Google e Microsoft mostram a força da mídia online
21 de maio de 2007, 15:09Microsoft adquire a aQuantive, Google a Doubleclick, Yahoo a Rightmedia. A cadeia produtiva deste mercado está em crescimento e apresenta receitas reais.
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A quantia injetada em menos de 35 dias no mercado digital mundial é de US$ 10 bilhões. Se havia alguma dúvida de que o universo inteiro está se digitalizando, ela acaba de ser resolvida.
Grandes aquisições realizadas pelas maiores empresas de mídia e tecnologia mundiais, Google e Microsoft, mostram que não existe mais dúvida sobre o futuro digital. Afinal de contas, só é possível realizar tais movimentos (e com tanto dinheiro em jogo) em tão pouco tempo se o modelo já houver sido discutido, visto, revisto e testado inúmeras vezes.
As principais aquisições foram realizadas em tempo recorde. O Google comprou a Doubleclick por US$ 3,6 bilhões no dia 13 de abril. Na seqüência, tivemos o Yahoo finalizando a compra da Rightmedia por US$ 600 milhões, o grupo de publicidade WPP comprando a 24/7 Realmedia por US$ 600 milhões e a maior de todas, realizada na ultima sexta feira, 18, fechando o ciclo inicial, com a Microsoft comprando o grupo aQuantive por US$ 6 bilhões.
O ponto mais importante é a aquisição da aQuantive pela Microsoft. Pois todas as outras aquisições são basicamente de tecnologias de entrega de mídia, com um ou outro diferencial competitivo tecnológico ou mesmo de presença e alcance em segmentos chaves. Significa que este mercado é rentável, tem alto potencial de crescimento e receita recorrente.
Há pontos chaves para analisarmos e entendermos o porquê deste movimento tão agressivo e o quê o diferencia da bolha da internet de 2000, quando tudo foi jogado para segundo plano em um momento onde literalmente chovia dinheiro e idéias, porém pouca ou nenhuma garantia de resultado.
Um destes pontos é o fato de o grupo aQuantive ser constituído por três pilares: um das maiores agências digitais do mundo, a AvenueA/Razorfish; a maior empresa mundial de tecnologia de mídia digital, a Atlas Solutions; e a DrivePM, uma rede de sites com capacidade de entrega de mídia comportamental, performance, entre outras atividades. E é aí que se dá a certeza do meio.
Muitos dizem que a compra foi uma retaliação por conta do Google/Doubleclick, como uma forma de provar que a Microsoft é quem manda. Certamente isso influenciou bastante na decisão, porém a Microsoft tem mais de 15 anos e já não é mais uma empresa que tem 95% de sua receita originada de um único produto. Diferente do Google, que tem como base o mecanismo de busca.
O Google tem um grande desafio, que é descobrir e explicar a seus acionistas como eles conseguirão sustentar taxas de crescimento concisas quando precisa faturar a cada ano mais US$ 3 bilhões em receita. Não existe tanto crescimento, nem tantas empresas para serem vendidas, nem tanto dinheiro sobrando, e esta é uma das razões de buscarem a entrada em outras mídias, em mobile e outras atividades.
A Microsoft é o oposto, pois seu negócio tornou-se rentável há algum tempo e tem sua origem em inúmeros modelos de produtos e serviços. Para eles, uma aquisição neste momento não é uma necessidade, é uma oportunidade. Afinal, qual tem o maior risco? Alguém aí imagina que todas as empresas e pessoas vão trocar os sistemas operacionais, aprender Linux, mudar de navegador, Messenger ou fazer uma busca por outro site que não a do Google?
Vale dizer que o modelo do Google é fantástico, porém ainda dependente de um único produto e, por esta razão, o Google oferece todo o resto de graça para fazer com que as pessoas se prendam ao seu modelo.
Voltando ao ponto vital da questão, a compra da Microsoft também agregou elementos como a agência e a rede de sites, o que mostra a certeza de que Bill Gates já sabia, e que hoje apenas sinalizou ao mundo que toda a cadeia produtiva deste mercado está em franco crescimento e apresenta rentabilidades e receitas reais, além de lucros recorrentes com um potencial de crescimento gigantesco.
Portanto, não fique mais na dúvida. Não perca mais tempo. Fale com sua agência, consultoria, especialistas, enfim. O meio digital estava andando rápido faz tempo e acabou de engatar a quarta marcha. Depois dela, vai ficar mais difícil de pegar o bonde andando, quanto mais sentar na janelinha. [Webinsider]
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1° Marcelo Sant'Iago Data: 21/05/2007 às 3:28 pm
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O Google agora sabe os números de seus concorrentes pela Performics e a Microsoft os conhece pela Atlas e Avenue A. Um baita conflito de interesses, que ainda precisa ser melhor digerido pelo mercado.
Assim como a compra da 24/7 pela WPP, que sempre foi focada em agências e agora tem uma posição privilegiada no lado de publishers: será que suas agências serão obrigadas a comprar um volume mínimo de mídia na rede 24/7?
A fronteira entre o que é agência, veículo e fornecedor de tecnologia está cada vez mais tênue, o que é preocupante.