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Tecnologia

Por que temos dificuldades para exportar software?

31 de julho de 2007, 18:02

Empresários criticam o governo pelo pouco incentivo à área. Tudo bem, mas os fornecedores que desejam competir com a Índia também devem fazer o dever de casa.

Por Armando Terribili Filho

O software tem uma característica ímpar, pois permite que seu desenvolvimento ocorra em um determinado país para um cliente situado em qualquer outro do planeta, independentemente de língua, fuso horário ou cultura. É o que chamamos de offshore, quando um serviço é prestado para um cliente fora das fronteiras do país onde está localizada a empresa produtora.

A Índia é hoje o maior pólo exportador de software. Além de ter alto desempenho em Tecnologia da Informação, utiliza a língua inglesa como seu segundo idioma, o que facilita a comunicação com os principais mercados compradores de software.

Os brasileiros têm, porém, algumas vantagens sobre os indianos, como a diversidade cultural e o fuso horário mais adequado ao da América do Norte e Europa – o que pode ser um facilitador no agendamento de reuniões de trabalho, entre outras atividades. A indústria brasileira tem desenvolvido softwares criativos e flexíveis – vide o nível da automação comercial no País, o Sistema de Pagamentos Brasileiro e as urnas eletrônicas.

A lamentação de empresários e empreendedores tem como alvo o governo brasileiro em relação às políticas de incentivo nessa área. O Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, não contemplou o software, embora esteja em discussão um específico para a desoneração tributária nessa área. Até o momento, em função da legislação trabalhista, o governo é um dos agentes causadores dos preços elevados de software, já que o alto nível de encargos encarece o preço final do produto desenvolvido no País.

Compradores exigem referências e certificados

No entanto, é preciso ressaltar que, além do fator preço, os compradores exigem qualidade, referências ou outros indicadores que mostrem a capacidade de seu fornecedor internacional. É neste contexto que surgem as certificações, sejam de empresas ou de profissionais.

Por meio de certificações as empresas podem demonstrar seu nível de especialização. A ISO 9001 evidencia que a empresa tem um sistema de qualidade implementado e auditado por entidade credenciada; a CMMI (Capability Maturity Model Integration) trata da gestão de processos e da busca de melhoria da qualidade no desenvolvimento e manutenção de produtos e serviços de software. Há outras certificações não ligadas a TI que são valorizadas do ponto de vista institucional: ISO 14000, na área ambiental, e SA-8000, de responsabilidade social.

Há também as certificações de profissionais que podem estar vinculadas a empresas de TI ou não. São exemplos aquelas associadas a empresas de tecnologia, como as certificações Microsoft, Oracle e Cisco, entre outras.

E não podemos esquecer as certificações que independem de empresas de tecnologia e são reconhecidas e valorizadas no mercado internacional: PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute) na área de gerenciamento de projetos; o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) nos níveis Foundation, Practioner e Manager, que trata do gerenciamento de serviços de TI; e o CFPS (Certified Function Point Specialist), na área de FPA (Function Point Analysis) relativa ao dimensionamento de software com base em suas funções.

Se quiserem participar de um mercado internacional atraente, altamente competitivo e com fortes concorrentes (a China e o Leste Europeu não estão parados!), os empresários devem buscar cada vez mais os certificados para suas empresas e funcionários, pois esses “carimbos” têm justa valorização no mercado, evidenciando que a companhia investe na qualidade de seus processos e na capacitação profissional de suas equipes de projetos.

A competitividade da indústria brasileira de software no mercado internacional depende de políticas de incentivo do setor público e de investimentos do setor privado. Temos, enfim, uma única certeza: a de que o futuro apontará aqueles que permanecerem refratários, omissos ou inertes nesse processo. [Webinsider]

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Sobre o autor

Armando Terribili Filho é diretor de projetos da Unisys Brasil e professor da Faculdade de Administração da FAAP.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ programação ] [ formação profissional ] [ trabalho a distância ]

Comentários

13 pessoas comentaram o artigo "Por que temos dificuldades para exportar software?"

LukIn Data: 31/07/2007 às 11:24 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Nova Odessa

ah , o brasil tem dificuldades em exportar softwares porque !
1º o Governo nao investe tanto em tecnologia.
2º os softwares brisileiros nem se compara a de um extrangeiro.
3º essas areas de tecnologia e muito pouco procurada.

na real verdade o brasil nao tem potencia suficiente pra concorre com os programadores e TI de outros paises!!

>

Leandro Borges Data: 01/08/2007 às 2:35 am

Atividade:

Cidade:

É verdade, mas se escrevessem num português que conseguíssemos decifrar ficaria melhor ler os posts dos leitores que aqui escrevem…

Thiago Data: 01/08/2007 às 4:07 am

Atividade: Estudante

Cidade: Itajubá

Que absurdo este comentário acima!

Bernardo Porto Data: 01/08/2007 às 7:12 am

Atividade: Diretor Técnico da Quicksys

Cidade:

Discordo do comentário acima. Principalmente na citação número 2.

No Brasil, existem vários softwares melhores que os estrangeiros.

O que falta é o próprio brasileiro VALORIZAR, ACREDITAR e INVESTIR no seu trabalho.

É da nossa cultura dar muito valor ao que vem de fora e criticar o que é produzido aqui.

Está mais do que na hora das coisas mudarem.

Se continuar assim, os nossos melhores programadores vão continuar sendo exportados para outros países.

Leandro Dorneles Data: 01/08/2007 às 8:44 am

Atividade:

Cidade:

Belo português o seu heim LukIn? Espero que vc não seja da área da TI, pois se assim for, realmente a exportação de software estará mais difícil do que imagino…

Augusto Data: 01/08/2007 às 9:22 am

Atividade:

Cidade: Belém

Tem gente (mal informada) que perde a oportunidade de ficar quieto…

Pedro Data: 01/08/2007 às 10:15 am

Atividade: Arquiteto de sistemas

Cidade: São paulo

Realmente, o problema das desenvolvedoras Brasileiras é que elas não pensam em exportar, não se preparam para isso, não desenvolvem os sistemas pensando nisso e para poder exportar algo, você precisa ter o que exportar. Assim realmente nós não temos nenhuma chance.

Leandro Marôpo Data: 01/08/2007 às 10:28 am

Atividade: Administrador

Cidade: Redenção

Leandro, não se preoculpe, o LukIn ainda está no primário, mas infelizmente sua opnião (a do Lukln) é muito comum entre os ignorantes e reguiçosos que não conhecem a realidade do TI no País, veja as competições em nível internacional (em TI) que mesmo com muito pouco (ou nenhum na maioria dos casos) incentivos do governo estão lá, firmes fortes e vez ou outra em primeiro lugar.

E sim, eu acredito no potencial do software BRASILEIRO, só fico um pouco triste pois pra melhorar mesmo teríamos que fechar esta casa de calhordas que se intitula ‘congresso nacional’….

que nojo!!!!

Thiago D. S. Data: 01/08/2007 às 10:54 am

Atividade:

Cidade:

Caro Leandro, você também não fica atrás dele (LukIn) não viu? Veja só, “heim” é com “n” tudo bem? E “VC”? O que é isso? Conheço a palavra “você”, esse “vc” é uma gíria usada em bate papo. Acho bom “você” usar os termos corretos ao corrigir alguém. (risos)

Da próxima vez faça comentários sobre a matéria relacionada, “POR QUE TEMOS DIFICULDADES PARA EXPORTAR SOFTWARES?” Lembra? Tchau e até mais.

10° Leandro Cianconi Data: 01/08/2007 às 6:09 pm

Atividade: Coordenador Web

Cidade: Rio de Janeiro

Percebo que, infelizmente, um dos maiores problemas ainda está na cultura empresarial brasileira. Quando o assunto é qualidade, as empresas só o fazem sob pressão. Se esforçam para tirar CMMi nível 5, ou MPS-BR nível H para ganhar a concorrência, ou atender aos requisitos daquela licitação.
Enquanto os processos de qualidade não forem enraizados na cultura organizacional, nada feito.
“Faço porque acredito na melhoria, não porque sou cobrado a fazer”.
O que mais tem por aí são empresas com lindas certificações, e processos gerenciais do dia-a-dia de fundo de quintal.
E o pior, potencial temos de sobra! Falta gestão.

11° Tales Data: 01/08/2007 às 7:10 pm

Atividade:

Cidade:

Por isso nossos softwares não estão em nivel internacional, enquanto muitos estão procurando aprimorar suas tecnicas de programação pra que se adaptem as normas internacionais, outro estão discutindo problemas de português num post…

O grande problema desses que se dizem programadores é a ainda a falta de maturidade para perceber o que de fato é importante para conseguir chegar a um nivel suficiente para concorrer com o mercado exterior…

Precisamos crescer e buscar não só tais certificações, mais sim estar aptos a entrar em tais mercados, capacidade temos de sobra, só falta parar de discutir assuntos um tanto quanto sem importancia…

12° Roberto Data: 24/07/2008 às 2:39 pm

Atividade: Analista TI

Cidade: Campinas

Essas tais certificações não provam absolutamente nada. Nenhuma delas prova que um software TEM QUALIDADE DE CONTEÚDO, ou seja, se um software tem as funcionalidades de que o cliente precisa, se é eficiente na execução da rotina do usuário etc. O que essas certificações provam é a existencia de métodos de trabalho. Ex: se sua empresa ten um método para correção de bugs de forma rápida, por exemplo. Além diso, essas consultorias cobram absurdos na faixa 100.000,00 para fornecer o tal certificado. Quer dizer, só empresas grandes podem arcar com esse valor e “competir lá fora”. Esse país é uma piada.

13° Pablo Data: 25/06/2009 às 2:03 pm

Atividade: Comércio Exterior

Cidade: Campinas

Em relação ao processo de exportação de software é necessário que se consulte a legislação pertinente antes de fechar o negócio, pois não é simplismente negociar o preço, desenvolver a ferramenta, enviá-la ao cliente e informar a conta bancária para se fazer o pagamento.
Existe a necessidade de se emitir documentos específicos e formalizar a entrada das divisas dentro do que a legislação pede.

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