Filosofia.com
21 de agosto de 2007, 18:22Por pavor à obsolescência queremos informação em tempo real. Mas o que traz densidade está nas relações pessoais e nos livros de papel.
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Segundo um filósofo francês, mesmo que todos os seres humanos não se tornem filósofos, todos serão, um dia ou outro, tocados pelas questões filosóficas.
Acho até que eu, empreendedor do mundo digital, lógico e agnóstico de carteirinha, estou um pouco nessa fase. Sei lá, quem sabe isso seja uma condição de todo sujeito que já passou dos 40.
Não importa. O fato é que, embora seja muito chato saber, todos nós, digitais ou analógicos, daqui a pouco, partimos dessa para uma melhor. Ou seria para uma pior? Ou não seria?
A finitude humana é base da reflexão da filosofia e da religião. E só é assim porque nós, criaturas humanas, diferentemente de um cachorro, de uma ostra ou de uma baleia (também seres finitos), temos o desconforto de ter consciência dessa crua realidade.
Só para nós o tempo é tão precioso que se torna ainda mais precioso com o tempo!
E daí?
Daí, que a evolução tecnológica e a democratização dos ambientes informacionais nos colocam num estágio perigoso do processo de evolução em relação aos nossos futuros conflitos filosóficos.
Esse mundo tech que construímos e amamos mexe com nossa percepção de tempo e com a nossa capacidade de construir através do conhecimento, estofo para os futuros questionamentos sobre a vida e a nossa existência.
Num mundo totalmente digital já vivemos, sem perceber, o pavor à obsolescência, e isso define a necessidade absoluta de vivermos o presente e de ter sempre informação em tempo real.
Consumimos overdoses de informação “fresca” por meio de uma overdose de dispositivos, estímulos e conteúdo de alta interatividade. Involuntariamente, ficamos angustiados, paradoxalmente mal informados e cada vez mais superficiais.
O mais incrível é que isso piora. Nesse contexto, cresce, diante de nós, uma geração que está se formando exclusivamente no ambiente digital e que consome, num modelo cada vez mais caótico, terrabytes de informação com nenhuma profundidade.
Surge um novo “mind set” que provavelmente estará preparado para as necessidades da vida prática, da formação acadêmica e até provavelmente do trabalho, mas que, na minha pretensiosa opinião, vai se deparar, um dia, em condições bastante frágeis com as tais questões filosóficas.
Essas questões exigirão muito conhecimento e uma lógica profunda e linear de pensamento, além de uma grande capacidade de abstração se encaradas pelo lado filosófico ou, eventualmente, uma fé incondicional se buscar apoio nas doutrinas religiosas.
Aí gente, não adianta clicar na imagem, dar ctrl z, postar na comunidade ou querer passar de fase, precisa de muito conceito e conteúdo que pode ser encontrado em qualquer lugar, mas é absorvido, de fato e num modelo denso, nas relações pessoais e nos livros de papel.
Quem viver, verá. [Webinsider]
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1° Manuel Bertelli Data: 21/08/2007 às 7:55 pm
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Tô adorando os artigos recentes do webinsider. Graças a Deus minha fase “problema” com tecnologia está passando, mas não é fácil lidar com tanta informação ainda mais trabalhando com tecnologia.
Muita terapia, muita grana com psicólogo. Mas tenho certeza que essa nova geração vai dar de cara com o mesmo problema: excesso de informação e, principalmente, priorização de informação. O que é útil, o que é necessário e o que Eu quero disso tudo, afinal?
Minha idéia de um futuro melhor: Educação Psicológica nas escolas, uma espécie de Educação Física da mente, deixando a molecada mais sadia e menos alienada.
Ótimo artigo, parabéns!