Webinsider

Tecnologia

Paulo Roberto Elias
Áudio e vídeo

Com Blu-ray, áudio é diferencial extra de qualidade

13 de agosto de 2007, 10:48

Nossa análise do Blu-ray Panasonic revela que os codecs avançados de áudio são tão importantes quanto o vídeo de alta definição, apesar de ignorados por muita gente. Principal vantagem é o uso sem compressão com mais qualidade.

Por Paulo Roberto Elias

bd04.jpg
O formato Blu-Ray, da mesma forma que o seu concorrente HD-DVD, traz inovações significativas na parte de áudio. Todos os codecs anteriormente adotados para o DVD, tais como o LPCM, Dolby Digital (EX inclusive) e DTS (ES inclusive), trazem modificações no bitrate, que melhoram significativamente os seus desempenhos. A única exceção é o MPEG, que apenas em ocasiões muito raras foi usado no DVD para áudio.

Para ler um resumo específico sobre esses codecs de áudio, há uma página montada por mim. Com isso, podemos nos deter aos aspectos básicos de capacidade de reprodução do BD10A da Panasonic e como ele se tornou um modelo ímpar, entre os atualmente disponíveis, no que concerne à reprodução do áudio.

Atualmente, o BD10A é o único leitor Blu-ray dotado de saída analógica de 7.1 canais de áudio. Embora trilhas em 7.1 sejam raras (eu não achei nenhuma até agora), o fato é que o Blu-ray prevê a adoção de 7.1, com os canais surround back direito e esquerdo implementados, em vez de um único surround back derivado artificialmente (somado) aos sistemas 7.1 atuais.

A implementação, neste caso, da saída analógica multicanal é necessária por dois motivos, fundamentalmente: primeiro, que os novos codecs não têm decoders implementados e prontamente disponíveis para venda, seja em receivers, seja em pré-amplificadores dedicados, e mesmo que tivessem, a transmissão se faz por HDMI exclusivamente, que pode ser um transtorno; segundo, em cada Blu-ray player existe uma implementação de um chipset mais moderno, que é capaz de decodificar tudo que o aparelho toca, com uma qualidade que os decoders atuais não conseguem.

E embora o manual do BD10A recomende o uso de cabo coaxial ao lado do cabeamento analógico para enviar o sinal a um decoder externo, o que se ouve a partir da saída analógica é de uma qualidade tão alta que só faz sentido usar a saída digital por algum motivo muito particular do usuário. Definitivamente, não é necessário.

No caso específico do Panasonic BD10A, existe nada menos que sete conversores de áudio a 192 KHz/24 bits de alta performance. Esses conversores se encarregam de passar os novos codecs para LPCM, e daí para a conversão final ao áudio analógico nas respectivas saídas.

É nesse estágio da conversão que moram as distorções comumente ouvidas na reprodução de fontes digitais. E para evitar que isto aconteça, os engenheiros da Panasonic supostamente construíram o BD10A com componentes escolhidos para apresentar excelente desempenho de áudio.

Aqui, aparecem reminiscências do antigo áudio esotérico, tão comum na década de 1970. Coisas como seleção de capacitores e resistores que não introduzem distorção na passagem do sinal de áudio, gabinete rígido e pés com isolamento, terminais banhados a ouro, e vai por aí.

E se isso não bastasse, nos estágios finais, foi implementado o que eles chamam de “virtual battery operation”, que nada mais é do que a troca do integrado que impede a passagem de corrente DC na saída, por um circuito capaz de simular a alimentação de uma bateria, que se encarregaria de entregar uma corrente fisicamente pura. Ou seja, uma corrente contínua, ao invés da corrente alternada, pois esta última tem ruído capaz de adulterar a conversão digital para analógica.

Importância do áudio

bd01.jpgNa realidade, o mais interessante é que os projetistas perceberam que o usuário interessado em áudio certamente gostaria de usar o BD10A para fontes musicais, como o CD comum de música. E assim implementaram não apenas uma, mas duas saídas de áudio estéreo dedicadas para CD, com upsampling capaz de rivalizar aparelhos de ponta.

E de fato, o sinal obtido nestas saídas é exemplar. Quem tem receiver com uma entrada de CD separada pode rapidamente se beneficiar, estendendo cabo de áudio de boa qualidade, e de preferência configurando o receiver para amplificação direta (geralmente uma saída com o nome de “stereo direct”), porque neste caso todos os circuitos de linha são contornados e o sinal do CD levado direto aos amplificadores.

Na reprodução dos discos Blu-ray, o BD10A decodifica todos os codecs, menos o DTS HD Master Áudio, que é substituído pelo DTS Digital Surround convencional. Só que, no padrão do formato Blu-Ray, o DTS é transmitido a 1500 kbps, o que garante a mesma qualidade do áudio DTS usado nos cinemas.

Os outros codecs mais avançados, como o Dolby Digital Plus, Dolby TrueHD, DTS HD High Resolution e LPCM multicanal, são todos decodificados sem perda alguma, e é neste ponto que a conexão da saída analógica multicanal tem o seu ponto forte.

É preciso ainda notar que o Dolby Digital e o DTS, que nós já conhecemos no DVD, não são codificados da mesma forma nos discos Blu-Ray, e sim com bitrates a 600 kbps e 1500 kbps, respectivamente.

Antes do Blu-Ray, que eu me recorde, a única experiência feita com Dolby Digital a 600 kbps foi a da primeira prensagem do disco Delos “DVD Spectacular”, de 1997. Este disco tinha uma faixa, de nº 29, que continha a peça clássica “1812”, mas somente acessível parando-se o disco e selecionando-se a faixa manualmente.

Os primeiros leitores de DVD não conseguiam passar o sinal a 600 kbps, mas todos os decoders de terceira geração já resolveram este problema, e por causa disso, hoje em dia qualquer DVD player e A/V receiver que se preze é capaz de passar Dolby a 600 kbps sem qualquer empecilho. O mesmo se aplica ao DTS a 1500 kbps, porque este foi o primeiro sinal DTS decodificável, presente em laserdiscs e CDs.

O uso da saída coaxial ou ótica, entretanto, pode ser adotado, sem grandes prejuízos, porque todos os codecs mais novos têm o que se chama de um “core” (núcleo), com um bitrate menos demandante e rigorosamente dentro dos padrões atuais dos mesmos.

Tive a chance de testar um disco com trilha DTS HD High Resolution, pela saída coaxial, e o que o decoder do meu receiver “enxerga” é DTS-ES 6.1 discreto, por sinal, de excelente qualidade. Portanto, se a entrada analógica multicanal de um pré ou receiver não estiver disponível, ainda assim é possível conseguir um som de alta definição.

Embora haja codecs mandatórios e outros opcionais, discos Blu-ray de diferentes estúdios adotam codecs específicos na maioria das vezes. De todos esses codecs, os únicos que não têm nenhuma compressão são o Dolby TrueHD, o DTS HD MA e o LPCM multicanal.

Na implementação deste último, reside uma crítica que consiste na demanda exagerada de memória no disco, mas como o formato Blu-Ray não padece deste problema, o LPCM é bastante usado e apreciado pelos que gostam do desempenho de áudio. Em parte, para contornar o problema de espaço em disco, cada estúdio pode decidir como o LPCM vai ser codificado. E isto é possível pela flexibilidade que o LPCM exibe na gravação e na reprodução do sinal de áudio.

No tempo do CD, o padrão adotado foi o LPCM a 44.1 KHz e 16 bits de resolução. Mas, já na era DVD, este padrão subiu para 48 KHz/16 bits e para 96 KHz/24 bits. Neste intervalo, a maioria dos digitais passou a usar padrões mais rígidos de gravação como, por exemplo, 96 Khz/24 bits ou remasterizações de fonte analógica para 20 bits (por exemplo, o processo “super coding”, usado no Japão pela Sony para CDs).

A conversão de sinais, em ambiente digital, é feita por software dedicado e não apresenta nenhuma degradação visível. Assim, discos Blu-Ray podem “economizar” espaço, apresentando LPCM a 48 KHz/24 bits, com resultados que nada deixam a desejar, mesmo aos mais exigentes dentre os audiófilos.

No caso do Panasonic BD10A, o seu design ainda aproveita, de tabela, a resolução dos seus decoders a 96KHz/24 bits para reproduzir DVD-Audio (PPCM 96/24) em até 5.1 canais, caso seja usada a saída analógica, ou 2 canais, se for usada a saída digital. [Webinsider]

Sobre o autor

Paulo Roberto EliasPaulo Roberto Elias é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser lidos aqui.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ produtos ] [ usuário final ] [ TV, vídeo ] [ música ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Com Blu-ray, áudio é diferencial extra de qualidade"

Roderlei Bigliazzi Data: 06/09/2007 às 3:29 pm

Atividade: Distribuição de software p/ DTP.

Cidade: São Paulo

O Toast 8 Titanium é o software ideal para gravaçåo de CD/DVD no formato Blu-ray em equipamentos Mac da Apple.

Todos podem encontrar ligando para 11 3167-6553, o preço gira em torno de US$ 160,00 e a entrega é garantida via download !!!

Roder

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Paulo Roberto Elias

Análises preliminares do Blu-ray da PanasonicNosso amigo mostra sua experiência com o BD-10A para reproduzir DVDs e discos da nova geração, usando as saídas HDMI e vídeo componente. Compatibilidade com outros aparelhos e mídias é boa, qualidade do vídeo impressiona. Por Paulo Roberto Elias

O segredo da Pixar é integrar artistas e cientistas A Pixar é um bom exemplo para as agências porque usa a tecnologia apenas como sustentação para entregar o que foi criado. Conceito meio estranho em tempos de “inventa alguma coisa para colocar no Second Life”. Por Ricardo Cavallini

Paulo Roberto Elias

DRM pode complicar a TV Digital no BrasilO governo brasileiro adota padrões que sequer foram licenciados para uso no país, além de escolher formatos de áudio de pouca compatibilidade. E ainda falam em inclusão digital, deixando de fora melhorias básicas. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Aprenda a posicionar e ajustar suas caixas de somVocê já aprendeu a diferença entre sistemas de áudio e a importância de um som com qualidade para seu home theater, agora entenda a melhor localização e as diferenças entre caixas acústicas. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

A diferença entre sistemas de áudio 5.1, 6.1 e 7.1Depois de decidir pela instalação do seu Home Theater, aprenda a fazer as devidas medições e configurações entre caixas acústicas, subwoofers e a melhor localização para receber o áudio sem ruídos. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Home Theater começa pela montagem do somAprenda a montar seu HT e não releve a importância da trilha sonora. Não adianta apenas tirar da caixa e plugar, é preciso entender a diferença entre cabos, equipamentos, saídas e caixas acústicas. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

DTS vs Dolby Digital: qual é o melhor?O formato AC-3 de áudio disputa a preferência dos audiófilos em qualidade sonora para home theaters, mas tem gente que não gosta. Entenda as diferenças e como funcionam. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Áudio DTS: som de cinema para ouvir em casaSaiba mais sobre o Digital Theater Sound, formato digital de alta performance criado para a telona, mas que hoje você pode ter no home theater pelo DVD. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Fantasound de Walt Disney e o estéreo no cinemaCom o filme Fantasia, inaugurou-se o primeiro som multicanal surround para o cinema, graças ao visionário Walt Disney. Conheça a história de Fantasound. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Em busca do som absolutoAmantes de música deveriam começar a prestar mais atenção nas origens de gravação do áudio em vez da tecnologia ou da mídia utilizada para reproduzir o som. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Blu-ray e HD-DVD: até onde vai nossa paciência?Ter dois formatos de alta definição para home vídeo é uma contradição que penaliza o comprador. Tudo indica que a briga não vai terminar tão cedo. Por Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias

Reprodução de som dos CDs avança em qualidadeEnquanto as novas gerações preferem o MP3, puristas continuam achando que o som digital não é perfeito. No entanto, avanços mostram a força do CD comum de áudio e pouca gente nota. Por Paulo Roberto Elias

Webinsider