Porque a versão beta dura uma eternidade
16 de maio de 2007, 9:23Estratégia adotada por empresas como o Google surgiu apenas com a força da web e tendo o Linux como modelo original. Não vai faltar trabalho e não espere uma versão final de nada.
Por
Há sete anos, não entendia o que um antigo chefe queria dizer com “o bom é inimigo do ótimo”. Afinal, todos somos orientados a buscar o máximo de excelência em nossos desenvolvimentos. Agora, entretanto, a assertiva faz todo sentido.
Você pode notar que boa parte dos serviços do Google possui a inscrição “beta” abaixo do nome. Google Calendar, Google Talk, o próprio Orkut etc. Os mais puristas perguntam: “mas quando é que o Google vai lançar a versão final do Orkut? Ou do Google Calendar?”.
A resposta é nunca. Nunca existirá uma versão final do Google Calendar ou do Orkut. Aqueles que assim pensam criam limites para otimização das ferramentas e, por este motivo, perdem a corrida para estar sempre à frente na versão online do tempo.
Em um mundo onde a velocidade determina os vencedores e seguidores, a tecnologia desenvolvida para a internet quebra um dos grandes paradigmas de TI: a existência de diferentes versões de “testes” de um software ou aplicativo antes de um produto final.
Até a consolidação do conceito de web 2.0, engenheiros e programadores seguiam com o pensamento de criar versões de programas as quais, somente após exaustivos testes e correções, receberiam a insígnia “versão x.x”. Só então era lançado ao mercado ou até mesmo disponibilizado na internet. Novas correções e melhorias no produto/serviço eram incorporadas em versões subseqüentes, denominadas ‘2.0′, ‘3.0′ e assim por diante.
A globalização da concorrência, entretanto, forçou todos a procurar ser pioneiros na criação de novas soluções. E esse pioneirismo é inversamente proporcional a preciosismos no lançamento de produtos e serviços.
Enquanto perfeccionistas buscam solucionar todos os bugs e implementar todas as idéias na hora do desenvolvimento, concorrentes lançam produtos e serviços similares não tão completos, é verdade, mas suficientemente bons para se apropriar da novidade ou até mesmo do conceito. Com isso, garantem retorno e deixam para trás a concorrência.
O Google possui uma estratégia interessante para lançamento e divulgação. Inicialmente, se o produto atende pelo menos 25% do que seria considerado “completo”, a empresa lança ao mercado. Pode ser um lançamento oficial ou por meio do Google Labs, um espaço onde você pode ter contato com o que há de mais recente na equipe de desenvolvimento deles.
O mais interessante (e importante) nessa estratégia é que todos nós testamos os produtos e enviamos feedbacks, às vezes com opções de melhoria. Tudo com custo zero para a empresa. Como eles mesmo denominam: The Google’s technology playground.
Tente definir o que é um exército de beta-testers auxiliando a empresa a tornar seus produtos melhores, sem que seja necessário tê-los na folha de pagamento, mas somente com a sensação (real) de que estão participando da criação de algo novo e que têm uma parte no pioneirismo do projeto. É o Linux traduzido para web, por assim dizer.
Agora, imaginemos esse conceito levado a outros mercados e às áreas de pesquisa e desenvolvimento das empresas. Um carro que no dia seguinte já apresenta uma melhoria, uma lasanha congelada que há duas semanas era menos saborosa.
Fica difícil levarmos a questão à produção de bens físicos, pois envolve pontos ligados a linhas de produção, produção em massa e determinações legais. Entretanto, no desenvolvimento de produtos e serviços digitais, é uma realidade sem volta. Os desenvolvedores só precisam ficar avisados de que, felizmente, sempre haverá trabalho. Mas não adianta ser “apenas” bom, não. [Webinsider]



1° Rodrigo Data: 16/05/2007 às 10:32 am
Atividade:
Cidade:
EXCELENTE!!! Trabalho em uma empresa comercial de software, que desenvolve software que usam a intranet, nesse caso fica mais complicada a atualização sempre on-line, mas é um caminho que devemos seguir.