Quando o pageview não quer dizer muita coisa
14 de julho de 2007, 13:59Métricas para avaliar resultados dos sites e o engajamento dos leitores precisam de mais sofisticação.
Por
Conversam o dono do site e o desenvolvedor:
- Quer dizer então que deste jeito, por causa do Ajax, toda vez que um usuário ler um texto, depois deixar um comentário, depois votar naquela matéria, depois ainda editar seu perfil… tudo isso vai contar um pageview só?
- É.
- Mas não tem outro jeito?
- Em benefício do usuário, ele só recarrega certos trechos da página.
- Só que os anúncios são vendidos aos pageviews. E o nosso patrocinador faz questão de saber isso sempre. Estamos ferrados.
…
Até agora o número de pageviews tem sido o critério mais importante para avaliar o desempenho de um site e o alcance de sua audiência. Para os sites de conteúdo, acostumados a exibir campanhas de banners, o número de pageviews é igual ao número de anúncios que pode oferecer ao anunciante.
É um critério importante, sem dúvida. Mas não vale muito para um site como o YouTube, por exemplo. Ao exibir um vídeo, que pode ser visto várias vezes e por muitas pessoas ao mesmo tempo, em incrível interação com alguma marca, tudo isso conta um pageviewzinho só.
Por motivos como esse, a Nielsen//NetRatings (no Brasil associada ao Ibope) passou a utilizar o tempo de permanência do usuário no site como critério mais importante para a mensuração de audiência (sem abandonar o pageview).
Eles entendem que os sites hoje não dependem tanto do recarregamento das páginas (o que determina os pageviews) para entregar ao usuário o conteúdo que ele deseja. E este conteúdo hoje, além de texto, pode conter rich media, Ajax e streaming - tanta coisa acontecendo e o pageview neste caso não revela isso bem.
Por esse motivo, a Nielsen começa a utilizar os novos itens Total Minutes e Total Sessions em seus relatórios. Prosseguem os dados para a média de sessões, time de permanência e pageviews, mas agora o “Total” procura refletir melhor a interação do usuário com o site em questão.
Desta forma, o número total de minutos seria melhor métrica para o engajamento, ao considerar o comportamento do usuário, independente do estilo ou propósito do site.
Alguns sites, como o Webinsider, oferecem leitura mais profunda. Outros oferecem vídeos, áudio ou jogos. Um artigo longo aqui vale um pageview, uma notícia de duas linhas em outro site também vale um pageview. Quando o pageview não dá conta para expressar esta diferença, o tempo gasto parece que mais adequado.
Lógico que para quem exibe anúncios, o pageview para a entrega de campanhas é importante. O que pode mudar é a percepção de valor do site em questão pelo anunciante em função de seus objetivos.
E neste instante acaba de chegar pelo Fale com o Editor do Webinsider uma pergunta do leitor Bruno Maciel:
“- Não encontrei o RSS do Webinsider com artigos completos. É um pouco chato ter que vir até o site do Webinsider quando estou acessando as notícias pelo meu smartphone. Isso faz realmente parte da política do Webinsider? Tentei acessar a versão wap, mas ela é paga”.
Sente o dilema: se o RSS entregar os textos completos para o Bruno ler no smartphone, não vai contar nenhum pageview para o site. Ele não verá nenhum banner, portanto é um leitor que não existe para o anunciante. Também não vai contar mais uma visita para o UOL, etc, etc.
Por outro lado, o desejo dele é legítimo - ler os textos no smartphone é algo que cada vez mais pessoas vão querer. E agora?
Do jeito como são as coisas hoje, se o leitor não entra no site, não aconteceu nada. O Bruno não existe e a fila não anda para o site de conteúdo gratuito baseado em publicidade. Por essas e por outras que o pageview já não dá conta do recado totalmente.
Poderíamos entrar em detalhes, sugerir que o anunciante pense em ações ligadas aos feeds RSS, etc, etc. Mas o anunciante sequer tem uma visão clara sobre visitas, visitantes únicos, valor do leitor de nicho… Está cedo ainda. [Webinsider]
…………………………………………………….
E para explicar ao Bruno: o Webinsider pode ser lido em smartphones e celulares através da Hands. É um serviço pago à Hands, que nos remunera com um valor inexpressivo. Estamos lá não pelo dinheiro, mas porque foi solicitado por alguns leitores.





1° Yalli Oliveira Data: 14/07/2007 às 6:19 pm
Atividade: Webdesinger
Cidade: Natal
Realmente ainda é um pouco chato conversar com o cliente sobre esse tipo de métrica. Ainda mais quando se fala do RSS. Eles sempre querem usuarios visitando o site, a qualquer custo.