Planeje suas férias na web. É o mochilão 2.0
21 de junho de 2007, 9:37Nosso amigo acha que dá para organizar (quase) tudo na web e evitar surpresas desagradáveis, além de fazer contatos e saber as melhores dicas com antecedência. Confira o roteiro e veja como ele fez desde o início.
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Tirar férias é um momento único, quase mágico. Depois de cinco anos de labuta diária, finalmente chegou a minha vez. Serão 25 dias sem e-mail, sem MS-Project e podendo dizer “alô” ao atender o telefone, em vez de dizer “Empresa, Fulano”.
Porém, como todo ser dependente do meio digital, percebi que até para isso a web pode ser utilizada de um jeito bem prático, criando uma arte de mochilar na web 2.0.
O uso do Google dispensa maiores explicações, obviamente para consulta de destinos e qualquer necessidade adicional de informação. Mas, nem só de busca vive um mochileiro, alguns outros websites foram extremamente importantes.
Primeiro passo foi organizar os dias disponíveis com os destinos desejados; viajando na altíssima temporada, todo planejamento prévio é necessário para não ter que passar as noites dormindo em estações de trem.
O plano de viagem foi feito no Google Docs & Spreadsheets; desisti de usar o MS-Project pois precisava de uma ferramenta que me permitisse editar o conteúdo em casa, na agência ou em qualquer lugar onde houvesse o mínimo de tempo disponível.
Conclusão, acabei me rendendo aos cronogramas pintados em células de uma planilha. Na spreadsheet do Google Docs, foi possível detalhar dia a dia quais as cidades, hospedagens, listar vôos e organizar a lista de viagens. Na versão DOC da ferramenta, estão listados todos os locais para visitar, incluindo fotos com links para sites com informações adicionais.

Organizados os destinos, é hora de buscar transportes e vôos internos. Havia a possibilidade de efetuar a busca e compra diretamente pelos sites das empresas aéreas, como a Ryanair, mas decidi concentrar a compra em uma agência virtual, supostamente especializada.
A experiência demonstrou que nem tudo são flores, foi uma péssima idéia. A agência virtual oferecia vôos que não existem - claro que só descobri depois de fechar o pedido e o atendente de telemarketing avisar que, embora tenha no site, eles não trabalhavam com a empresa aérea X.
Três semanas, cinco e-mails e doze telefonemas até conseguirem emitir um bilhete eletrônico (errado), momento em que se fez necessário a ameaça de dar uma ‘carteirada’ junto ao diretor da empresa para fazer o mundo “real” funcionar.
Com tamanha confusão, me rendi ao telefone e e-mail, sendo extremamente bem atendido por uma agência com um website extremamente simplório, mas fica a lição: mais vale uma carta que me responda do que um e-mail que me confunda. Atendimento ainda é tudo.
Hospedagem foi o próximo passo, com os destinos traçados e pouco dinheiro no bolso, recorri aos bons e velhos backpackers, dividindo acomodação com outros 11 estranhos na mesma situação que eu. Acho que é a vantagem de ainda não ter 30 anos. Ao procurá-los, me surpreendi positivamente com a inimaginável estrutura montada para este tipo de serviço na Europa e no mundo.
Sites como o HostelsClub e o HostelWorld oferecem a busca por diferentes tipos de acomodação. Permitem checar a disponibilidade para as datas pretendidas e efetuar a reserva online, usando o cartão de crédito. A confirmação é feita por e-mail do sistema, e-mail do backpacker e até via SMS!
Claro que encontrar um bom lugar pra ficar, perto dos principais pontos turísticos e estações de metrô, é tarefa para a dupla GoogleMaps-GoogleEarth. No Google Maps é possível criar mapas personalizados, com indicações de locais diferenciados por ícones. Isto facilita muito quando o tempo é escasso e tem-se que planejar muito bem que lugares visitar em quais dias.
O Google Earth, por sua vez, além de apresentar com mais detalhes a visão aérea dos locais (embora o Maps já permita inclusive um híbrido entre mapa e visão de satélite), possui uma integração com o website Panoramio, recentemente adquirido pela Google, que possibilita incluir fotos de locais, indicando no Google Earth suas coordenadas geográficas. O resultado é um conjunto de imagens de todos os pontos turísticos que me familiarizam com o ambiente antes mesmo do desembarque.
Como para qualquer decisão de compra, vale muito o poder do boca-a-boca e da opinião de amigos e conhecidos. Com relação aos backpacker, todos estes sites citados acima também apresentam relatos de outras pessoas que se hospedaram em cada opção, dando uma clara idéia do que esperar.
Por exemplo, desisti de um backpacker em Veneza após os nove relatos sobre o luminoso de um restaurante, voltado para a janela do quarto masculino, que impossibilitava qualquer noite tranqüila de sono. E para uma informação mais “pessoal”, o Orkut caiu como uma luva, tanto para aumentar o networking em comunidades como “Estou indo pra Madrid” ou “Brasileiros em Roma”, como também para descobrir que uma grande amiga da época de faculdade está morando em Barcelona; scrap vai, scrap vem, retomamos contato, trocamos informações e “Ludmila, chego aí dia 11!”.
Mas viajar também significa conhecer pessoas novas. O MapMyName nasceu de forma um pouco pretensiosa, identificar todas as pessoas que usam internet no mundo e suas localizações geográficas. Devaneios à parte, sua utilidade em encontrar pessoas que supostamente se localizam próximo aos locais onde vou passar foi até divertida.
O funcionamento do MapMyName é um misto de rede social com sistema geográfico (”Orkut + Google Maps”), permitindo que os cadastrados identifiquem sua localização e incluindo, se desejarem, uma URL para contato. Algumas novas amizades já foram formadas antes mesmo de meu primeiro check-in.
Se a saudade da família apertar, todos os backpackers possuem internet banda larga de graça com os bons e conhecidos MSN Messenger e Skype instalados. Mesmo que o fuso horário ou as festas da Catalunha não permitam, o pessoal vai poder acompanhar as desventuras através de um blog. O meu ainda vai ser feito, mas confesso que a idéia veio de um colega de trabalho que passou 20 dias pedalando no Caminho de Santiago.
Seu blog virou um diário de bordo e as mensagens recebidas do Brasil serviram para dar aquela força.
Certo, tive que ouvir muito “tinha que ser gerente de projeto” ou “como você é nerd” quando fui compartilhar toda essa parafernália digital com amigos. Todas as críticas, entretanto, acompanhadas de um “como é que você fez mesmo?” [Webinsider]


1° Monthiel Data: 21/06/2007 às 9:49 am
Atividade: Blogueiro
Cidade: Sao paulo
Olá,
Cara, curti bastante o seu artigo. Causa um pouco de “inveja” é verdade, mas foi bom para imaginar o quanto deve ser bom fazer um “rolê” desses. Afinal, são dois anos sem férias, e mesmo que as tivesse hoje, o dinheiro para ir para casa de busão está faltando…
Abraços