Webinsider

Comportamento - Redes sociais

A internet dentro da história social da mídia

26 de agosto de 2007, 16:40

A internet revoluciona o mundo ou o mundo usa a internet para se revolucionar? Livro “Uma história social da mídia, de Gutemberg à Internet”, tenta explicar.

Por Carlos Nepomuceno

O ovo ou a galinha? Me arrisquei em uma palestra a responder: o galinhovo ou ovolinha! Na verdade, a versão 1.0 desse animal, que foi evoluindo em novas versões até se separar em alguma delas e virar o que temos hoje: o ovo 2.0 e a galinha 2.0, que levamos para casa para assar e fazer omelete.

O assunto veio à baila, pois cabe também perguntar: é a internet que revoluciona o mundo ou o mundo que usa a internet para se revolucionar?

É um dos temas do ótimo livro “Uma história social da mídia, de Gutemberg à Internet”, de Asa Briggs e Peter Burke, da Zahar.

Nele é narrada a mudança do mundo com a chegada da prensa, inventada por Gutemberg em 1450, que permitiu com a multiplicação de editoras a circulação em maior escala de jornais e livros.

Um processo de mudança cultural que resultou em diversas revoluções posteriores, tais como a Industrial, Francesa, Americana e a Russa, esta quase 400 anos depois.

O autor argumenta que não se pode considerar a invenção do livro e dos jornais impressos como principal agente dessas mudanças, mas apenas um propiciador, na qual diversos interessados em transformar a sociedade se apoderaram de seus recursos para atingir objetivos

Na verdade, se não houvesse jornal e livro, Lênin não teria lido Marx, que por sua vez não teria lido Hegel. E Lênin não teria publicado o Iskra (Faísca), jornal com o qual os bolcheviques espalharam suas idéias pelo antigo império.

Ao ler o livro de Brig e Burke reforçamos ainda mais a idéia de que mudanças de paradigma de comunicação afetam profundamente a sociedade.

Diferente de outras tecnologias que também mudam o planeta, mas ainda de uso restrito, como um foguete que, por enquanto, leva apenas alguns poucos humanos ao espaço, a comunicação e a informação são ferramentas básicas para a sobrevivência da espécie para produzir e, portanto, comer, beber, morar e se alimentar.

Se uma nova possibilidade é capaz de fazer tudo isso de uma forma diferente, melhor e mais ágil, é logo difundida rapidamente, esbarrando, claro, nas resistências do poder estabelecido, como foi na época da proibição da publicação de livros em vários países, no século XVI e XVI, como é hoje na China, que limita a internet.

As novas tecnologias de comunicação e a informação, assim, marcam grandes eras na história da humanidade, a saber: o silêncio, os urros, a fala, a escrita, o livro, os meios de comunicação de massa e, agora, a internet.

Nesse processo de rupturas e não de evolução, o ser humano na nova era vai maturando as diversas novas potencialidades do novo meio e dando a alguns revolucionários de plantão novas respostas possíveis, antes inviáveis, a velhas perguntas: “por que será que isso é assim?”.

- Por que será que eu compro um CD inteiro quando quero apenas uma música?

- Por que será que eu pago tão caro para falar com meu primo no exterior?

- Por que será que eu tenho que sair de casa para comprar os livros que preciso para ir à escola?

- E por que será que não posso comparar os preços e ver qual é o mais barato?

- Por que será que eu não posse desenvolver livremente um software com os meus amigos e colocara para o planeta todo usar?

E algo que já anda circulando pelo mundo:

- Por que será que eu voto em um parlamentar para decidir algo que agora já posso fazer de casa?

Assim, podemos dizer que as mudanças na comunicação e informação são agentes condicionantes de alterações sociais. Sozinhas não geram nada, mas na relação do homem transformador com a nova técnica surge uma outra possibilidade, uma verdadeira neo-filosofia, um jeito diferente de olhar para o mundo, que permite, assim, resolver problemas antes insolúveis.

E tudo entra em espiral galopante para cima.

Vide os últimos 15 anos da rede. Assim, a Web 2.0 é, no fundo, o início da fase que a galinha (nova) sai do ovo (velho). Ou da galinha (velha) que gera um (novo) ovo. Os que querem mudar a sociedade estão que nem pinto no lixo! [Webinsider]

Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ comunidades ]

Comentários

6 pessoas comentaram o artigo "A internet dentro da história social da mídia"

Juliana Data: 26/08/2007 às 8:11 pm

Atividade:

Cidade:

Gostei do artigo, fiquei interessada em ler o livro. Retrospectivas e panoramas sempre nos ajudam a resgatar um pouco da evolução de um assunto no tempo, e também a refletir sobre o que está por vir. Parabéns!
obs: há erros de revisão no texto. Pela boa manutenção da qualidade do Webinsider, vamos revisar!

Vicente Tardin Data: 27/08/2007 às 10:17 am

Atividade:

Cidade:

Oi Juliana,

obrigado por avisar, fiz uma segunda revisão e pesquei ainda outros errinhos de digitação que escaparam da primeira vez.

[]s do

Vicente

Roberto Costa Data: 27/08/2007 às 11:31 am

Atividade:

Cidade: Curitiba

Talves a internet possa ser utilizada para mudar o mundo. Já que o alcance da informação vai muito além da que o rádio ou a tv podem levar, além de ser bem mais rapido o processo de propagação da informação. Se a cidade perfeita de Platão era delimitada pelo alcance da voz do orador, agora esse orador pode alcançar o mundo todo.

a internet muda a vida das pessoas, que por sua vez mudam o mundo em que vivem….
as vezes para melhor as vezes para pior…

eduardo Data: 30/08/2007 às 10:45 am

Atividade: empresário

Cidade: Rib. Preto

Caro Nepomuceno.

Como vc disse, ‘rupturas’quando ocorrem no meio social relacionadas com a comunicação e informação costumam mudar a história.

NO entanto, estamos diante de um fenômeno muito maior com a internet atual, pois, enquanto havia uma forma de comunicação e informação das pessoas numa condição passiva a cultura se propagava a reboque das formulações com interesses ou não. As criticas eram apenas um numero atuarial frágil.

Agora não! A massa critica é que está conduzindo e impondo novos rumos à sociedade em face da força de sua atuação, sua voz…, pela internet. Não somos mais telespectadores ou simples leitores, somos compartilhadores, colaboradores, etc,… Ninguém segura isso.

O por vir, certamente, será de uma sociedade…digamos… 2.0. Arrisco-me a dizer: A internet é ciclo de vida como a galinha e o ovo. Parabéns pelo artigo.

Guilherme Euler Data: 30/08/2007 às 11:31 pm

Atividade: Professor

Cidade: Caldas Novas - GO

Gostei muito do artigo… gostei tanto que quis imprimir para levar aos meus alunos amanhã…
Não quero de forma alguma fazer uma crítica negativa ao artigo, que está muito bem escrito, mas quero deixar aqui a minha pergunta…
“Vocês já tentaram imprimir alguma coisa diretamente dessa página?”
A única forma que tem de imprimir alguma coisa daqui decentemente é copiando e colando em algum editor de texto :)

Um grande abraço e parabéns pelo ótimo artigo.

janeth miranda Data: 18/07/2009 às 7:30 am

Atividade: estudante

Cidade: luanda\Angola

adorei o artigo é a primeira vez que vejo algo de genero tentei imprimir mas não consigo bjs fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Como aproveitar a contribuição implícita do usuárioProgramando a inteligência coletiva: livro discute como aproveitar o movimento que o usuário faz - para poder oferecer a ele opções de muito maior relevância. Por Gilberto Alves Jr.

Cesar Paz

Filosofia.comPor pavor à obsolescência queremos informação em tempo real. Mas o que traz densidade está nas relações pessoais e nos livros de papel. Por Cesar Paz

Conteúdo, copyright… onde está o valor das coisas?Falando de negócios, estamos dizendo que o grande desafio dos proprietários de conteúdo é torná-los rentáveis de uma maneira sintonizada com o momento do mundo. Por Roberto Cassano

A sociedade está pronta para a Web 2.0?Estamos diante de um impasse: uma nova geração sabe como é bom e produtivo estar em um ambiente como o Orkut. Mas a escola, a empresa e a própria sociedade não estão preparados para essa nova realidade. Por Carlos Nepomuceno

Conheça números da educação brasileira. E pressionePesquisas que analisam o sistema educacional brasileiro podem ser vistas online. É importante conferir os censos e usá-los como instrumento de pressão por uma melhor qualidade de ensino. Por Sthefan Berwanger

Para fazer social media tem que abrir as portasAo abrir espaço para o leitor, o público e o cliente opinarem, muitas instituições e empresas não aguentam o tranco e fecham as portas. Não tem futuro essa abordagem. Há outra melhor. Por Carlos Nepomuceno

Para onde vai a comunicação corporativa modernaA relação entre estratégia, comunicação e colaboração no ambiente interno das empresas: um resumo do que seria uma moderna concepção de comunicação corporativa. Por Rodolfo Araújo

Webinsider