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Comércio - Comportamento

Estilo da Americanas contrasta com o do Submarino

14 de março de 2007, 23:22

A aquisição Americanas.com trouxe para o pessoal do Submarino um certo choque cultural: sai o estilo mais informal de trabalhar típico das empresas de internet e entra o cartão de ponto?

Por Manoel Netto

Anunciada em novembro do ano passsado e aprovada no mês seguinte, a fusão da Submarino com a Americanas.com, dando origem à B2W, já começa a dar sinais de aquisição. Com 53% do capital da nova empresa, a Americanas.com impõe seu estilo de venda, seus fornecedores e até mesmo seu comportamento padrão dentro da empresa, ditando inclusive a forma como os funcionários devem se vestir.

Ao comandar 50% do mercado de e-commerce brasileiro, juntas, as empresas são praticamente um monopólio na internet. Uma potência varejista que certamente abocanhará mais algumas fatias do mercado após a fusão, ou seja, 2 + 2 podem chegar a 5 ou 6.

A Americanas.com, ao impor seu ritmo de trator (já adquiriu a Shoptime em 2005), levanta alguns questionamentos a respeito do modelo de trabalho na internet.

Até então, as empresas que mais fazem sucesso na rede levantam a bandeira do trabalho mais informal, baseado em resultados, esses conseguidos com estímulos aos seus colaboradores, flexibilidade de horários, menor rigidez, etc. Tudo caracterizado como “o modelo do futuro”, onde as empresas deveriam se espelhar para vencer nessa selva digital.

Por conta do modelo “antigo” e completamente contrastante do Submarino, quatro dos seis principais diretores dessa empresa já pediram demissão, além de vários funcionários do menor escalão que já saíram ou estão procurando outro emprego. Essa debandada está sendo caracterizada como uma grande perda, pois esses três diretores, por exemplo, são os que mais conhecem sobre os processos do Submarino e fizeram parte do sucesso e crescimento de vendas que a empresa conseguiu até hoje.

Sabemos que a aquisição de uma empresa por seu maior rival comercial pode gerar conflitos, atritos e um clima de trabalho péssimo para os que ficam. Por conta disso foi criado um conselho para tratar da migração composto por 20 pessoas (dez de cada empresa), que acompanha o processo, discute o melhor de cada empresa para ser mantido, através de duas reuniões diárias. Mas o que se vê - e se comenta pela internet - é que o estilo Americanas.com e seus 53% estão dando as cartas (péssima notícia, segundo alguns).

Será que o estilo “informal” adotado pelo Submarino está errado? Será que a Google e outras tantas empresas que adotam esse modelo estão erradas? Será que modelos de trabalho antigos - bater cartão, vestir uniforme, cumprir metas, horário comercial - podem ser facilmente adotados na internet e obter sucesso?

As perguntas são muitas, mas só o tempo dirá afinal qual o melhor - e se existe - modelo empresarial para se atuar e fazer sucesso na internet. E você? Tem alguma dica? Fala aí! [Webinsider]

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Sobre o autor

Manoel NettoManoel Netto (contato@tecnocracia.com.br), desenvolvedor web desde 1998, é apaixonado por tecnologia desde que nasceu e mantém o blog Tecnocracia

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ Vendas ] [ formação profissional ]

Comentários

12 pessoas comentaram o artigo "Estilo da Americanas contrasta com o do Submarino"

Thiago Valenti Data: 15/03/2007 às 8:01 am

Atividade:

Cidade: Balneário Camboriú

Velha discussão essa
=]

O problema aí está no fato de que os funcionários do Submarino (que eram “homens livres”), agora estão sendo “aprisionados” pelo velho sistema das 8h às 18h (pelo menos aqui no sul é esse o horário)

Pra quem continua na Americanas, acho que não faz diferença, a não ser que mexa no olerite, aí é um sério problema.

Giovanni Data: 15/03/2007 às 8:49 am

Atividade: Desenvolvedor

Cidade: Belo Horizonte

Todas as metodologias de controle podem fazer sucesso - desde que todas sempre tenham sido parte da cultura da empresa.

Ou seja, não costumo ser “8 ou 80″ pra decidir se um modelo é melhor que o outro, e não conheço a história de criação do submarino pra poder afirmar de forma mais concreta pra esse contexto qual o certo ou não, mas arrisco afirmar que se a empresa NASCEU e sempre seguiu os moldes da flexibilidade (ou informalidade), uma mudança arbitrária por parte de seus novos diretores pode ser sim catastrófica.

Se o modelo de produção do submarino é comprovadamente eficiente, um novo diretor não deve simplesmente querer mudar tudo pra falar “é assim que funciona”. Os ambientes são diferentes. Deve-se analisar o contexto, os perfis para decidir se a inserção de novas metodologias de controle seriam realmente eficientes. “Três dos seis principais diretores dessa empresa já pediram demissão.” Ao que parece, não são.

Em time que se está ganhando e não se tem estratégia se pra alavancar melhorias não se mexe. É preciso consciência e saber que controlar não é ser arbitrário e sim cobrar resultados. Encontrando resultados de forma concreta, tangível e mensurável, o resto é engodo.

PS: Meu sonho é trabalhar de bermudas.

Rafael Dourado Data: 15/03/2007 às 8:51 am

Atividade: Empresário

Cidade: Fortaleza

Já pensou se a Disney tivesse feito o mesmo com a Pixar? Se uma empresa compra a outra no caso da Submarino, é porque ela fazia um trabalho no mínimo tão bom quanto o da compradora. E o modelo de trabalho deles deve ter seus méritos. Tanto que chegaram onde estão hoje. E isso é refletido inclusiva na imagem da empresa.
Particularmente sempre tive péssimas experiências com a Americanas. Por isso, sempre comprei mais na Submarino. Se a imagem, o serviço, o atendimento, enfim, se a Submarino morre em vez de ter suas qualidades enaltecidas, as Americanas vão ganhar a antipatia de muita gente que era público cativo da Submarino.
Eles poderiam ao mesmo se perguntar porque o modelo Submarino dava certo…

Vinicius Data: 15/03/2007 às 9:38 am

Atividade: Analista de Marketing

Cidade: Bras[ilia

Desculpa a expressão mas…
Burrice!
Quando se junta forças para aumentar a lucratividade não ha motivo para se criar instabilidades. Na fusão de dois grandes grupos visa-se apenas o lucro, metas atingidas, a maneira que as equipes encontram para alcançar isso não interessa, naturalmente com o tempo as coisas ficam homogêneas e os dois grupos com hábitos somados acabam formando um terceiro (este sim campeão), o choque de culturas sempre causa perdas, mas a imposição causa prejuízos… Parece uma maneira cara de se eliminar um concorrente não? Perda para o consumidor que agora corre o risco de ter on-line apenas o péssimo serviço prestado pelas americanas… Globalização fazer o quê?!?
:-/

Waldemir Marquers Júnior Data: 15/03/2007 às 10:18 am

Atividade: Gerente de projetos Web

Cidade: São Paulo

É triste ver uma gigante como Americanas.com ainda valer-se de um pensamento da época em que o trabalho industrial era executado por homens.
O homem contemporâneo busca liberdade, mesmo quando tem de cumprir suas obrigações.
O que será que eles consideram mais rentável: trabalhar com e à vontade ou trabalhar de uniforme das 08:00 às 18:00 com aquele sentimento de estar sempre fazendo a coisa errada com uma linha pontilhada no pescoço?
Se a tecnologia nos permite estar no mundo todo, trabalhar num modelo da época das velhas Remignton é sinceramente frustante.

Eduardo C. Fontana Data: 15/03/2007 às 10:51 am

Atividade: Webdesigner

Cidade: Curitiba

Tem gente que acha q adotando esse regime aumenta a produtividade!!
Bom… Isso como o autor falou, so o tempo dirá!

Mas na minha opinião, é pior….

Mas isso é um assunto para mtas páginas ainda!! E to com preguiça de escrever!! haha

abraços!

Alex Hubner Data: 15/03/2007 às 3:10 pm

Atividade:

Cidade:

Como consumidor eu diria que o Submarino dá de 10 a zero na Americanas. Em todos os aspectos, especialmente no tocante ao atendimento e à imagem, que é de modernidade e competência. Dá para fazer um paralelo com a cultura empresarial.

Ninguém precisa de formalismos e outros enfeites que só fazem perder tempo. Infelizmente modelos arraigados e atrasados de gestão ainda prevalecem, mas estão minguando. Só ganham terreno por força de aquisições e imposições, como é o caso. A Americanas.com tem MUITO o que aprender com o Submarino. Espero que a prepotência gerencial (que pensa até entender sobre como se vestir) não mate a excelência técnica e profissional do Submarino, usem eles chinelos ou trabalhem em horários alternativos.

Sobre vestimenta:

http://www.cfgigolo.com/archives/2004/12/foco_naquilo_qu.html

Marçal de Lima Hokama Data: 16/03/2007 às 12:19 am

Atividade:

Cidade: Brasília

Acho que a questão, independente de se trabalhar de calça ou bermuda, é motivacional. Existe uma questão interessante nesse artigo, que é como motivar um funcionário de uma empresa que foi adquirida pela principal concorrente (no mínimo para ele isso soaria como uma espécie de derrota), para que continue o seu ritmo de produção sob a nova bandeira. Pelo que o artigo mostra, as Americanas.com utilizam idéias semelhantes aos dos países colonizadores nos tempos das navegações: imposição de sua cultura nos países colonizados, ignorância da cultura local, etc. Sabemos como essa história terminou na maioria dos países colonizados. Veremos como terminará para o Submarino.

Luiz Augusto Pereira Data: 16/03/2007 às 7:35 am

Atividade: Webdesigner

Cidade: Araranguá SC

Eduardo C. Fontana… a gente sabe bem como é isso né? hahaha
Bom… vou voltar a fornalha!
Abraço!

10° ale nahra Data: 17/03/2007 às 9:52 am

Atividade: planejamento de ambientes digitais

Cidade:

Eu gelei quando soube da compra do Submarino pelas Americanas. Já tive péssimas experiências com as Americanas. Sempre preferi o Submarino, que é superior em tudo, desde o prazo de entrega até o relacionamento com o cliente - passando, é claro, pelo site. Infelizmente, parece que agora vai ser tudo do jeito Americanas de ser…

11° Marcia Data: 20/03/2007 às 1:03 pm

Atividade:

Cidade: Rio de Janeiro

Olá,
Eu não acredito que o foco das Americanas seja o cliente - assim como o guru do marketing sempre quis: “atender as necessidades e superar as expectativas dos clientes.” Concordo com outros que dizem que o atendimento do Submarino é melhor. Bem, se eu acreditasse que a Americanas iria ler esses depoimentos, e/ou escutasse com “ouvidos de ouvir” o que os clientes têm a dizer, eu faria do meu o mais veemente depoimento daqui. Mas…

Trabalhar de bermudas não é coisa nova,mas é coisa inteligente. Os britânicos trabalhavam assim na Índia no tempo que a dominavam. Agora, vai tentar dialogiar com empresariado brasileiro…pffffff…
Inté,
marcia

12° Marcelo M. Orlandi Data: 28/03/2007 às 3:54 pm

Atividade: designer

Cidade: Jundiaí

Uma pena. As Americanas podem afundar o Submarino desta maneira.

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