LCD de alta definição é realidade no Brasil
21 de maio de 2007, 9:18Fabricantes reduzem preços e lançam novos modelos que reproduzem sinal de 1080p. Entenda antes de investir, porque transmissões em HD são raridade e o Brasil ainda nem sonha em TV digital.
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Com preços agressivos, finalmente as principais companhias começaram a vender telas de cristal líquido (LCD) no que eles chamam de “full HD”, a badalada alta definição completa ou plena. É importante saber até onde isso influencia na performance do seu home theater antes de investir pesado na compra.
Os novos displays em full HD trabalham com 1080p, diferente dos modelos atuais que podem reproduzir até 1080i. O ‘p’ é de progressivo, enquanto o ‘i’ vem de interlaçado (interlaced). Na prática, o olho da gente nem consegue perceber a diferença. Tanto é que, oficialmente, alta definição é considerada até 1080i ou 720p. Acima disso (esses novos modelos de 1080p) são tratados como a alta definição plena.
Para definir melhor, entenda que 1080p equivale a 1920 x 1080 pixels de resolução. Acontece que 1080i também usa a mesma resolução, mas o modo interlaçado, teoricamente, não tem uma qualidade tão boa quanto o modo progressivo. Já as telas de 720p mostram a imagem com 1280 x 720 pixels, também alta definição de verdade.
A evolução para telas de alta definição “plena” (1080p) é necessária e é uma conseqüência lógica da evolução da tecnologia. É também uma entrada mais do que bem-vinda no mercado de TVs e monitores. Contudo, diante da incipiência de conhecimentos que domina a área, você pode terminar comprando um produto que não precisa.
Até recentemente, era impensável investir num display LCD de 1080p ou até mesmo 1080i nativos por causa do preço que girava em torno de R$ 50 mil. Com a entrada desses novos modelos que as fabricantes começam a anunciar, a faixa desceu para valores entre R$ 7 mil a R$ 13 mil, uma barganha para modelos de 1080p.
Somente a Sony ainda insiste num modelo LCD de 52 polegadas a R$ 40 mil, mas isso provavelmente deve mudar face à concorrência.
Características dos modelos 1080p
Embora quase não exista sinal de 1080p sendo transmitido, o fato de que esses monitores são capazes de trabalhar com 1080p significa que nenhum sinal de entrada em alta definição precisará de qualquer tipo de processamento interno mais complexo, porque a tela é teoricamente capaz de aceitar qualquer coisa abaixo disso (1080i, 720p, 768p) com pouca ou nenhuma conversão de padrões.
Há pouco uso de 1080p no broadcasting por causa da necessidade de largura de banda necessária para a transmissão: tecnicamente, é quase inviável.
Além disso, pesquisas dentro das emissoras têm demonstrado que a alta definição em 720p é mais do que suficiente para a grossa maioria das transmissões. Mesmo no caso dos vídeos em mídia do tipo Blu-ray ou HD-DVD (leia ao lado), 1080p é extremamente demandante em cima do processador dos aparelhos de reprodução e ainda deve ficar sem uso por um bom tempo.
O sinal de 1080p é tecnicamente “possível” (e previsto) nos discos Blu-ray e HD-DVD, mas o que se encontra mesmo, quase sempre, é 1080i ou 720p. Lembre-se que isso já é oficialmente alta definição. Na realidade, muitos discos Blu-ray ainda são fabricados usando vídeos em MPEG-2, que é um codec notoriamente ineficiente.
E se minha tela atual não tem tudo isso, eu não posso ver alta definição?
Claro que pode. Até mesmo uma EDTV (displays com apenas 480 a 576 linhas de definição, muito comum para telas de plasma) é capaz de aceitar sinais de HDTV com resolução razoável. E se um display tem 720 linhas de resolução, que é o caso de todos os monitores WXGA (1280 x 768p) e acima, a reprodução de sinais HD é quase tão boa quanto em resolução plena.
É preciso notar que, mais importante do que o número de pixels e linhas de resolução na tela, é a maneira como o sinal de vídeo que entra na TV é processado.
É em função do processador interno, que varia de versão a cada modelo, que um display mais modesto pode ter performance superior a outro com mais pixels na tela.
Com 1080p na tela, eu posso ver o quê? No momento, praticamente nada. A realidade brasileira (e também, de certa forma, a do resto do planeta) vem excluindo, por motivos meramente técnicos, a geração e distribuição de sinal em 1080p.
Os formatos oficiais de alta resolução (HDTV) são, respectivamente, 1080i e 720p. Entre os dois sinais, a diferença de qualidade é mínima, quase imperceptível, mas o uso de um ou de outro depende das aplicações dentro dos estúdios. No broadcasting, passa quase que transparente para o usuário final.
Note que o Brasil ainda não entrou corretamente na era da TV digital ou da TV de alta definição (HDTV). Aqui, por enquanto, o único formato potencialmente usável para alta definição é o de disco, seja Blu-ray ou HD-DVD.
Infelizmente, até o momento, não há indícios de discos (mídia) fabricados no país em qualquer dos dois formatos. Além disso, a prevalência de um formato sobre o outro continua nebulosa e alguns fabricantes estão tentando apagar o incêndio fornecendo reprodutores para tocar ambos os formatos. Manda o bom senso: esperar para ver o que vai acontecer para normalizar o mercado.
Display 1080p não é investimento jogado fora
Apesar dos pesares, uma tela capaz de reproduzir 1080p tem maiores chances, por motivos já parcialmente explicados, de mostrar uma imagem mais próxima da alta definição verdadeira do que qualquer outro tipo de display.
Ressalvada a questão do preço, o investimento pode ser correto e deverá ter a prevalência, na relação custo/benefício, quando comparado às outras opções no mercado.
E se o sinal que entra for “apenas” em 1080i, lembre-se que o display 1080p trata a imagem digitalmente e fará as necessárias conversões para que ela se transforme, no final, em 1080p. Na realidade, as implementações corretas neste tipo de tecnologia obrigam o tratamento do sinal de entrada para a resolução nativa da tela. E neste caso, quanto mais qualidade este sinal tiver, melhor será a imagem final obtida.
E se eu investir nisso, o que eu faço com os meus DVDs? Estarão mais bem servidos do que nunca.
Com o barateamento dos reprodutores de DVD que são capazes de fazer “upscaling” do sinal original (720 x 480i, NTSC) para alta definição (720p ou 1080i) fica cada vez mais evidente que a tecnologia de reprodução do DVD ainda não atingiu a sua maturidade. E eis aí outro motivo para a desnecessária celeuma sobre Blu-ray e HD-DVD.
Um exemplo disso é esta entrevista do presidente da Arcam, companhia inglesa que vem se propondo, junto com muitas outras do chamado “high-end”, de produzir reprodutores de DVD com imagem próxima da alta definição. Confira também este artigo que escrevi, há pouco, sobre o assunto.
Outros aspectos a considerar
Nenhum monitor ou display é bom só porque a tela tem resolução alta, não importa quantos pixels existam por lá. Nem todo fabricante produz o seu próprio painel de LCD ou plasma, a maioria terceiriza a fabricação.
E a diferença entre modelos, do mesmo fabricante, usando o mesmo painel, é tão grande que eu me arriscaria a dizer que comprar um display sem olhar como ele reproduz, por exemplo, um DVD, é uma temeridade.
Pessoalmente, sempre peço para o vendedor tocar um DVD na hora que ele está demonstrando, porque, via-de-regra, se um monitor tiver bom processamento interno, o tratamento do sinal de um DVD deverá ser exemplar, ou seja, eu não deverei ver imagem borrada, arraste (artefatos de movimento, o velho efeito ghost/fantasma) e cor ou contraste ineficientes.
O DVD é uma ótima referência porque é uma passagem de um sinal standard controlado (o broadcasting na maioria das vezes não é) convertido para um sinal de alta qualidade. O teste só não será válido se o DVD em questão for de baixa qualidade. [Webinsider]


1° ADRIANO SOUZA Data: 21/05/2007 às 11:45 am
Atividade: radialista
Cidade: vilhena
Olá…eu vi uma entrevista de um professor dizendo, que quem tem uma tv full hd tem mais qualidade até assistindo um filme em 1280 por 720, agora o por quê que eu gostaria de saber.
abraço a todos