Usuários e software fazem a web semântica
11 de setembro de 2007, 21:18Inicialmente projetada para ser compreendida apenas por seres humanos, a internet terá suas informações interpretadas também por máquinas, em um trabalho mais cooperativo entre usuários e agentes de software.
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Com Carlos Augusto Hentges*
Exercitar o pensamento voltado para o futuro exige o convívio com uma série de riscos. Um deles é próprio da futurologia: os eventos escapam da lógica prevista e atinge-se um resultado completamente diverso do esperado. Essa diversidade, porém, é parte imanente da função daqueles que tem na observação da tecnologia e seus desdobramentos o ponto de partida para a inovação.
Um exemplo muito claro dessa situação pode ser observado na trajetória da internet. Seus dez anos de existência comercial no Brasil foram comemorados em 2005. Antes, o uso era restrito, em maior parte, ao ambiente acadêmico.
Mais recentemente, a internet passou a ser associada ao termo 2.0. A “nova” rede, na verdade, é o resultado combinado de tecnologia de acesso à quantidade de usuários. Em uma simplificação grosseira dos desdobramentos provocados por mais de uma década de evolução, pode-se afirmar que o contingente de 1 bilhão de usuários freqüentes da internet atualmente, com conexões de melhor qualidade, avançou um passo no que diz respeito ao relacionamento com o conteúdo online. De espectador, passou a produtor.
Compartilhar essa informação não passa de um refinamento do quadro já estabelecido, portanto.
YouTube, MySpace e, em certa medida, o Orkut, para ficar apenas nas ferramentas mais populares, são a aplicação efetiva dos conceitos de produção compartilhada de conteúdo, próprios da internet 2.0.
Mas é claro que, em algum lugar, alguém está pensando em uma nova associação de idéias, que resultará em outra novidade nesse universo virtual tão amplo quando dinâmico. Bem, seu nome é internet 3.0, ou web semântica, e a idéia nem é tão nova assim. Tim Berners-Lee, o inglês que “inventou” a internet em 1990, é líder do World Wide Web Consortium (W3C), e um de seus grandes visionários.
No que consiste a web semântica? Trata-se de um conjunto de medidas que pretende criar significado, ou sentido, para tudo que habita a rede.
Por exemplo: você acessa uma ferramenta de busca online e faz uma pesquisa pelo termo “casa”. Vão surgir mais de 400 milhões de referências. Claro que é sua obrigação refinar a pesquisa. Ainda assim, a chance de haver muita informação que você não deseja é enorme. Isso acontece porque os programas de computador não são capazes de realizar a série de associações contextuais que são próprias da cognição humana.
Tornar a internet “inteligente”, e capaz de entender a essas necessidades, é o objetivo da web semântica. Em outras palavras, ela pretende que máquinas e seres humanos se comuniquem através de uma linguagem mais próxima.
E evolução consiste no fato de que a internet, inicialmente projetada para ser compreendida apenas por seres humanos, terá suas informações compreendidas também por máquinas. A estrutura semântica da informação deve levar a um trabalho mais cooperativo entre usuários e agentes de software.
Tentar prever o resultado disso, e mais ainda, sua aplicação comercial, leva aos riscos anotados no primeiro parágrafo. A observação do que vem ocorrendo com a internet 2.0, porém, fornece algumas pistas. O YouTube apenas há pouco tempo passou a receber a publicidade fundamental para sua capitalização. Outros nichos, como o Orkut, ainda estudam formas de adotar a prática sem que isso seja interpretado pelos usuários como uma invasão.
O sucesso da empreitada, nos parece, passa pela melhor interação do usuário com sua máquina pessoal, e desta com o universo da internet. O simples ato da compra de uma passagem aérea, no contexto da web semântica, implicaria na automática reserva de espaço em uma agenda virtual, o eventual direcionamento de e-mails para uma caixa previamente definida, e a alocação de arquivos importantes durante tal deslocamento para local próprio.
Outro exemplo possível, esse fornecido por Berners-Lee em The Semantic Web, trata de um serviço essencial: medicina. O usuário pede que o computador encontre um médico dentro de certos parâmetros – ele deve ser acadêmico e atender em um bairro próximo. Após navegar e encontrar algumas opções, o computador apresenta as opções de agenda do profissional escolhido. Basta ao usuário escolher o horário que lhe for mais conveniente e marcar a consulta.
O refinamento de funções como essa ainda está distante, mas são essenciais para que o conceito de web semântica se afirme, diferente do que aconteceu com tantas outras modas virtuais que ciclicamente surgiram na internet na última década. [Webinsider]
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* Carlos Hentges é redator web da e21 Digital, jornalista e publicitário.
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1° Nelson Data: 12/09/2007 às 11:15 am
Atividade:
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Acho que pecaram muito em fazer um artigo sobre Web Semântica e não fazer nenhuma referência a Microformats.
A definição sobre web 2.0 no começo esta muito boa, só que web semântica não é uma futura web 3.0. Web Semântica ja é realidade agora da web 2.0.
Nesta frase do artigo:
“No que consiste a web semântica? Trata-se de um conjunto de medidas que pretende criar significado, ou sentido, para tudo que habita a rede.”
Eu ja discordo desta afirmativa. Pelo oque eu conheço, Web Semântica é:
Processo de separar e refinar a informação definindo sua relevância por tags. Não se cria significado ou sentido, isto já é da própria informação que o usuário coloca.
Por exemplo: defini-se que titulos sempre serão na tag e texto será sempre dentro de . Na hora que o usuário buscar a informação, o robo de busca irá dar mais enfoque ao titulo e depois ao texto. Ou se vc procurar somente por titulo ele irá ler somente oque esta em e não se preocupará com o conteúdo dentro do .
E é por isso que Web Semãntica está ligada a Web Standards pois todo esse processo de refinamento e separação pode ser prejudicado com códigos sujos e javascript obstrutivo.