Seu filho gosta de games. Você reprova ou aproveita?
29 de março de 2007, 19:30Os pais criados com videogames começam a perceber que os jogos podem ajudar no desenvolvimento de diversas habilidades para seus filhos e em favor da educação.
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Há tempos existe a incessante discussão sobre a guerra entre pais e filhos em torno do computador e dos videogames. Toda criança a partir da década de 80, quando surgiu o lendário e pioneiro Atari, cresceu ao redor desses viciantes aparelhos eletrônicos.
A evolução foi rápida: em menos de três décadas chegamos a aparelhos com mais de 128 bits que oferecem gráficos e jogos bastante complexos. A diferença é gigantesca; basta comparar os jogos do Atari com os atuais títulos para PlayStation 3, Wii, Xbox e PCs.
Junto com a evolução dos videogames observamos pais preocupados com o futuro dos filhos. Sempre foi uma batalha conciliar a família com os jogos eletrônicos. Os pais que cresceram quando o videogame não existia, foram resistentes a essa nova cultura e acreditavam que criança deveria brincar na rua e ter outro tipo de convívio social.
Eles tinham razão, pelo ângulo deles, pois era uma cultura desconhecida e inexistente. Mas e nós, pais da geração que cresceu junto com a evolução tecnológica, como devemos pensar e agir, no sentido de melhor educar nossos filhos?
De fato a vida real é cada vez mais virtual e a cultura de massa é complexa para ser entendida. Exige que fiquemos mais inteligentes e espertos para acompanhar essa evolução. De alguma forma, a TV, os videogames e o computador estão ai para nos fazer mais espertos e inteligentes.
Os pais pós-videogames começam a perceber que os jogos podem ajudar no desenvolvimento de diversas habilidades para seus filhos.
Claro, sem generalizar ou radicalizar. Como tudo na vida, é preciso manter o equilíbrio sadio e evitar o exagero que faz mal, fica bem entendido.
Logo após o videogame veio o computador repetir a batalha entre os jovens fascinados com as novas possibilidades criadas pela evolução tecnológica e os pais obsoletos.
Mais uma vez eram os pais contra o engajamento tecnológico dos filhos. No início, o computador isolava sim as pessoas, mas a nova geração que nasceu e cresceu com o computador aprendeu novas formas de relacionamento.
A evolução tecnológica, comportamental, cultural e social para essa nova geração lembra a descoberta do rock’n'roll, quando os pais brigaram com os filhos por causa de uma música maldita.
Agora novamente as pessoas criticam sem perguntar se os games podem ser produtivos aos seus filhos. Os pais que não entenderem essa evolução criarão um abismo tão grande com seus filhos quanto o que eles mesmo viveram.
Sempre me incomodo quando alguém diz que o cérebro acompanha o que é mais fácil. Se isso fosse verdade, os videogames estariam cada vez mais simples. Contudo, acontece o contrário: adultos não conseguem jogar com a mesma facilidade de seus filhos. Alguns games propõem uma complexidade nunca enfrentada pelas brincadeiras praticadas por nossos pais. Por isso, os pais nascidos pós Atari devem ser sábios o suficiente para tirar proveito dessa nova cultura, ao invés de tentar combatê-la, em vão.
A cultura pop se torna mais complexa e os jogos geram habilidade para absorvê-la. Podemos tirar experiência dos games e utilizá-las na realidade. Um reality show, por exemplo, é um jogo. Quem assiste constrói um mapa social dos personagens e de como eles se relacionam. As pessoas boas nesse tipo de percepção tendem a ter mais sucesso na vida.
Outras narrativas em programas de TV, teatro ou cinema estão também ficando mais sofisticadas. Nos acostumamos a acompanhar o caminho natural da evolução digital, sem o qual em pouco tempo não entenderíamos bem a vida real.
Os videogames não tornam as pessoas imbecis vale lembrar. Eles são um dos muitos processos de simulação que temos na sociedade, assim como peças de teatro, shows de televisão e até mesmo uma conversa entre dois interlocutores. Os adultos simulam o tempo todo, mas são bons em esconder isso.
Existe também o fato dos videogames serem muito proveitosos no tratamento de doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer, na recuperação do controle motor e da acuidade mental e visual.
Não é preciso ter medo. É muito mais interessante e seguro que meu filho brinque de guerra simulada do que nossos antepassados, que brincavam de estilingue com pedras reais. [Webinsider]
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1° Rogério Mascia Silveira Data: 29/03/2007 às 10:57 pm
Atividade: Jornalista, webdesigner e professor universitário
Cidade: São Paulo (SP)
Prezado Diego,
Concordo contigo, nossos pais não viveram a nossa realidade. Para mim o Atari foi um brinquedo que me despertou o gosto pela tecnologia. Hoje, além de já ter doado para minha filha de dez anos meu Game Boy e Nintendo 64, presenteei-a no ano passado com um Nintendo DS - (aliás, adoro os produtos sempre revolucionários desta empresa!)
Acrescento também, os seguintes pontos positivos:
- os games estimulam a persistência na criança, além de lembrá-la que somente cumprindo regras é possível atingir objetivos no jogo, assim como também ocorre na vida real;
- títulos como “Civilization 4″ e “Call of Duty 2″ são mais interessantes e ricos em conteúdo do que muitas aulas ruins que assisti na vida;
- quem jogou games nas duas décadas passadas teve muito mais facilidade para aprender conceitos básicos de informática do que muitas pessoas que começaram direto nos PCs.
Só acho ruim, para pessoas de todas faixas etárias jogar mais do que duas horas por dia. Creio que este seja o limite máximo e ultrapassá-lo pode não ser legal. A saída é sempre que possível, o pai jogar um pouco com o filho, conversar todos os dias com ele e estar sempre presente na vida dele.
Abraços em todos mundo e parabéns pelo artigo!
Rogério Mascia Silveira - Jornalista e Webdesigner
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