Webinsider

Redação, edição

Títulos descritivos funcionam melhor nos feeds

17 de agosto de 2007, 0:01

Fora do contexto de suas páginas, títulos de artigos, posts e notícias podem não fazer sentido para o leitor que usa feeds. Seriam mais eficientes se fossem descritivos.

Por Emersom Satomi

Apesar de sua ampla difusão, feeds são negligenciados por boa parte dos sites que os publicam. Pelos grandes e pelos “pequenos” - leia-se blogs - também.

Não é novidade que usuários avançados preferem feeds a ter que ficar acessando dezenas de sites no browser. Não temos estatísticas ainda sobre isso, mas o fato da coisa ainda estar concentrada nos power-users deve explicar o relativo descaso dos publishers. Mas, à medida que a usabilidade melhorar, cada vez mais pessoas vão preferir essa forma de “escanear” conteúdo.

Escanear é a palavra-chave. Escaneamos o conteúdo e decidimos o que será lido. Baseado em quê? Nos títulos. O problema é que isso vem se revelando uma tarefa ingrata. Porque, no geral, títulos em feeds são ruins. Muitos fornecem resumos incompletos na descrição do item e tantas vezes os títulos não informam do que se trata o texto. Sem contar sites que escondem o link ou o auto-discover não funciona.

A lógica predominante é que o leitor deve visitar o site caso algum item do feed interesse. Mas há contradições práticas aí:

1. Se o título não indicar explicitamente do que se trata o post, o leitor passa batido. O site perde uma visita em potencial. Se o título fosse mais informativo, isso pode não acontecer.

2. Quando o leitor já sabe que o conteúdo em questão é muito bom, ele pode parar e conferir a descrição de um item com título mais enigmático. Aí, encontra só o primeiro parágrafo, cortado de repente após uma linha! Ainda não dá para entender do que se trata e… ele desiste.

O leitor deixa de acessar muitos textos e posts quando o título não informa bem, pois não dispõe de tempo para ler a descrição de cada um.

Com descrição e títulos informativos, todos sairiam ganhando. Um título objetivo traz melhores resultados também em termos de SEO (Search Engine Optimization). Por exemplo, ao escrever um artigo como este, que título você escolheria?

1. “Feeds: não é a mamãe!” (referência a uma possível brincadeira no primeiro parágrafo)
2. “Melhores títulos em feeds”

Analisando friamente, parece óbvio: opção 2! Mas é incrível o quanto se vê de títulos do tipo 1 por aí. Não sou contra piadas ou alta literatura, mas é preciso ser prático e objetivo. Apesar de mais sem-graça, a opção 2 dá melhores resultados em todos os aspectos:

  • leitores saberiam do que se trata o item rapidamente. É isso o que queremos, não piadas ou literatura (se o autor preferir, pode usar e abusar disso no corpo do texto)
  • o site informaria adequadamente do que se trata o texto, permitindo que o leitor interessado clique na entrada
  • mecanismos de busca encontrariam o texto em uma pesquisa “feeds + títulos”

O texto aberto no site ficaria menos engraçado. Mas isso não é um problema, pois não é o objetivo - com exceção de um site de humor.

Talvez o grande problema dos títulos de feeds é que eles são os mesmos títulos que vão na página. Assim, quando o autor escreve, geralmente está pensando no site e, muitas vezes, leva em consideração esse contexto: imagens, tags, linha-fina (texto que resume a notícia, entre o título e o corpo), timestamp, texto integral logo abaixo…

Mas é perfeitamente possível pensar nos dois ambientes ao mesmo tempo, ao escrever o título. Ou mesmo pensar apenas no feed: a vantagem disso é que teremos um bom título também para o site, pelo menos em termos de SEO e clareza.

Feeds integrais

O Google comprou o FeedBurner, que já possuía uma boa tecnologia para embutir anúncios em feeds, além de gerenciá-los e colher estatísticas. Com isso, deve aumentar o número de feeds integrais — onde todo o texto, imagens e vídeos são disponibilizados. Não é preciso esperar. A solução já existe. Um artigo que descreve bem - apesar de um pouco antigo - como a renda aumentou após a “abertura total” do feed pode ser lido aqui.

Para quem usa a tecnologia, é muito mais prático ver tudo diretamente no agregador. Nem é preciso listar os motivos. E como não é nenhum segredo industrial a inclusão de anúncios e a análise estatística de feeds, já está mais do que na hora de vermos mais feeds integrais por aí.

Um artigo interessante, de Rick Klau, vice-presidente do FeedBurner, indica que não há evidência, conforme sua ampla base de dados, de que feeds parciais gerem mais visitas que feeds integrais — apesar da parcialidade desse comentário.

Muitos bloqueiros ainda têm receio de “abrir tudo”, mas são, novamente, os blogs que estão na dianteira. Muitos dos mais acessados (pelo menos aqueles em inglês) oferecem o feed completo. Isso se deve, em boa parte, a ampla adoção do FeedBurner, que incentiva a distribuição do conteúdo integral.

Exemplos

A seguir alguns exemplos de como alguns portais/sites tratam os feeds. Não há aqui nenhum critério sistemático. São apenas alguns dos feeds da minha lista:

  • UOL: só há o título! E é um pouco redundante, pois inclui uma timestamp no texto. Pelo menos, tem a seção do site de onde vem a “notícia”
  • Estadão: varia. Alguns itens incluem só o título, outros mostram também a linha-fina
  • Ombudsman UOL: só o título. E esses não informam bem do que se trata o texto
  • Novo em Folha: só o título. Assim como o anterior, sofre do problema dos títulos genéricos/enigmáticos. Dá para entender, já que são blogs de interesse ultra-restrito
  • Digg: apesar de alguns títulos enigmáticos (propositalmente), a descrição vem completa. No entanto, falta o link para o artigo de referência, forçando a visita ao site
  • Rec6: como o Digg, com uma vantagem: há o link para o artigo de referência. Assim, não é preciso visitar a página original

Uma boa exceção entre os sites com feeds parciais é o G1, que inclui a linha-fina em seu feed (assim como o Webinsider). Isso é tão básico, mas ainda assim costuma ser negligenciado.

Em inglês, a Wired é outro bom exemplo. Eles usam uma linha-fina redigida exclusivamente para o feed, já que ela não aparece (nem seria necessário) na página original.

Isso foi uma evolução e tanto. Até pouco menos de um ano, os títulos da Wired eram horríveis. Ótimos em termos de literatura, trocadilhos e referências a filmes. Mas não informavam, isoladamente, o conteúdo do texto. Basicamente, isso acontecia porque o título era o mesmo da versão impressa. Na revista, o resultado era ótimo, somado ao design, à linha-fina e às imagens. Em um feed, simplesmente, não funcionava. Mesmo nas notícias exclusivamente online, essa cultura de títulos ainda predominava.

Esse bom exemplo da Wired atual é o padrão usado em grandes redações — pelo menos as que se planejam bem -, onde há conteúdo impresso e online compartilhado. Na hora de redigir o texto, há campos específicos que serão usados apenas na versão online. O próprio redator do setor impresso pode preencher esse campo, poupando o setor web do redundante trabalho de edição para colocar o texto no site.

Obviamente, tudo isso é bem relativo. Vale o bom senso. Eu mesmo, no final, não usei o título “Melhores títulos em feeds”. Motivo: como o Webinsider aborda temas bem específicos, achei que uma referência a um filme (desconhecido!) misturado a “feeds” não comprometeria tanto a compreensão. Vamos ver se o editor mantém meu título ou se vai mexer nele… [Webinsider].

Sobre o autor

Emersom Satomi (emersom@gmail.com) é jornalista e mantém o blog Singular-idade.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ buscadores ] [ aplicativos web 2.0 ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Títulos descritivos funcionam melhor nos feeds"

Cesar Zeppini Data: 17/08/2007 às 7:51 am

Atividade: Publicitário

Cidade: Indaiatuba

Sempre comento nesse site e acho as matérias muito interessantes. Esta é mais uma matéria muito interessante sobre algo que talvez a maioria nunca nem tenha pensado, mas agora poderão começar a tomar mais cuidado.

MAS, a real intenção de eu estar comentando aqui hoje é que, NÃO SEI PORQUE, eu associo o japonês aí do lado na propaganda da Microsoft ao autor da matéria. =D

Sempre imagino esse cara escrevendo a matéria! ¬¬

Bom, mas matéria muito boa! Como sempre!

Paulo Rodrigo Teixeira Data: 18/08/2007 às 2:09 pm

Atividade:

Cidade:

Depois que um leitor do meu blog me deu feedback que era mais fácil para ele eu usar full feed, troquei em todos os meus blogs.

Isto facilita muito pois se ele pode ler meus post sem nem precisar acessar meus sites meu sites.

Grande abraço

Guilherme Tossulino Data: 23/08/2007 às 9:01 pm

Atividade: Desenvolvedor Web

Cidade: Florianópolis

O título dos feeds é muito importante, ele é a chamada para uma notícia ou um post em seu site e assim como assuntos de e-mail marketing e manchetes de jornais, devem deter a atenção dos leitores.

Um assunto interessante certamente será mais clicado que outro sem muito sentido, não precisamos estudar SEO ou marketing para saber disso. A Internet hoje tem muita informação e muitos sites. Cada vez a visita diária de site em site será mais difícil e os feeds são uma forma de resumir e auxiliar aos leitores mais interessados.

A utilização de feeds hoje não se concentra apenas para usuários avançados, pois os próprios navegadores (firefox e IE7) mais utilizados já possuem agregadores de feeds por padrão.

Certamente os blogueiros e sites de notícias devem valorrizar mais este recurso que às vezes é deixado de lado e não recebe a devida importância.

ingrid marques de oliveira Data: 11/03/2008 às 4:22 pm

Atividade: lição

Cidade: sp

gostaria de alguns exemplos de textos descritivos para mim ter uma idea cmo fazer um texto decritivo.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Daniella Morier

O usuário entra por onde bem entendeMuitos sites precisam rever seus conceitos e arrumar os porões e as portas dos fundos. Por Daniella Morier

Vai começar um blog mas não sabe o que dizer?Os blogs cumprem o papel de criar o outro lado da moeda da mídia tradicional. Quando conseguem fazer isso com eficiência, vão adiante. Quando aliam a isso alguma visibilidade, passam a bem acessados. Por Carlos Nepomuceno

Formato blog cada vez mais aceito profissionalmente A diferença entre blogs de conteúdo e blog pessoais ainda ainda não é tão evidente no mercado de comunicação e até atrapalha blogs profissionais em relação à publicidade. Por Gilberto Alves Jr.

Vicente Tardin

Quando o pageview não quer dizer muita coisaMétricas para avaliar resultados dos sites e o engajamento dos leitores precisam de mais sofisticação. Por Vicente Tardin

Muitos blogs para ler? Filtre por tags, não por feedsA leitura de seus blogs preferidos poderia ser mais eficiente se houvesse uma forma de assinar apenas os conteúdos filtrados por tags. Algumas soluções nesse sentido já estão perto. Por Sérgio Lima

Feed-se: organize a entrada do conteúdo que apreciaGanhe produtividade e use os feeds oferecidos pelos sites que são importantes para você. Eles são uma forma de alimentar automaticamente a sua agência de notícias particular, com as fontes que você seleciona. Por Ana Redig

Microformats: aprenda a descrever seus dadosVocê pode ampliar a gama de meta–informação que o seu site oferece para o mundo. Conheça o conceito dos microformats: especificações que procuram relacionar a informação primeiro para os humanos, depois para as máquinas. Por Henrique Costa Pereira

Webinsider