Webinsider

Carreira - Relacionamento

Profissional de TI não é suporte técnico

05 de junho de 2007, 15:35

O conceito de inovação passa longe dos departamentos de tecnologia, onde a velha rixa entre marketing e técnicos chega ao auge com burocracias, reuniões e exigências que travam novos projetos de comunicação.

Por JC Rodrigues

A difícil convivência entre o planejamento de marketing digital e a área de tecnologia da informação é uma realidade.

Por um lado, temos a área cliente - Marketing e Comunicação - cujo objetivo é (ou deveria ser) propor novas ações, inusitadas, diferentes, que nunca foram feitas e, justamente por isso, com alto risco. Pelo outro lado, generalizando, uma área de tecnologia cuja preocupação está na estabilidade e segurança do sistema.

É verdade que algumas empresas possuem uma área de TI muito mais integrada à realidade do negócio, com profissionais híbridos, que tenham visão comercial no sentido mais amplo da palavra. A grande maioria, contudo, mantém o setor de TI que mais se parece com um “suporte técnico”, em vez de lidar efetivamente com gerenciamento da tecnologia de informação.

E são nessas empresas onde podemos encontrar imensas dificuldades na implementação de projetos que visem um melhor atendimento ao cliente.

Historicamente, a web é a união destes dois mundos, o tecnológico e o mercadológico, onde idéias e ações devem ser planejadas e consideradas tendo como base as possibilidades ou limitações do ambiente.

No final das contas, entretanto, deve prevalecer a vontade e satisfação dos usuários ou dos clientes. Desta forma, o front-end determina o back-end.

Esta última frase ilustra a hierarquia de como os processos e projetos online deveriam funcionar em uma empresa. É triste ver grandes idéias e ações indo por água abaixo porque o processo de registro de uma URL leva 30 dias.

Ou porque a simples inclusão de um campo em uma base de dados requer assinaturas (sim, em papel) do board diretivo de TI, que se reúne a cada 40 dias para analisar 15 documentos explicando o que é aquele campo, por que ele deve existir e por que essa área de marketing fica inventando coisa se “quando alguém clica, carrega o site”.

O pensamento “se está funcionando não mexa, não faça nada” não condiz com a realidade de mercado e muito menos com as expectativas de um público cada vez mais ávido por novidades e por algo que efetivamente os tire do lugar comum.

A propaganda está tão intrínseca no mundo que acaba passando despercebida. É a mesma lógica com a qual consumimos ‘mais 14 mortes’ na TV. A propaganda cada vez menos irá convencer alguém, o segredo é interagir, é quebrar sua expectativa, inovar. E “inovar” é um conceito que passa longe da maioria das áreas de TI (aquelas que se assemelham a “suporte técnico”, claro) sobretudo porque algo novo pressupõe riscos novos… e novas preocupações em algo que, como dirão, já está funcionando.

É claro que deve existir preocupação com a segurança e estabilidade do ambiente que suportará a ação de comunicação, quanto à isto não há discussão. Estas preocupações, entretanto, devem ser classificadas de acordo com o nível crítico do problema.

Da mesma forma, a infra-estrutura deve ser flexível o suficiente para acomodar, num relativo curto espaço de tempo, mudanças ou upgrades necessários para que seja possível realizar ações diferenciadas.

Então, onde está o pulo-do-gato nas empresas que possuem agilidade compatível com o esperado pelo mercado de hoje? Em dois principais comportamentos: pró-atividade e foco no cliente.

Pró-atividade no sentido de colocar a área de TI para vivenciar o mundo real, estar ao lado das áreas-cliente e compreender suas necessidades e peculiaridades, para otimizar processos e viablizar ações. Ao contrário de hoje, quando criam barreiras e procedimentos que atravancam a implementação de uma idéia.

O foco no cliente, diretriz que deveria conduzir toda a empresa (do presidente à “tia do café”) também se aplica à TI. De que forma a tecnologia pode colaborar para que os clientes sejam melhor atendidos, fiquem mais satisfeitos e sigam comprando seus produtos?

Ninguém está pedindo para que o CIO tire férias e deixe a chave do DataCenter com o estagiário de comunicação, mas muitas áreas de TI precisam acordar à realidade de que Deus só fez o mundo em dias porque não teve que esperar 40 para que a palavra “luz” fosse submetida ao conselho angelical. [Webinsider]

Sobre o autor

JC Rodrigues (contato@jcrodrigues.com.br) é publicitário, pós-graduado em Tecnologia Internet, professor na ESPM e gerente de projetos em digital media da The Walt Disney Company. Possui um site.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ produtos ] [ formação profissional ] [ contratos ] [ briefing ] [ trabalho a distância ]

Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "Profissional de TI não é suporte técnico"

Henrique Data: 05/06/2007 às 3:44 pm

Atividade:

Cidade:

“onde está o pulo-do-gato nas empresas que possuem agilidade compatível com o esperado pelo mercado de hoje?”

Eu diria que as empresas que conseguem dar o pulo-do-gato hoje em dia são pequenas menores com profissionais que lidam com áreas diversas simultaneamente, ou até em empresas maiores, mas mais flexíveis com relação à hierarquia e modo de atuação.

Vinicius Serpa Data: 06/06/2007 às 12:31 pm

Atividade:

Cidade:

“mas muitas áreas de TI precisam acordar à realidade de que Deus só fez o mundo em dias porque não teve que esperar 40 para que a palavra “luz” fosse submetida ao conselho angelical.”

Concordo com o ponto de vista de que os deptos de TI são muito mais orientados ao suporte do que à inovação, porém a mente humana é limitada em relação ao volume de informação e sem apoio de procedimentos e catalogações não consegue manter os sistemas. Quem não é de TI muitas vezes não consegue enchergar que quando um sistema cresce, esse crescimento se dá de maneira exponencial e a complexibilidade aumenta drasticamente.

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Outrolado.com.br

Leia

Experiência do usuário na criação de softwareNão tem importância se o sistema é desenvolvido em .Net, Ajax, Java, Flex ou qualquer outro. A qualidade e a satisfação em interagir com o produto é que faz toda a diferença. Por Fabio Terracini

A arte de unir campanhas online e offlineComunicação integrada entre mídias durante uma campanha não é tarefa fácil, mas vontade de aprender uma nova linguagem é o começo de tudo. Resultado deve ter identidade em todos os ambientes. Por JC Rodrigues

Criatividade ao máximo na Imagine Cup BrasilCopa do Mundo da Computação quebra a hegemonia de São Paulo, revela mínima diferença de pontos entre vencedores e coloca novamente o Nordeste em destaque no setor. Confira relato de um finalista. Por André Furtado

Juliano Spyer

Blogs são pauta, mas não fazem notíciaOpinião: ainda falta muito para o amadurecimento do blog como mídia, porque nem todo mundo entende que a ferramenta pode se incorporar ao debate diário de cidadania e responsabilidade. Por Juliano Spyer

Planejar vem antes de uma boa idéia (parte 2)Antes de criar um website, é preciso definir o perfil de usuário a alcançar. Para isso, você tem que definir critérios e entender os hábitos de uso, demografia, know-how e outros fatores. Por Daniel Rodrigo Bastreghi

Educação e publicidade, o futuro do podcastJá tem gente aproveitando bem demais as possibilidades didáticas e publicitárias que o podcast oferece, mas as oportunidades de negócios não param por aí. Você já tem o seu? Por Gabriela Simionato Klein

Você sabe o que é um Community Evangelist?Líder em comunidades, consumidor, cliente, porta-voz informal, representante, divulgador. O evangelista corporativo precisa ser um pouco de tudo, sem perder o foco no público-alvo e com olho no futuro. Por Diego Cox

Se é web 2.0, trabalhe para pessoas 2.0Quando a internet vira rotina, é hora de conhecer formatos alternativos para redação e comunicação. Bluetooth, SMS, painel digital, sensores… tudo que deixa a internet – e o computador – de fora. Por Maira Costa

Por que você não está vendendo nada na internet?Calma, não é spam. Mas se você tem um negócio e não consegue fazê-lo lucrativo na internet, então algo está errado. Por Renato Fridschtein

Cuidado com o papo de vendedor em TIA conquista de novos clientes é o que nos mantém no mercado, mas é preciso cautela com o excesso de marketing neste setor tão crucial às empresas. Nem sempre o mais caro é melhor. Por Miguel Ruiz

Dirigir filmes online é igual a offline?É preciso dinheiro para as campanhas, mas sobretudo vontade de abraçar novas tecnologias e de aprender. É a vida de quem quer dirigir filmes na web. Por César Netto

Webinsider