Blu-ray mantém a liderança em relação ao HD-DVD
18 de setembro de 2007, 22:03Paramount e Dreamworks suspendem a venda de discos Blu-ray, ao contrário de outros estúdios, que investem na ampliação e em lançamentos para novos mercados como o Brasil. Trabalhos de tradução já começaram.
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Na guerra de formatos de alta definição entre Blu-ray e HD-DVD, deveríamos seguir uma fala tipicamente britânica que diz “wait and see”(espere e veja), pois é exatamente a atitude a ser tomada pelo consumidor de bom senso frente a esta batalha inútil e aparentemente interminável.
A cada etapa, aparecem notícias de uma guerra suja de bastidores. Em fóruns americanos, participantes suspeitos disseminavam noções de que o Blu-ray era uma tremenda fria para o consumidor, que a imagem era pior, que era muito mais caro e tantos outros argumentos.
Ocorre que Blu-ray tem mais memória por área de disco, proteção física grande no lado da gravação, roda num aparelho sem processador Intel e tem todos os codecs de áudio e vídeo em qualquer definição no mercado. Os discos abrigam filmes com 1080p, a 24 qps, e o número de leitores à venda é notavelmente maior do que o concorrente HD-DVD.
Lições de um longo conflito
Antes do lançamento do Compact Disc (CD), a Philips se investiu de diplomacia internacional ao fazer um acordo com a Sony, para depois convencer os gigantes da indústria eletrônica japonesa de que o padrão proposto deveria ser o mesmo para todo mundo. Graças a isso, foi feito o chamado “Redbook”, com as especificações que garantiram, ao longo dos anos, total compatibilidade de mídia para os leitores.
E isso não foi muito diferente no caso do DVD. Naquela época, cerca de uns dez anos atrás, foi a vez de a Toshiba fazer um acordo para que somente o disco proposto por ela fosse adotado por todos os estúdios e fabricantes de leitores. Philips e Sony, que já tinham protótipos de discos de alta densidade de dados para a mesma finalidade, cederam a vez para evitar a guerra de formatos.
As empresas que abrem mão de seus padrões, abrem mão também da cobrança de direitos de fabricação, os chamados “royalties”, e portanto esta é sempre uma decisão penosa, mas que beneficia o mercado consumidor.
Se alguém aqui ainda se lembra, na década de 1980 existiam três formatos de videocassete em uso: VHS, Betamax e Vídeo 2000. Naquela época, Sony (Betamax) e Philips (Video 2000) ficaram sozinhas no mercado. No caso do Betamax, que era considerado por muitos superior ao VHS, a teimosia maior foi a de não dar a licença da patente para outros fabricantes. Com o tempo, Betamax e Vídeo 2000 afundaram no mercado.
E então, por que cargas d’água a Toshiba não aprendeu esta lição? A empresa ignorou todos os apelos do enorme grupo industrial de suporte do formato Blu-ray, se uniu à Microsoft para tentar impor o HD-DVD no mercado, sabendo que os concorrentes já estavam à frente com um disco ótico superior em capacidade de dados e com apoio dos principais estúdios de cinema norte-americanos.
E de nada adiantou a série de apelos de entusiastas e técnicos, que não queriam esta guerra, porque com o SACD e o DVD-Audio aconteceu isso e os dois formatos acabaram não chegando a lugar algum.
Paramount e Dreamworks dão uma rasteira
Pegou todo mundo de surpresa a notícia recente de que os estúdios Paramount e Dreamworks pararam de lançar discos Blu-ray e retiraram do mercado os já existentes. Ou seja, quem comprou se deu bem e quem ainda quiser comprar vai ter que pagar uma nota sentida nos leilões do Ebay.
A falta de respeito com o consumidor é óbvia: a decisão o priva da liberdade de escolha a que tem direito. A curto prazo, é um autêntico tiro no pé, já que discos Blu-ray do mesmo título vendem numa proporção de 2:1 com relação aos seus congêneres HD-DVD. É sempre bom lembrar que alguns cineastas importantes, no caso Steven Spielberg, que é co-proprietário da Dreamworks, não toparam participar deste nefasto acordo.
A longo prazo, isso tudo vai desprestigiar o estúdio perante o mercado consumidor, porque não é a primeira vez que a Paramount toma uma atitude equivocada, atingindo o mercado como um todo. No início do DVD, o estúdio achava que o formato não era interessante para o comércio de home video americano. Mas, quando Disney e Fox, que tinham tomado atitude semelhante, saíram de cima do muro, a Paramount foi atrás. Se não tivesse feito isso, seria o único estúdio de cinema norte-americano sem DVDs no mercado.
Perspectivas do futuro imediato
Se alguém me perguntasse hoje se o formato Blu-ray tem futuro, ou se o HD-DVD ainda vai dar margem para a dúvida de muitos usuários, ou seja, se a guerra de formatos termina algum dia, eu diria, com base no que eu já vi e li, o seguinte:
Basta olhar o número de estúdios de cinema americanos que só vão apoiar o Blu-ray exclusivamente: Disney, Fox, Lionsgate e obviamente Sony Pictures, entre outros. Se este cenário não mudar, e tudo indica que não vai, o que se vai ver é o incremento paulatino dos lançamentos em disco e a entrada em novos mercados, como o Brasil, que tem um potencial enorme na área de home video.
Neste momento, pesquisas recentes indicam que as vendas de discos Blu-ray cobrem cerca de 70% do mercado de alta definição na Europa.
Não tenho a menor dúvida de que estúdios como Disney (e as subsidiárias Buena Vista, Pixar, Touchstone, Miramax etc.), quando se envolvem desta forma num formato, é porque acreditam no potencial técnico e financeiro.
O estúdio Disney aprendeu uma amarga lição com o formato DIVX (não o codec, mas o disco DIVX que era alugado nos Estados Unidos) e que sofreu uma das mais formidáveis campanhas negativas em meados do fim da década de 1990. A partir daí, o estúdio passou a ouvir o público e uma das vantagens foi a quebra daquela política de moratória, que impedia lançamento de clássicos, principalmente os de animação, em curto espaço de tempo.
Quando um amigo meu, dias atrás, me informa que está traduzindo e legendando vários títulos para discos Blu-ray, incluindo a nova versão de ‘A Bela Adormecida’, que sai em 2008, não resta dúvida de que o estúdio está antecipando a sua chegada ao Brasil.
Pouco me diz respeito sobre quem investe em quê, embora esteja convicto de que o HD-DVD não tem um futuro promissor, ainda mais por causa das limitações evidentes do formato e da falta de apoio na indústria.
É sempre bom lembrar que o investimento em mídia supera enormemente aquele feito no aparelho de reprodução e, num futuro mais longínquo, não será o uso de reprodutores híbridos que vai, a meu ver, resolver este problema. [Webinsider]


1° Marco Gomes Data: 19/09/2007 às 6:54 am
Atividade: Diretor de Tecnologia
Cidade: São Paulo
Um treco que parece um CD vs Outro treco que parece um CD?
Hum… Que tal Internet, transmitir as coisas sem meio físico, Cauda Longa…
Assim como o Michel Lent, eu acho engraçado essas discussões sobre Blu-ray vs HD-DVD.