Webinsider

Redação, edição

Bruno Rodrigues
Webwriting

Descompliquem

12 de março de 2007, 0:32

TV, jornais e revistas não sabem falar de internet para o público geral e confundem até nossos clientes.

Por Bruno Rodrigues

Uma das minhas principais missões como consultor é esclarecer dúvidas sobre o mercado, em especial sobre novidades. E - é óbvio - como a área em questão é comunicação digital, não faltam conceitos novos para apresentar, idéias a expor que possam acrescentar alguma melhoria (de fato) a um projeto e – acredite – muitos termos esquisitos para explicar.

Como bem sabemos, a web deixou de ser, há anos, um reduto de nerds e acadêmicos. Era de se esperar que o assunto ‘internet’ acabaria se tornando, praticamente, auto-explicativo. Que nada. O que deveria ser um ambiente em
que tanto seu filho pequeno quanto sua mãe poderiam entender e *acompanhar* sem problemas, virou puro sânscrito.

Quando eu aponto este ‘nó’ de comunicação na web, não me refiro ao simples ato de navegar pela Rede, mas sim em compreender sua evolução. Por isso, grifei o verbo acompanhar no parágrafo acima – navegar é fácil, difícil é não se perder em um mar de novidades e ‘sopa de letrinhas’.

Comece pelo mais fácil: faça uma retrospectiva dos dois últimos anos e relembre como web já mudou, e muito: do Orkut ao You Tube, do jornalismo colaborativo à música digital. Fossem transformações que afetassem apenas o mercado de tecnologia, ou seja, o funcionamento da web - e não o seu uso -, sem problema.

Não é assim que a banda toca, contudo. A Rede caminha a passos largos e juntos precisamos entender o que há de novo para não perder o bonde da Comunicação. Isso vale para você, como profissional, mas para seu filho e sua mãe, também.

Não é difícil explicar para uma criança de nove anos o que é o Orkut – isso se ele não já souber – ou mostrar à sua mãe como assistir o vídeo da apresentação de capoeira do neto no You Tube ou baixar músicas via internet. São aulas que não vão durar mais que alguns minutos.

Agora, quando a mídia começa a falar em ‘Web 2.0’, ‘Web 3.0’ e assim por diante, o cano entope, e o pobre receptor da informação engasga. É como sua mãe fosse tomada de um súbito acesso de tosse ou seu filho engasgasse com uma bala. ‘Web o quê???’

Assim, conclamo tevê, jornais e revistas a facilitar a vida dos reles mortais. Meu filho não precisa saber o que é ‘Web 3.0’, mas o que está por trás deste conceito. É como ele aprende na escola – o importante é entender, não ‘decorar’.

Sua mãe também não precisa esbarrar com termos como ‘Web Semântica’ nas revistas semanais. Ela precisa é saber que, dentre em pouco, vai encontrar muito mais fácil o que procura na Rede, e que ela pode colaborar ‘catalogando’ o que põe na internet – e só.

Desde 1997, quando a web ‘explodiu’ e tomou conta do mundo, uma penca de profissionais – que inclui o colunista que vos escreve -, especialistas em Comunicação Digital, ou até mesmo quem divulga e traduz este universo para o público em geral, têm sido perfeitos em não misturar o acadêmico, o comercial e o público.

Parece, infelizmente, que esta fase acabou. Badalar termos como ‘Web 3.0’ é vender - o que deveria ser feito apenas para empresas - um conceito – do tipo bem acadêmico – para o meu filho, a sua mãe e quem você puder imaginar, que terá toda a razão de achar que é tudo sânscrito, inatingível e até mesmo incômodo. Em suma, são assuntos para ‘olhar’, nunca para ‘usar’.

Deixem os usuários da web respirar, gente. É a velha história de que o que vale é o conteúdo, não a embalagem. Valorizem o sabor do suco, e não o processo de fabricação –isso é detalhe, é o que vem depois, e só para quem se interessar.

Sabe por que estou encabeçando esta campanha? O tempo que eu gasto ceifando as interrogações que afogam seus clientes e os mostrando que não é preciso ter medo (ou pior, desprezo) pelo o que é novo na web, eu poderia estar trabalhando para melhorar a comunicação das empresas na internet.

Junte-se a nós, os que querem simplificar a Rede! E não demore, porque falta muito pouco para alguém batizar algo de ‘Web 4.0’ e a novela recomeçar – aposta quanto? [Webinsider]

Sobre o autor

Bruno RodriguesBruno Rodrigues (bruno-rodrigues@uol.com.br) é autor do livro 'Webwriting' e consultor da Petrobras.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

12 pessoas comentaram o artigo "Descompliquem"

Felds Data: 12/03/2007 às 11:59 am

Atividade:

Cidade:

Concordo com você em absolutamente tudo que disse.

Esse negócio de nomenclaturas comerciais (pseudo técnicas) está mesmo em voga no momento.

São como os players “MP4″ que vendem nos stand-centers de São Paulo (não sei como está no resto do Brasil)

“Mas são MP4 porquê em vídeo!”

Pois é MP4 é formato de música. E já é bem antiguinha, por sinal.

Chamadas assíncronas como no Ajax?
Acho que faziamos isso em flash há alguns anos.

Folksonomia?
Acho que há vários anos a comunidade blogueira já usava. (de um modo mais tosco, mas sempre existiu)

———————————————–

Acho que alguns vêem o distanciamento como nicho de mercado.

“Quanto mais o meu trabalho for inatingível, mais vão valorizá-lo”

Seguem a linha dos engenheiros e médicos que, com razão, ganham bem porque não é qualquer um que sabe estes ofícios. São coisas “distantes” dos mortais.

———————————————–

Tão triste quanto ridículo.
Pena que é verdade

Filipe Tomita Data: 12/03/2007 às 1:00 pm

Atividade: Soluções em sistemas

Cidade: Belo Horizonte

É verdade, o tanto de tempo que dispensamos ao explicar a nossos clientes o que seria “web semântica”, “taxonomia”, “web 2.0″ fora todas as outras sopas de letrinhas que dão um nó na cabeça dos clientes e dificultam muito a análise de aquisição. Apoiado!

Navexxx Data: 13/03/2007 às 11:26 am

Atividade:

Cidade:

Vem ai a WEB 4.5 beta

Paulo Henrique Moraes Data: 13/03/2007 às 11:43 am

Atividade: Desenvolvedor

Cidade: Recife

Concordo totalmente com sua opinião.

Ninguém anuncia uma “técnica que deixa a leitura do site mais rápido e que permite uma maior interação das pessoas”, preferem dizer “WEB 2.0″.

Soa mais bonito, parece ser mais vendável, faz um “diferencial” técnico, gera uma busca por livros e treinamentos sobre o assunto. O profissional vai ter algumas letras novas para colocar no currículo.

Parabéns!
…mas não podemos utilizar estes termos com o público leigo.

Sou desenvolvedor a mais de 10 anos e acho terrível quando um vejo um colega dizer “o site é dot net, o servidor é IIS” para alguém que não é da área. Essa informação não diz nada, só confunde.

Profissionais usam termos como:
- “Seu computador está com a RAM ruim”. (Nossa, eu crio um bicho desses e não sabia!)
- “Seu site vai estar no Apache” (coisa de índio…)
- “Posso instalar um Voip para você” (não, eu prefiro um xoid!)
- “Seu HD está com a trilha defeituosa” (eu não curto esse esporte!)
- “Sua impressora está com problema de buffer” (precisa de boas maneiras!)

É, no mínimo engraçado, para não dizer ridículo, quando vemos a mídia utilizar termos como:
- “Assine a banda larga!” (é uma banda musical nova?);
- “Livre-se da sua conexão dial-up!” (é um creme dental?);
- “Compre uma rede wireless para sua casa!” (rede “uai” o quê?).
- “Tv mesmo é a de Plasma!” (vou chamar os Caça-fantasmas!)

Temos que falar a mesma linguagem das pessoas, descomplicar, usar termos mais simples. É preciso haver uma comunicação clara.

Sei que é difícil adaptar em alguns casos, mas precisamos ter sempre isso em mente!

Lembremo-nos do “YouTube”. Aqui no Brasil é um termo esquisito para o povão, mas no país de origem é um termo bem simples e popular.

Gostei muito do título do site “eu curti”, vende bem a idéia de Web 2.0 sem complicar…

Tenho um site sobre automóveis (www.motorclube.com.br) e sempre que possível evito usar expressões técnicas. Ainda tenho muito o que trabalhar, mas meu alvo é utilizar sempre uma linguagem simples.

A internet não é mais dos nerds, estamos na era do “povão digital”!

Débora R. Santos Data: 13/03/2007 às 8:00 pm

Atividade: Química

Cidade: São Paulo

Concordo. Sou uma mera usuária e me sinto perdida nas informações mesmo tendo um nível de conhecimento intelectual até razoável frente ao da grande massa. Estes dias mesmo ouvi uma propaganda dessas indecifráveis e me peguei cheia de interrogações. Não creio que algum meio de comunicação se diferenciará dos demais, não creio que se preocupará em ser descomplicado… Nossa mídia não sai de uma linha pré-definida para não “ficar de fora”, ninguém tem coragem, pois, se errarem “não tem problema, todos erraram” e “acertar…?” - Não, ninguém ousa… Todos têm medo de ir na contra mão… Sendo assim, nossa única esperança é GRITAR prá que algo mude! Vamos fazer isto…! Aviso: “Por favor, senhores comunicadores, caso queiram vender, sejam claros, objetivos, vocês estão falando com a grande massa, é a massa que compra de vocês!

Cristina Dissat Data: 13/03/2007 às 9:30 pm

Atividade: jornalismo

Cidade: Rio de Janeiro

Acho que existe uma necessidade de dar nomes. Até concordo desde que exista a nomenclatura desde que venha após a explicação. O que sentimos dentro dessa nossa área, com novidades o tempo todo, é o que os pacientes sentem quando o médico faz um diagnóstico lotado de termos científicos. Em muitos casos é para ninguém entender mesmo e eles continuarem com o poder da decisão nas mãos. Com o mercado saturado de profissionais que nem sempre levam seu trabalho a sério, talvez seja uma alternativa para salvar a pele. Mas cautela é bom. Usar conceitos na hora certa ou dizer que não se preocupem talvez seja uma atitude muito mais profissional e competente. Parabéns, Bruno.

Bruno Rodrigues Data: 14/03/2007 às 9:54 am

Atividade: Especialista em Informação Digital

Cidade: Rio de Janeiro

*Felds*, já me perguntaram sobre mp4, também… Não é para dar um nó na cabeça de qualquer ser humano que não trabalhe com tecnologia? *Filipe*, obrigado por aderir à campanha! ;-) *Navexx*, e vem também a Web 2.5.1… :-) *Paulo*, é isso aí: estamos mais para a era do ‘povão digital’ do que da ‘elite digital’. *Débora*, para descomplicar, basta se fazer entender - só isso! *Cristina*, assino embaixo do que você escreveu: ‘usar conceitos na hora certa ou dizer que não se preocupem talvez seja uma atitude muito mais profissional e competente’.

Dado Data: 14/03/2007 às 2:43 pm

Atividade:

Cidade: Lorena

Ha um certo exagero em forçar uma comunicação frisando os “rotulos”; talvez para dar a impressao de conhecimento e dominio sobre a ferramenta em questao. Como foi dito acima, usam-se muitos nomes cientificos enquanto o paciente so quer saber do que esta sofrendo e como sera o tratamento.
Abracos

Eder Prado Data: 14/03/2007 às 4:51 pm

Atividade: Web Designer

Cidade: Cruzeiro

A matéria e os comentários até agora aqui postado são excelentes, parabéns ao webinsider pela qualidade de seus colunistas e visitantes.

Quanto ao texto o Bruno disse mais que tudo…

Vou contar aqui uma situação que eu vivi quando comecei a trabalhar com informática, eu era quase leigo, formatava computadores para torrar todo meu dinheiro em lojas de video-game e certa vez um cliente me disse assim: “Parece tão fácil isso que você tá fazendo, levei meu computador na loja e o cara me falou um monte de babozeira e queria ainda por cima me ‘enfiar a faca’; Não entendi nada o que ele falou e ia pagar por uma coisa que eu não sei!”. E isso aconteceu há mais de 8 anos atrás.

Descomplicar para ganhar a massa!

Parabéns pelo texto e os comentários dispensa comentários[rs].

10° Beraldi Data: 27/03/2007 às 6:54 pm

Atividade: Web designer

Cidade: São Paulo

Se analizarmos bem até as palavras que usamos no nosso cotidiano complicam nosso cerébro, “nomenclatura”, “pseudo técnicas”, e etc. Tudo é feito para complicar a primeira impressão, mas explicar para um cliente que a técnologia dele é apenas uma “técnica que deixa a leitura do site mais rápido e que permite uma maior interação das pessoas”, po que simples…
Mas por traz disto existe toda uma estrutura que assim se torna desvalorizada.

A Internet é so mais uma tecnologia, que engloba todas as outra, e assim se torna a tão complicada a cada dia.
Não a segredo em navega-la, mas “vender seu peixe” em um mercado competitivo é o maior segredo de todos, se ouvesse esse termos talvez a internet estaria podre, pois qualquer profissional seria capaz de desenvove-la.

Então fica para os bons o papel de entender e passar para os clientes.

Como ja dizia o Tio Ben(Homem Aranha) “maior o poder maior a responsabilidade”.

11° Bruno Rodrigues Data: 28/03/2007 às 4:15 pm

Atividade: Especialista em Informação Digital

Cidade: Rio de Janeiro

*Dado*, é velha história: você só rotula algo ou alguém quando há medo envolvido… *Eder*, já comprei o grito de guerra: ‘descomplicar para ganhar a massa’! Está feito… ;-) *Beraldi*, será que o mercado está com receio que o conhecimento sobre web esteja acessível demais ao cidadão comum? A saída seria complicar as coisas para afastar a plebe? Hum… A ver!

12° Diogo Mágno Data: 28/03/2007 às 11:30 pm

Atividade: Estudante

Cidade: Santana do São francisco

Bruno, adorei sua matéria. Ganhou + 1!!

Pretendo me especializar em design e usabilidade para web. Adorei mesmo… O mais interessante é q é algo tão à vista e muitas vezes deixamos q se siga naturalmente. É como a violência… a gente não se surpreende mais com o que se vê na TV… não se pode aceitar isso… algo deve ser feito…

abração!!

Avisos
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