Podcrer 07: as camadas debaixo da Cidade Limpa
10 de abril de 2007, 10:57Os assuntos da semana: uso do PowerPoint, camisetas por e-commerce, 100 milhões de iPods e os efeitos do Cidade Limpa em seus primeiros dias. Ouça.
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Este é o Podcrer, um podcast bem informal sobre assuntos de marketing, conteúdo e mídia interativa gravado por Michel Lent e Vicente Tardin. Os assuntos desta edição:
- Não basta ser em PowerPoint, tem que ser bem feito. Estudo critica aquele estilo onde o apresentador lê o que está escrito na tela. Repetir em voz alta as palavras escritas na tela reduz a capacidade de entender o que é apresentado.
- Comprar roupa online é um desafio pela falta de padrão nos tamanhos. Mas camisetas Hering, que são padronizadas e todo mundo sabe o seu tamanho, não são vendidas online.
- Apple, que vendeu 100 milhões de iPods desde o lançamento, quer que as gravadoras autorizem a venda de músicas sem mecanismos anti-cópias. Microsoft, que concorre com o azarão Zune, muda de posição e apóia também venda de músicas sem DRM, o que vai acontecer com acervo da gravadora EMI.
- Com o Cidade Limpa, quais são as primeiras impressões das ruas com menos cartazes? E para onde vai a propaganda que estava na rua? Polêmica.
Na trilha musical hoje (e no fim), ouça Automobília, com os Sex Beatles.
Ouça aqui e comente lá embaixo.
Podcrer # 7
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1° Neto Data: 10/04/2007 às 11:24 am
Atividade: Publicitário
Cidade: São Paulo
Michel e Vicente,
Como ouvinte assíduo do PodCrer, quero deixar meu comentário sobre o Cidade Limpa.
Vocês são cariocas, então não sabem nada de São Paulo
Deixa eu explicar.
Essa cidade foi tomada, desde a minha infância nos anos 60, por dezenas de layers, como um arquivo de photoshop from hell.
A layer da poluição.
A layer dos fios.
A layer dos outdoors
A layer das ações de OOH
A layer da sujeira nas ruas.
A layer de lambe-lambes.
A layer dos cartazes imobiliários.
A layer dos malabaristas.
A layer dos garotos no faról.
Layers de ajuste sobre o Rio Pinheiros.
Efeitos, Filtros, Levels.
Aos poucos, aquela layer de background, que é a cidade original - ficou enterrada, esquecida lá embaixo.
Também como num arquivo de photoshop com tantas layers, a cidade ficou pesada. Nosso hardware, o dos moradores, não consegue lidar com o resultado.
Vocês vêm mal acostumados lá do Rio de Janeiro.
Aquilo, apesar da violência, é um desgraçado dum jpeg. Levinho, com maravilhosa resolução.
Fácil de aplicar no cortex de qualquer mortal.
Pra vocês, São Paulo é feia com outdoors e horrível sem.
Narciso acha feio o que não é espelho.
Pra mim não.
Sem outdoors, a cidade está mais digna.
Se revelaram prédios feios e sujos, é fato.
Mas qualquer coisa é melhor do que um anúncio de cueca Mash com 12 andares de altura.
Só o pinto do sujeito media uma Pedra da Gávea, ora por favor.
Esse esforço do Kassab deve ser aplaudido.
É o chamado “vamos criar o problema”.
E tu, Michel, é muito cara de pau de comparar São Paulo com Times Square.
Em Manhattan, Times Square é um ponto turístico. O resto da cidade tem as bandeiras no Moma, do Metropolitan, do Museu de História Natural anunciando exposições.
Vai achar outdoor de absorvente higiênico lá que eu quero ver.
Times Square é lindo.
Painéis gigantes, quase do tamanho do egocentrismo americano.
Aqui, pobres de nós, os outdoors com faca especial anunciam o faqueiro de Caras.
Anunciavam.
Porque raiou o sol de um novo dia.
Sem outdoors, renasce o amor próprio do Paulista. Agora vai.
Vamos plantar árvores, despoluir os rios, tapar buracos e enterrar fios.
Vamos educar o povo pra não cuspir no chão.
Nem jogar lixo pela janela do carro.
Vamos matar esses cariocas de inveja.
Vamos construir um Pão de Açúcar com bondinho e tudo no estacionamento do Extra João Dias.
Afinal, Extra e Pão de Açúcar são do mesmo dono.
Vamos construir um Cristo, um Buda e um Tom Cruise no Trianon.
Como diria Dick Farney, o relógio do Itau (que foi preservado) me diz, que eu estou, a quinze graus de ser feliz.