Descompliquem
12 de março de 2007, 0:32TV, jornais e revistas não sabem falar de internet para o público geral e confundem até nossos clientes.
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Uma das minhas principais missões como consultor é esclarecer dúvidas sobre o mercado, em especial sobre novidades. E - é óbvio - como a área em questão é comunicação digital, não faltam conceitos novos para apresentar, idéias a expor que possam acrescentar alguma melhoria (de fato) a um projeto e – acredite – muitos termos esquisitos para explicar.
Como bem sabemos, a web deixou de ser, há anos, um reduto de nerds e acadêmicos. Era de se esperar que o assunto ‘internet’ acabaria se tornando, praticamente, auto-explicativo. Que nada. O que deveria ser um ambiente em
que tanto seu filho pequeno quanto sua mãe poderiam entender e *acompanhar* sem problemas, virou puro sânscrito.
Quando eu aponto este ‘nó’ de comunicação na web, não me refiro ao simples ato de navegar pela Rede, mas sim em compreender sua evolução. Por isso, grifei o verbo acompanhar no parágrafo acima – navegar é fácil, difícil é não se perder em um mar de novidades e ‘sopa de letrinhas’.
Comece pelo mais fácil: faça uma retrospectiva dos dois últimos anos e relembre como web já mudou, e muito: do Orkut ao You Tube, do jornalismo colaborativo à música digital. Fossem transformações que afetassem apenas o mercado de tecnologia, ou seja, o funcionamento da web - e não o seu uso -, sem problema.
Não é assim que a banda toca, contudo. A Rede caminha a passos largos e juntos precisamos entender o que há de novo para não perder o bonde da Comunicação. Isso vale para você, como profissional, mas para seu filho e sua mãe, também.
Não é difícil explicar para uma criança de nove anos o que é o Orkut – isso se ele não já souber – ou mostrar à sua mãe como assistir o vídeo da apresentação de capoeira do neto no You Tube ou baixar músicas via internet. São aulas que não vão durar mais que alguns minutos.
Agora, quando a mídia começa a falar em ‘Web 2.0’, ‘Web 3.0’ e assim por diante, o cano entope, e o pobre receptor da informação engasga. É como sua mãe fosse tomada de um súbito acesso de tosse ou seu filho engasgasse com uma bala. ‘Web o quê???’
Assim, conclamo tevê, jornais e revistas a facilitar a vida dos reles mortais. Meu filho não precisa saber o que é ‘Web 3.0’, mas o que está por trás deste conceito. É como ele aprende na escola – o importante é entender, não ‘decorar’.
Sua mãe também não precisa esbarrar com termos como ‘Web Semântica’ nas revistas semanais. Ela precisa é saber que, dentre em pouco, vai encontrar muito mais fácil o que procura na Rede, e que ela pode colaborar ‘catalogando’ o que põe na internet – e só.
Desde 1997, quando a web ‘explodiu’ e tomou conta do mundo, uma penca de profissionais – que inclui o colunista que vos escreve -, especialistas em Comunicação Digital, ou até mesmo quem divulga e traduz este universo para o público em geral, têm sido perfeitos em não misturar o acadêmico, o comercial e o público.
Parece, infelizmente, que esta fase acabou. Badalar termos como ‘Web 3.0’ é vender - o que deveria ser feito apenas para empresas - um conceito – do tipo bem acadêmico – para o meu filho, a sua mãe e quem você puder imaginar, que terá toda a razão de achar que é tudo sânscrito, inatingível e até mesmo incômodo. Em suma, são assuntos para ‘olhar’, nunca para ‘usar’.
Deixem os usuários da web respirar, gente. É a velha história de que o que vale é o conteúdo, não a embalagem. Valorizem o sabor do suco, e não o processo de fabricação –isso é detalhe, é o que vem depois, e só para quem se interessar.
Sabe por que estou encabeçando esta campanha? O tempo que eu gasto ceifando as interrogações que afogam seus clientes e os mostrando que não é preciso ter medo (ou pior, desprezo) pelo o que é novo na web, eu poderia estar trabalhando para melhorar a comunicação das empresas na internet.
Junte-se a nós, os que querem simplificar a Rede! E não demore, porque falta muito pouco para alguém batizar algo de ‘Web 4.0’ e a novela recomeçar – aposta quanto? [Webinsider]




1° Felds Data: 12/03/2007 às 11:59 am
Atividade:
Cidade:
Concordo com você em absolutamente tudo que disse.
Esse negócio de nomenclaturas comerciais (pseudo técnicas) está mesmo em voga no momento.
São como os players “MP4″ que vendem nos stand-centers de São Paulo (não sei como está no resto do Brasil)
“Mas são MP4 porquê em vídeo!”
Pois é MP4 é formato de música. E já é bem antiguinha, por sinal.
Chamadas assíncronas como no Ajax?
Acho que faziamos isso em flash há alguns anos.
Folksonomia?
Acho que há vários anos a comunidade blogueira já usava. (de um modo mais tosco, mas sempre existiu)
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Acho que alguns vêem o distanciamento como nicho de mercado.
“Quanto mais o meu trabalho for inatingível, mais vão valorizá-lo”
Seguem a linha dos engenheiros e médicos que, com razão, ganham bem porque não é qualquer um que sabe estes ofícios. São coisas “distantes” dos mortais.
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Tão triste quanto ridículo.
Pena que é verdade