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Google e Microsoft mostram a força da mídia online

21 de maio de 2007, 15:09

Microsoft adquire a aQuantive, Google a Doubleclick, Yahoo a Rightmedia. A cadeia produtiva deste mercado está em crescimento e apresenta receitas reais.

Por Roberto Eckersdorff

A quantia injetada em menos de 35 dias no mercado digital mundial é de US$ 10 bilhões. Se havia alguma dúvida de que o universo inteiro está se digitalizando, ela acaba de ser resolvida.

Grandes aquisições realizadas pelas maiores empresas de mídia e tecnologia mundiais, Google e Microsoft, mostram que não existe mais dúvida sobre o futuro digital. Afinal de contas, só é possível realizar tais movimentos (e com tanto dinheiro em jogo) em tão pouco tempo se o modelo já houver sido discutido, visto, revisto e testado inúmeras vezes.

As principais aquisições foram realizadas em tempo recorde. O Google comprou a Doubleclick por US$ 3,6 bilhões no dia 13 de abril. Na seqüência, tivemos o Yahoo finalizando a compra da Rightmedia por US$ 600 milhões, o grupo de publicidade WPP comprando a 24/7 Realmedia por US$ 600 milhões e a maior de todas, realizada na ultima sexta feira, 18, fechando o ciclo inicial, com a Microsoft comprando o grupo aQuantive por US$ 6 bilhões.

O ponto mais importante é a aquisição da aQuantive pela Microsoft. Pois todas as outras aquisições são basicamente de tecnologias de entrega de mídia, com um ou outro diferencial competitivo tecnológico ou mesmo de presença e alcance em segmentos chaves. Significa que este mercado é rentável, tem alto potencial de crescimento e receita recorrente.

Há pontos chaves para analisarmos e entendermos o porquê deste movimento tão agressivo e o quê o diferencia da bolha da internet de 2000, quando tudo foi jogado para segundo plano em um momento onde literalmente chovia dinheiro e idéias, porém pouca ou nenhuma garantia de resultado.

Um destes pontos é o fato de o grupo aQuantive ser constituído por três pilares: um das maiores agências digitais do mundo, a AvenueA/Razorfish; a maior empresa mundial de tecnologia de mídia digital, a Atlas Solutions; e a DrivePM, uma rede de sites com capacidade de entrega de mídia comportamental, performance, entre outras atividades. E é aí que se dá a certeza do meio.

Muitos dizem que a compra foi uma retaliação por conta do Google/Doubleclick, como uma forma de provar que a Microsoft é quem manda. Certamente isso influenciou bastante na decisão, porém a Microsoft tem mais de 15 anos e já não é mais uma empresa que tem 95% de sua receita originada de um único produto. Diferente do Google, que tem como base o mecanismo de busca.

O Google tem um grande desafio, que é descobrir e explicar a seus acionistas como eles conseguirão sustentar taxas de crescimento concisas quando precisa faturar a cada ano mais US$ 3 bilhões em receita. Não existe tanto crescimento, nem tantas empresas para serem vendidas, nem tanto dinheiro sobrando, e esta é uma das razões de buscarem a entrada em outras mídias, em mobile e outras atividades.

A Microsoft é o oposto, pois seu negócio tornou-se rentável há algum tempo e tem sua origem em inúmeros modelos de produtos e serviços. Para eles, uma aquisição neste momento não é uma necessidade, é uma oportunidade. Afinal, qual tem o maior risco? Alguém aí imagina que todas as empresas e pessoas vão trocar os sistemas operacionais, aprender Linux, mudar de navegador, Messenger ou fazer uma busca por outro site que não a do Google?

Vale dizer que o modelo do Google é fantástico, porém ainda dependente de um único produto e, por esta razão, o Google oferece todo o resto de graça para fazer com que as pessoas se prendam ao seu modelo.

Voltando ao ponto vital da questão, a compra da Microsoft também agregou elementos como a agência e a rede de sites, o que mostra a certeza de que Bill Gates já sabia, e que hoje apenas sinalizou ao mundo que toda a cadeia produtiva deste mercado está em franco crescimento e apresenta rentabilidades e receitas reais, além de lucros recorrentes com um potencial de crescimento gigantesco.

Portanto, não fique mais na dúvida. Não perca mais tempo. Fale com sua agência, consultoria, especialistas, enfim. O meio digital estava andando rápido faz tempo e acabou de engatar a quarta marcha. Depois dela, vai ficar mais difícil de pegar o bonde andando, quanto mais sentar na janelinha. [Webinsider]

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Sobre o autor

Roberto EckersdorffRoberto Eckersdorff (roberto@aunica.com) é CEO da Unica.

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Comentários

7 pessoas comentaram o artigo "Google e Microsoft mostram a força da mídia online"

Marcelo Sant'Iago Data: 21/05/2007 às 3:28 pm

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O Google agora sabe os números de seus concorrentes pela Performics e a Microsoft os conhece pela Atlas e Avenue A. Um baita conflito de interesses, que ainda precisa ser melhor digerido pelo mercado.
Assim como a compra da 24/7 pela WPP, que sempre foi focada em agências e agora tem uma posição privilegiada no lado de publishers: será que suas agências serão obrigadas a comprar um volume mínimo de mídia na rede 24/7?
A fronteira entre o que é agência, veículo e fornecedor de tecnologia está cada vez mais tênue, o que é preocupante.

Marcelo Sant'Iago Data: 21/05/2007 às 3:29 pm

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Eu quis dizer Performics e DoubleClick.
:-)

Joao Emanuel Data: 21/05/2007 às 8:17 pm

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Deus me livre ver todo mundo apreendendo Linux, vai obrigar o Linux virar por completo um sistema para débil mentais. Ia tirar todo interesse no Linux, bem se for para isso acontecer ainda bem que existe os BSDs e o Minix para salvar o dia.

Pierre Sandora Data: 22/05/2007 às 9:16 am

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Cidade: São Paulo

Eu creio que há um equívoco em relação a comparação entre as fontes de renda da Microsoft e do Google. A Microsoft possui vários produtos que lhe fornecem receita, porém seu modelo de negócios esta cada vez mais ameaçado pelo software livre em vários setores, e o Google, apesar de ter como carro chefe das receitas o mecanismo de busca, possui um modelo de negócios atualmente imbatível, que caso seu buscador perca popularidade, pode ser aplicado a vários outros produtos como YouTube, Gmail e Orkut, que não dependem do mecanismo de busca. Já a Microsoft perderia muito do seu mercado caso o Windows perdesse popularidade, já que os outros produtos que carregam boa parte do seu faturamento como a plataforma .NET, o Office e seus serviços perderiam importância e muito espaço no mercado.

Marcelo Sant'Iago Data: 22/05/2007 às 10:20 am

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Pierre, se o modelo do Google a que vc se refere é o AdSense, que exibe publicidade em diversos sites, entre eles os que vc mencionou, vale ressaltar que ele está diretamente atrelado aos link patrocinados, já que é uma extensão das campanhas exibidas nas páginas de resultados do Google.
Ou seja, a fonte das receitas é a mesma ou única, como o Roberto colocou.
O que pode acontecer no futuro o Google criar uma nova forma de anunciar no Orkut, Gmail e YouTube, que não existe hoje (ainda), já que o Google não comercializa listas para email marketing no Gmail e nem perfis para campanhas segmentadas no Orkut, por exemplo. Está tudo atrelado às campanhas de busca (CPC) e eventualmente você pode preferir comprar banners por CPM no YouTube, mas através do sistema AdWords, que é responsável por 99% da receita do Google hoje.

Pierre Sandora Data: 23/05/2007 às 1:11 pm

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Na verdade Marcelo, quando me referi ao modelo era a maneira como as duas empresas ganham dinheiro (muito dinheiro). O Google vende anuncios, com uma estratégia imbatível atualmente, e a Microsoft licencia softwares com uma estratégia que só funciona por causa do seu tamanho e dinheiro. Assim como você mesmo disse, o Google pode diversificar sua estratégia para vender anuncios por seus outros produtos, ou mesmo utilizar o AdSense, e por mais que haja concorrentes para ele, sua hegemonia nesse setor não esta nem perto de ser ameaçada, enquanto a Microsoft com seus produtos e serviços possui obstáculos grandes que ameaçam sua hegemonia. Uma delas é o modelo de software livre, apoiado em alguns setores por empresas como Sun, IBM e outras gigantes, também há sérios problemas com sua estratégia monopolista, em vários países já teve que pagar milhões em multas, o que prejudica também a sua imagem. Não quero dizer que a Microsoft esteja falindo, ou que estes fatores sitados irão levar a Microsoft a fechar as portas, mas é que a maneira como o Roberto mostrou os fatos em relação a situação das duas empresas parece mostrar um cenário onde a Microsoft esta “sussegada” em relação a mercado e faturamento, enquanto o Google enfrenta problemas. O que na verdade, atualmente, é justamente o oposto. A Microsoft esta só perdendo mercado em vários setores, como os de navegadores, enquanto o Google só se expande. Além dos colaboradores da gigante de 15 anos estarem migrando para a empresa/campus do Google.
Mas sobre a discução, e verdadeiro objetivo do Roberto, que era mostrar que o Google esta sim apoiado sobre um único produto, eu concordo. Mas acho que os acionistas, quando vêem o Google, não se preocupam tanto se 95% da receita vem do Adsense, porque o Google Inc. é um sucesso não só por causa desse produto, que já havia similares na época que começou(Overture), há outros fatores importantes, como a administração do negócio e sua visão de futuro que pesam a favor do Google.

Roberto M. Eckersdorff Data: 23/05/2007 às 1:21 pm

Atividade: Marketing

Cidade: Sao Paulo

Caros Colegas,
Antes de tudo obrigado pelo feedback e comentários sobre o artigo.

Originalmente o tema e o título do artigo era extremanente positivo e orientado a provar que o mercado digital já não é mais brincadeira ou uma bolha.

O título original que acabou não aparecendo era:
“10 bilhões de dolares. Ainda resta dúvida?”.

Com o novo título, ficou a impressão que o artigo estava orientado a discutir qual o melhor modelo e qual tem mais futuro “MMicrosfot” ou “Google”. E no fundo, ambos os modelos são vencedores demais, e dominam o mundo hoje.

Naturalmente a Microsoft tem muito mais terrenos a perder, pois já teve 90% do mundo na mão. O Goole ainda não chegou lá, mas também acho que não há mais como dominar o mundo, pois quando o universo nota que ao invés de ser positivo uma unica entidade (seja ela pessoa, ditador, sonhador ou empresa) tenta dominar o mundo, o proprio mundo se volta contra ela.

Grande abraço!
Roberto

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