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Carreira

A cultura do coitadinho e a miopia da CLT

29 de junho de 2007, 8:05

Opinião: com a nova lei de estágios, o governo se preocupa demais com os direitos dos estudantes e os deveres da empresa, mas esquece de ouvir os jovens, que são os mais interessados na história.

Por Julio Ferst

Não muito distante, fui estudante, e como aluno de universidade particular, pedia e rezava por uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, principalmente remunerado, para obter experiência e algum dinheiro no bolso. Ninguém me ouvia: no mercado, as pessoas pareciam surdas.

Logo depois, já mais experiente, fui professor durante longos anos e iniciei minha carreira de empresário. Como mestre, comecei a falar bastante sobre o assunto e, já como empresário, gerava oportunidades de emprego. Fui pai e continuei falando, agora para meus filhos, com o interesse de transmitir minhas experiências e assim mostrar a eles que, me ouvindo, poderiam transitar neste nosso mundo de uma forma mais tranquila.

E assim, atendendo a um convite para opinar sobre os principais pontos que atingem nosso setor nesta nova lei de estágios, a já famosa PL 993/2007, que tem como principal relatora a deputada Manuela D’Ávila, venho justificar nossas propostas de mudanças, obviamente de forma disciplinada em relação ao que foi construído com nossas competentes assessorias.

Na audiência pública que participei, também estava presente a representante do Ministério Publico do Trabalho, que falou da necessidade de proteger os estagiários de empresários que desviam suas funções, portanto, sendo contratados em desacordo com suas formações, utilizando-os como mão-de-obra barata. Coitadinhos dos estudantes/estagiários.

Logo depois, tivemos a fala do Conselho Estadual da Educação-RS, que pontuou a questão da preocupação em relação à carga horária dos estagiários e suas necessidades de tempo para estudar. A representante mostrou-se muito preocupada em afirmar que estágio é continuidade do ensino e ato pedagógico. Comecei a ouvir, mas confesso que me senti incomodado… não sabia ainda o porquê.

Ao final, foi a vez dos estudantes falarem, entre eles o presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), e depois representantes dos movimentos estudantis. Continuei a ouvir…

Grandes líderes aparecendo… Maravilhoso… E consegui saber porque me sentia incomodado com o que estavam falando, deputados e representantes de entidades: ninguém ouviu estes jovens, ninguém quer ouvir estes jovens.

Eles querem espaço para trabalhar e buscam mercado. Não são coitadinhos. Não estão preocupados com as restrições de carga horária e muito menos querem pessoas fazendo restrições ao seu ingresso no mercado de trabalho.

Dividir oportunidade de trabalho, conquistar a tão exigida experiência e garantir a verba para seus estudos: isso sim é problema deles, e infelizmente, só deles.

Concluí que fazer estas restrições servem apenas para gerar mais uma batalha em torno de uma pseudo-preocupação distante da realidade. Deveriam mesmo é estar preocupados em melhorar o ensino e/ou fiscalizar as condições de trabalho dos jovens, além de criar facilidades para nossos corajosos empresários crescerem e oportunizarem mais espaço.

E a Consolidação das Leis do Trabalho, a também famosa CLT? Pois é, enquanto muitos se preocupam com os coitadinhos dos estagiários e suas cargas horárias, esquecem que quando são contratados pela CLT, portanto oficilizados na empresa com carteira assinada, perdem todos os direitos de estudante, ganham uma grande carga horária de trabalho e ninguém se preocupa com o tempo de estudo.

Não existe nada na CLT que se preocupe com isso. Então, da noite para o dia, passam de coitadinhos para trabalhadores, novos contribuintes de impostos, porém sem tempo para estudar e com cargas horárias ainda mais pesadas. Percebam que nem aos empresários é permitido pagar seus estudos. Até fiscalizam isto e, ainda por cima, autuam nossas empresas. É uma lógica bem complicada e bem cega.

Portanto meus amigos, eu ouvi nossos jovens, concordo com eles e recomendo que nossa posição, como empresários ou como entidade, seja contra mais esta nova lei de estágios. O jovem deve decidir e saber de que forma construir seu futuro e como buscar suas experiências e renda enquanto estudante, já amparado por lei existente sem as recomendatórias e outros artificios restritivos.

Precisamos ser contra esta nova lei, e contra a lei como um todo, não apenas contra alguns ítens, precisamos ser contra esta e todas as lei que impedem nosso crescimento como setor. [Webinsider]

Sobre o autor

Julio Ferst (assecom@cpovo.net) é Diretor Superintendente da Assespro-RS.

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Comentários

16 pessoas comentaram o artigo "A cultura do coitadinho e a miopia da CLT"

Igor Escobar Data: 29/06/2007 às 9:25 am

Atividade: Coordenador de Desenvolvimento Web

Cidade: São José dos Campos

Corrigindo:
Parabens por sua matéria Julio, é de muito bom gosto e conteúdo.

Parabens mais uma vez.

Sorry ^^

Mark de Souza Costa Data: 29/06/2007 às 10:15 am

Atividade: Desenvolvedor Web

Cidade: São José dos Campos

Eu ainda não consegui ver nenhum modelo de trabalho “agradável” para empregador e empregados.

CLT - dá uma certa segurança para o empregado e uma estabilidade tanto para o empregado como para o empregador. O problema são as taxas. CLT é quase um delírio. O êxtase dos impostos do Brasil.

PJ - Na minha opnião, é uma distorção de um conceito de “empresa” utilizado para contornar os problemas da CLT. As vantagens são “sslários” um pouco maiores e a “liberdade” de tempo. Liberdade é uma palavra interessante aqui, porque nunca vi ninguém tão preso ao trabalho quanto um PJ. Para os “empregadores” é algo um tanto desconfortável, manter um exército de PJs (será que amanhã eles vão embora?).

Estágio - o estágio é quase uma fusão de PJ com CLT. Possuem um horário e um “salário” fixo por mês como na CLT e não possuem vínculos contratuais fortes com o empregador, assim como no PJ.

Autônomos e freelancers - kamikazes.

Essa é minha visão (pobre acredito) de empregado diante de um mercado de trabalho que acredtio que seja pouco pensado e pouco elaborado. De um lado, temos empregados com pouca voz e com pouca liberdade de expressão (não tá satisfeito, vá procurar outra empresa), de outro lado, temos empresários sem coragem (ou sem poder) de mudar o cenário deste mercado, e finalmente, temos políticos românticos e burocráticos que tentam dar alguma ordem (ou seria caos) a tudo isso.

Concordo com o Julio, somente ouvindo todas as partes é que iremos conseguir chegar a um denominador comum.

Ótimo tema Julio.

Eduardo Data: 29/06/2007 às 10:20 am

Atividade:

Cidade:

Interessante, mas o que eu vejo no mercado são empresas querendo estagiários com experiência. CANSEI de ver estagiário de informática com x anos de experiência em linux ou x anos de experiência em desenvolvimento…

Desculpe, mas estagiário com experiência, é mão de obra barata.

Agora, quanto a carga horário eu concordo. Acho que temos de nos preocupar com o ensino e deixar que os estudantes (eu inclusive) procuremos aquilo que melhor nos atende.

Leandro Godoy Data: 29/06/2007 às 2:24 pm

Atividade: Analista de TI

Cidade: Porto alegre

Eu queria que comentasse mai aspectos relativos a Lei …
O que ela se propoe?
O que implica?
Quais ospossiveis impactos para o empregador e para o estagiario!!

Abraços

Cláudio Alfonso Data: 29/06/2007 às 4:27 pm

Atividade: Informática

Cidade: Belém

Eu vejo muito desses comentários sobre o quanto a CLT atrapalha o mercado, etc, etc… Mas o que vejo como trabalhador é diferente! Pelo meus anos de trabalho vejo que a maioria dos empresário querem é mão-de-obra barata de qualquer maneira, se possível passando por cima dos direitos dos trabalhadores. O discurso da necessária modernização da CLT serve de desculpa para pressionar ainda mais a gente! O que vejo é assim:
- O estado explora o trabalhador e o empresário
- o empresário explora o trabalhador
- o trabalhador sustenta dois patrões!!
Mas pelo menos o estado dá alguma garantia social, enquanto o empresário não!

Virgínia Data: 29/06/2007 às 6:00 pm

Atividade:

Cidade:

Isso é quando trabalhamos com CLT, hoje em dia a maioria das empresas contrata prestadores de serviço
sem assinar carteira, mesmo que vc permaneça na empresa por alguns anos, não tem direito aos benefícios. Sou formada a menos de um ano e hoje trabalho contratada como “estágio técnico para recém formado”, acredito que seja mais uma forma de se contratar um profissional sem pagar impostos. Ou esses impostos mudam ou o esquema da CLT se reinventa, ou teremos uma crise maior das relações de trabalho no Brasil.

Iaron Simis Data: 01/07/2007 às 3:11 pm

Atividade:

Cidade:

A maioria das empresas querem estagiários com experiência na área. Paradoxo? Não! Sobrevivência.

De um lado, estão as empresas, sufocadas com cargas tributárias altíssimas para manter um funcionário e sua empresa. Aí sim está a raiz do problema, onde deve ser mudado.

Acaba sendo muito mais vantajoso para uma empresa ter um estagiário experiente que um contratado com experiência, técnico-financeiramente falando.

Pergunto-me se estes empregadores já viram a definição da palavra “estágio” no dicionário.

Você já viu?

Ronaldo Pereira Data: 01/07/2007 às 5:42 pm

Atividade: Designer de Interfaces

Cidade: São Paulo

Essa lei tem seu lado negativo e seu lado positivo, eu analiso, o aspecto positivo se manifesta na garantia de que o empregador não vá explorar o “estagiário-faz-tudo” na tentativa de economizar na mão de obra. Já vi N empresas que fazem isso, contratam um estagiário, pagam um salário de merda, e ele trabalhar 8 horas por dia (ou mais). Achar que isso é benéfico e que engrandece o jovem, é um ato de egoísmo e burrice (bem típico de muitos empresários)e eu acho sim que deve ter algum tipo de resguardo.

A CLT? bem.. se você trabalhar registrado, ótimo pra você. Senão, boa sorte..

Leandro Dorneles Data: 02/07/2007 às 8:44 am

Atividade:

Cidade: Santo Ângelo

Eu concordo com o Sr. Iaron Simis: Alguém sabe exatamente o significado da palavra “estágio”?

Pois é, quer dizer “aprendizagem”… Acho que é necessário dividir este estágio em partes para adotar esta ou aquela opinião a respeito.

Existe o estágio a nível de 2º grau que, acredito, deve sim ser resguardado, pois é direcionado para experiência profissional, sem nenhum fim pedagógico (não obrigatório). Já no caso de estágio a nível de 3º grau, deveria (de posse da teoria) ser objeto de observação por parte dos alunos, das práticas, a fim de retornar a sala de aula e discutir estas teorias, gerando assim novos conhecimentos (cientistas, vide dicionário, nacionais?)!

Como os objetivos das partes envolvidas no estágio raramente são os mesmos, o resultado é esse: Bacharéis trabalhando em qualquer função, mas felizes por ter um emprego; empresas contentes por ter profissionais de alto nível nos mais baixos escalões (e com um custo baixo); e instituições de ensino surgindo a cada dia para gerar mão-de-obra qualificada buscando suprir este mercado equivocado.

O estágio, portanto, na minha opinião, deve ser ressignificado ou os jovens devem buscar cursos profissionalizantes, para serem preparados para o mercado de trabalho, de fato, entendendo assim, que as principais funções do ensino superior são o ensino, a pesquisa e a extensão.

10° Marcio Data: 02/07/2007 às 10:53 am

Atividade: Estratégia Empresarial

Cidade: Brasília

Caro Ronaldo Pereira,

o “aspecto positivo” desta lei realmente vai fazer com que os estagiários não sejam mais explorados, uma vez que acabará com eles.

Não haverá mais vantagem em contratar estagiários, já que estes custarão quase o equivalente a um profissional do mercado.

Concordo que as funções são desviadas e que a carga horária por vezes é maior do que deveria, no entanto a forma de corrigir este fato é através da fiscalização e, para isso, não é necessária nova lei, basta aplicar a que aí está.

11° anonimo Data: 03/07/2007 às 11:49 am

Atividade: designer / desenvolvedor / empresario

Cidade:

Pelo menos no que diz respeito à minha área de atuação, essa idéia foi muito tardia.

Contratar estagiários no brasil significa utilizar mão de obra barata. Muito bonito no papel, na hora do discurso, mas uma vergonha para aqueles que se sujeitam e para alguns que tem algum caráter na hora de contratar e dispensar.

A idéia agora é trabalhar por conta própria, incluir na hora técnica de trabalho todas as despezas, incluindo aquelas que muitas empresas negam para milhares de sub-empregados. O mercado freelancer ainda não despontou no Brasil mas, tenha certeza, está chegando a hora.

12° Sergio Postarek Data: 03/07/2007 às 8:04 pm

Atividade: Empresário

Cidade: Rio de Janeiro

As leis brasileiras são populistas, feitas para beneficiar apenas os “coitadinhos” dos trabalhadores, e sacrificando quem gera emprego.

Existe uma cultura de que as empresas tem um caixa infinito, que o dinheiro simplesmente brota do chão para pagar benefícios de “direito”, esquecendo que antes de mais nada é preciso mostrar serviço. E o que mais e vê por aí são “coitadinhos” cheios de direitos e poucas obrigações.

Se as empresas pagassem menos impostos, teriam a capacidade de abrir mais vagas e oferecer mais benefícios. Porque para cada benefício dado ao funcionário, a empresa não recebe um do governo? Ou então, porque o governo não paga logo os benefícios do funcionário, deixando as empresas livres de encargos?

A CLT é tão absurda que parece ter sido criada por incompetentes para proteger incompetentes, dando uma falsa sensação de estabilidade ao funcionário e assustando cada vez mais o empresário que tem que rebolar todo dia, muitas vezes optando por formas de pagamento irregulares, simplesmente para conseguir manter o seu negócio funcionando.

13° Andrea Melo Data: 04/07/2007 às 1:43 am

Atividade:

Cidade:

O pior problema é a quantidade de impostos (inúteis) que se paga nesse país. Pra empregar alguém em sua empresa, nem se fala.

Quanto a CLT, acho muito útil alguns de seus aspectos, por exemplo, no que diz respeito à certos direitos e garantias que provocam até suicídio no JaPao e nos EUA (esse, diga-se de passagem, mulher gravida é demitida e pronto, sem licença alguma).

Tudo feito a toque de caixa, uma coisa pra dar um ´jeitinho´ ali ou outro aqui, que só gera um CIRCULO VICIOSO em tudo quanto é área desse país.

14° LAF Data: 12/11/2007 às 9:29 pm

Atividade:

Cidade:

Sr. Sérgio Postarek (coment 12º):

Entendo que a situação em geral não é boa para nenhum dos lados. Também acho que quem se sobressai por sua competência (sendo empresário ou empregado) terá sua posição de destaque resguardada em sua área de atuação, mesmo em contextos desfavoráveis.

No mais, esse discursinho “chavão” do “SUPER-HERÓI EMPRESÁRIO, GERADOR DE EMPREGOS, SOFREDOR, EXPLORADO, ETC, ETC, ETC” já deu o que tinha que dar.

Se é tão sofrida a vida de “empresário”, basta fechar ou vender a empresa e procurar emprego. Simples assim. Que tal experimentar ser empregado ?? Quantos dos empresários sofredores e explorados deste Brasil, país que tanto prejudica quem “realmente produz”, se submeteriam a ser “empregados”, deixando de ser “patrões” ???

15° Sergio Postarek Data: 02/06/2008 às 4:38 pm

Atividade:

Cidade:

Em resposta ao comentário 14, devolvo a mesma pergunta só que ao contrário. Já que os empregados acham que a vida de empresário é um mar de rosas, porque não abrem seus próprios negócios e ficam ricos da noite para o dia?

Sabemos que a coisa não funciona bem assim, não é mesmo? Mas entendo seu ponto de vista.

Já fui empregado por muitos anos e a zona de conforto simplesmente não me atraia mais. Me tornei empresário não apenas pelo desafio mas principalmente pela possibilidade de ganhos muito maiores do que eu teria como empregado.

Os empregados, em sua maioria, não têm a mesma tolerância ao risco e preferem a zona de conforto. Então porque dar a eles todos os bônus e deixar o empresário apenas como os ônus se o risco é todo do empresário? O empresário tem que ter lucro. Afina esse é ou não é o objetivo principal de qualquer empresa não-filantrópica?

16° LAF Data: 01/07/2008 às 8:02 pm

Atividade:

Cidade:

Concordo !!

O objetivo maior dos empresários é o lucro, o maior possível !! Esses magnânimos brasileiros possibilitam o que comer a um monte de coitados que não tem aonde cair mortos e vivem sendo perseguidos pelo “sistema”. Querem empreender, produzir, maximizar lucros, minimizar despesas, etc… aí, vem essa babaquice de “direitos trabalhistas” querendo atrapalhar tudo !!
Ora, além de dar emprego e possibilitar o que comer aos empregados e seus agregados, o heróico empresário ainda tem que se preocupar em pagar os salários em dia, respeitar limites de jornada de trabalho, fornecer equipamentos de segurança, recolher FGTS, etc…
Ah, como seria bom poder comandar a “peãozada” sem precisar se precupar com essas baboseiras todas, não é Sr. Sérgio ?? Como seria bom poder gerir a empresa com base na idéia de que “comigo é assim, se quiser ótimo, se não quiser tem quem queira”, ou então “aqui mando eu, não fez do meu jeito o pau comeu”.

É isso aí, Sr. Sérgio: essa cambada de vagabundos ganha emprego, se instala numa cômoda (??), rentável (??) e estável (??) “zona de conforto”, fica se aproveitando do suor e brilhantismo intelecutal/gerencial/estratégico dos empresários e ainda vem se escorar nessa babaquice chamada “direitos trabalhistas” !! O Sr. me convenceu; é REVOLTANTE !!!!!

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