

Por Bruno Rodrigues

Ah, fosse uma novidade da mídia digital… Fato é que, há décadas, redatores de mídias variadas convivem com o fantasma da cópia.

Basta publicar aqui para encontrar reproduzido acolá, seja assinado ou anônimo. Nem sempre há má intenção; mas neste caso é folga, mesmo.

Na internet, desde o início convivemos com o buraco negro que é a web, com suas múltiplas possibilidades, por ser um ‘campo livre para a reprodução de idéias’.

Já vi textos meus publicados em colunas várias se multiplicarem mais que coelhos. Que, com prazer, matei com uma cajadada (jurídica) só.

A arma digital do momento, aquela que entrega a informação de mão beijada aos ‘infolarápios’ - em domicílio e embalagem para presente, diga-se de passagem – é o RSS (ele mesmo). Bonito na teoria e na prática, mas com um efeito colateral lamentável.

A grande questão é que o RSS facilita a vida de gente mais que suspeita. Afinal, se você é sinalizado quando o trabalho dos outros fica pronto, porque não aproveitar, não é mesmo?

Não pense que estamos falando de amadores, até porque são profissionais no pior sentido – e até por isso capazes de evoluir em suas técnicas de trabalho.

Veja só: o The New York Times publicou em agosto a (já clássica) matéria ‘Please Don’t Steal This Web Content’, de Elinor Mills. Como implora o título, a idéia é que os internautas sejam gentis e parem de copiar conteúdo.

Na matéria, o que mais me impressionou foi o nível de sofisticação destes ‘gênios do mal’: sabia que há como copiarem seu texto e, com um software muito simples, substituírem várias palavras por sinônimos, tudinho programado?

Para quê tudo isso? Se você for caçar no Google cópias não-autorizadas do seu texto, não vai ser tão fácil assim encontrá-lo. Além disso, igualzinho ao que era antes ele não será mais…

Como o seu (o meu, o nosso) trabalho suado corre o risco de escorrer entre os teclados e pousar nos blogs e sites dos outros, já há americano utilizando ’detetives virtuais’ para fiscalizar por onde andam suas crias queridas.

O site CopyScape possui uma lista de 200.000 clientes; o serviço é de graça, mas pode-se pagar por um servicinho mais ‘alto nível e indolor’. Na web brasileira, ainda não há nada semelhante - mas é sempre bom lembrar que, qualquer problema que apareça, há ótimos advogados especializados em Direito Digital!

Om Malik, editor do blog GigaOM, disse ao The New York Times que não adianta tanta neurose – para ele, conteúdo é como Hidra de Lerna (animal mitológico de sete cabeças, lembra?). Corta-se uma cabeça aqui, nasce outra acolá.

Seria perda de tempo a perseguição ao que é seu, então, ou vale a pena engajar-se e sair atrás de cada um dos ‘pedacinhos’, quando for preciso? [Webinsider]

******************

No dia 24 de outubro, quarta-feira, inicio mais uma edição de meu curso ‘Webwriting e Arquitetura da Informação’ no Rio de Janeiro. Serão cinco aulas semanais, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 0xx 21 21023200 e falar com Cursos de Extensão, ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br. Até lá!

Sobre o autor

Bruno RodriguesBruno Rodrigues (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

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Comentários

13 pessoas comentaram o artigo "Não quero ver meus textos copiados"

leandro Data: 21/09/2007 às 7:13 pm

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gostei do texto com um toque de desabafo

é o mesmo caso de copias de layout…
ja cansei de ver copias identicas
se vc for se preocupar tanto com isso é melhor nao publicar nada na internet

se eu achar um site nacional com um texto publicado por mim, ate da pra resolver juducialmente, mas e se o texto for publicado em sites gringos?
imagino que ja fica bem mais complicado

eu mesmo ja tive imagens publicadas em sites dos eua sem minha autorizacao

[]s

Rochester Data: 22/09/2007 às 1:14 am

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Eu parei de me esquentar com isso. Quem conhece meus textos sabe como eu escrevo, e estou bem com o número atual (crescente) de leitores, não tenho porque me descabelar com isso.
Por enquanto.

Mauri Data: 22/09/2007 às 12:14 pm

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Cidade: Paraná

A observação sobre o RSS é verdade.
Uso o Google Reader e tenho dezenas de feeds de Tecnologia indexados. DIÁRIAMENTE encontro titúlos repetidos entre os feeds. Ja houve ocasiões de o mesmo titulo [a mesma matéria] ser reproduzido em mais de 5 sites de tecnologia diferentes e sob autorias diferentes. Muitos feeds simplesmente retirei do Reader, pois nao tinham nada de original, apenas reproduções.

Sobre conteudos, concordo com Rochester.

Alexandre Data: 24/09/2007 às 1:22 pm

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Bem-vindo à web.

Se você tem um segredo e não quer que alguém saiba, não conte.

Infelizmente precisamos nos livrar dos conceitos da mídia comum para publicar na web. Publique pensando que será copiado.

É o preço que se paga para poder atingir uma audiência mundial.

Bruno Rodrigues Data: 24/09/2007 às 3:03 pm

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*Leandro*, caramba, agir judicialmente além-mar é dose, mesmo… Haja fôlego! *Rochester*, não vale se esquentar, mesmo - mas o que não significa não pensar no caso, não é? *Mauri*, pois é, há perigo onde menos esperamos… *Alexandre*, ‘Publique pensando que vai ser copiado’? Cruzes, rapaz, não entregue o que é seu assim tão fácil… Há que pedirem permissão, sim, se for o caso. ‘É o preço que se paga para poder atingir uma audiência mundial’? Ah, amigo, se é assim, vamos aumentar esse preço aí, porque não sou baratinho, não… ;-)

Alessandra Mazzariolli Data: 24/09/2007 às 6:16 pm

Atividade: Webwriter

Cidade: Uberlândia

Realmente Bruno, a cópia de conteúdos é um assunto complicado.

O ideal é que pelo menos as pessoas tivessem consciência de incluir a fonte do texto utilizado, ou citar o nome de quem produziu.

Mas nos dias de hoje isso é uma utopia, o certo mesmo é lutar pelo seu conteúdo, nem que seja, judicialmente.

[]’s

Eduardo Data: 25/09/2007 às 9:59 am

Atividade: Busca corporativa

Cidade: Gravataí

Acho que existe a cópia cara-de-pau como o exemplo que o Bruno deu em sua reportagem e o compartilhamento da idéia. Eu por exemplo escrevo em um blog, onde publico minhas idéias de acordo com reportagem que leio. Inclusive sito o autor, livro ou site onde está a reportagem “original”-(será?). Mas também acredito que é muita prepotência de alguns acreditarem que só eles tiveram esta idéia no mundo e muita ignorancia de outros em acreditar que na internet não há seres pensantes onde podem concordar, discordar ou dar continuidade em um determinado assunto lido, de acordo com seu ponto de vista, mesmo que mudando o foco central do tema.

Bruno Rodrigues Data: 25/09/2007 às 11:06 am

Atividade:

Cidade:

*Alessandra*, à luta, quando for o caso, então! :-) *Eduardo*, se minha idéia serviu de ‘estalo’ para alguém, eu gosto e muito; se a intenção foi a cópia, pura, simples e sem autorização, eu ataco sem pestanejar! ;-)

Paulo Rodrigo Teixeira Data: 25/09/2007 às 2:06 pm

Atividade:

Cidade:

Muito bom o artigo. Eu vejo como uma vitória quando vejo meu material copiado.
Descubro que alguém perde tempo me lendo e ainda se dá o trabalho de duplicar o que escrevo. Coitado. =)

Parabéns e um grande abraço

10° Clarice Data: 26/09/2007 às 8:05 am

Atividade: Profa. Universitária / Adm. Empresas

Cidade: Salvador

Ninguém, mais do que um professor do terceiro grau, conhece tão bem essa malandragem,flagrada toda vez que corrige trabalhos de alunos.
Como também escrevo artigos para o Jornal Copacabana,já cansei de ver meus textos / idéias multiplicadas, até por jornalistas conhecidos…

11° Bruno Rodrigues Data: 26/09/2007 às 11:34 am

Atividade:

Cidade:

*Paulo*, obrigado pelo elogio! *Clarice*, sei como é, e nem sempre dá para se manter ‘zen’ ;-)

12° Francisca Araujo Data: 17/10/2007 às 11:31 pm

Atividade: Professora e coordenadora de Pós

Cidade: Belém

Bruno,

Concordo plenamente com você.

Acredito que somente se lutamos por aquilo que é nosso e certo podemos ensinar e delimitar os limites.

É triste saber que existe pessoas capazes de copiar literalmente a obra de outro e é mais triste ainda constata que no meio acadêmico tem colegas e instituições que se dizem séria que têm este tipo de postura e a cara nem mexe.

Fui vitima deste tipo de postura. O pior perde o emprego para a “dita” cuja que copiou nosso trabalho e hoje esta instituição e esta “profissional ética” estão aplicando nosso projeto como deles.

Estou acionando um advogado para resolver o caso.

13° WALDIR Data: 15/11/2007 às 7:32 pm

Atividade: aposentado

Cidade:

É surpreendente a quantidade de textos copiados na web.
Mas tenho uma opinião a respeito.
Penso que crime é tirar algum tipo de proveito econômico com o trabalho dos outros.
Ao citar um trecho de um texto, recomendar a leitura copiando um trecho e inserindo o link, não vejo em que isso torna-se prejudicial ao autor.
Pelo contrário, estão fazendo propaganda do autor.
Quando lemos “todos os direitos reservados”, sabemos que todos os DIREITOS são do autor ou editor, mas quais são esses direitos?
Copiar com o “PRINT SCREEN” ou com uma caneta, é a mesma coisa.
Penso que o mais importante, é com que objetivo essa cópia foi feita.

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