Editor na web? Pra quê?
18 de junho de 2007, 22:35Com tanto conteúdo "jogado" pelo usuário, você acredita que o trabalho de edição está em extinção?
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Quer mexer com os brios da web? Levante a bola da utilidade. Nos dias que correm, da Web 2.0 e a suspeitíssima enxurrada de conteúdo gerado pelo usuário, a questão é delicada.
Fato é que ninguém sabe se o que paira sobre a Rede irá mexer realmente com o dia-a-dia de todos. Com grande parte dos leitores deste ‘Webinsider’, é óbvio que mexe, e já há algum tempo. E na rotina da minha irmã, do seu sobrinho e do filho do vizinho? Ninguém sabe se será um furacão ou uma brisa, apenas. E como nem sempre novidade rima com utilidade (pasmem!), o fiel da balança acaba sendo o tempo.
Não só o que é novo passa por esse “moedor de carne” - algumas tradições também são postas a xeque na web. O papel do editor, por exemplo. Bastião de outras mídias, ele agora é questionado. Afinal, se qualquer um pode publicar qualquer coisa na maior tranqüilidade e sem filtro, por que é preciso alguém para arrumar e polir o que foi produzido?
Há quem esteja indo contra a corrente. Este mês foi lançado nos EUA o livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet is Killing Our Culture” (em português, “O Culto ao Amador: Como a Internet de Hoje está Matando Nossa Cultura”). O autor, o americano Andrew Keen, pergunta aos leitores: “você deseja uma mídia sem editores?”
Keen é bastante xiita em seus argumentos, mas vale como voz dissonante em meio a um mar de convicções mal embasadas, e que tem produzido o que eu chamo de “conteúdo jogado pelo Usuário” e ele de “user-generated nonsense” (algo como “tolices geradas pelo usuário”).
O editor - seja de um veículo jornalístico ou não - é aquele que tem a palavra final da experiência para amarrar pontas, cortar sobras e corrigir imprecisões. Na web, em que a informação vai além do texto e multiplica-se em vídeos, músicas, podcasts, imagens e por aí vai, o editor é aquele que arruma a “bagunça” para que os usuários encontrem o que é realmente relevante, interessante e – voltamos ao início – útil.
Em entrevista à edição de junho da revista “Bloggers & Podcasters”, Andrew Keen explica porque defende a figura do editor. “O motivo pelo qual eu não publicaria meu livro direto em meu blog”, diz ele, “é porque eu preciso da figura de um editor, é ele que faz meu amadorismo funcionar, e me faz escrever textos mais densos e coerentes”.
Eu fecho com o autor, já que arregaço as mangas sempre que necessário – afinal, alguém já viu um quarto de adolescente que não precise de uma “mãozinha” dos pais de vez em quando? ;-)
E você, acredita mesmo que o editor está em extinção? [Webinsider]
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Em 3 de julho inicio mais uma edição de meu curso “Webwriting e Arquitetura da Informação” no Rio de Janeiro. Serão cinco terças-feiras seguidas, sempre à noite. Para mais informações, é só ligar para 0xx 21 21023200 e falar com Cursos de Extensão, ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br.
E para quem é de São Paulo, aguarde novidades para agosto!
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1° Cadu de Castro Alves Data: 18/06/2007 às 11:50 pm
Atividade: Desenvolvedor Web
Cidade: Rio de Janeiro
“O motivo pelo qual eu não publicaria meu livro direto em meu blog é porque eu preciso da figura de um editor, é ele que faz meu amadorismo funcionar, e me faz escrever textos mais densos e coerentes”.
Faltou ele dizer que isso é importante para que o livro dele venda. E essa é a principal diferença.
Vocês acham que um livro recheado de erros de grafia, concordância e outras normas da língua, seja ela qual for, poderia fazer sucesso, se tornar best-seller (embora eu acredite que, na maioria das vezes, isso é jogada de marketing)?
Na web, o conteúdo gerado pelo usuário é gratuito: os vídeos do YouTube, as notícias no Digg, os textos dos blogs, e por aí vai. E é aí que está a graça da coisa.
Imaginem editores controlando os vídeos do YouTube? Provavelmente muitas batalhas judiciais teriam sido evitadas. Será que a Daniela Cicarelli teria conseguido ficar tão exposta na mídia?
No Digg, os próprios usuários são os editores. Ainda assim, eles ajudaram a promover o código de proteção que permite a quebra de DRM do Blue-Ray e HD-DVD.
E os blogs? O que dizer deles? Provavelmente, a Bruna Surfistinha ainda estaria trabalhando na esquina. Filme pornô dela só se ela filmasse e mandasse pro PornoTube. Ainda assim ela seria uma mera desconhecida.
Enfim, na Web, os editores somos nós. Nós fazemos a web. Nós publicamos, nós controlamos, nós fazemos praticamente tudo. É só nos dar as ferramentas para tal.