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Fernand Alphen
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O Copyright é entrave à memória, difusão e organização

09 de março de 2007, 11:51

Mais argumentos para o debate direito autoral vs. alternativas como o Creative Commons.

Por Fernand Alphen

“Recente pesquisa da IDC indica que 161 bilhões de gigabytes de informação foram gerados no ano passado em todo mundo”.

Não faço a menor idéia de como essa pesquisa fez para calcular, mas é certo que a conclusão de que não há espaço suficiente para armazenar tantos dados não surpreende nem choca.

Mas me parece que o assunto pode ser muito mais interessante do que simplesmente mais um desses googolplex que poluem nossa existência.

Sabe-se, portanto e também, que não existe dinheiro no mundo capaz de digitalizar, armazenar e organizar toda a produção cultural da nossa espécie. Nem a de hoje nem a do passado, muito menos a do futuro.

Isso nos coloca uma pergunta: o que faremos com ela?

A excessiva proteção aos direitos autorais não estaria sendo um real – e inflexível – entrave não somente à difusão de conhecimento mas também à perpetuação da memória cultural?

Enquanto o debate a respeito das leis de Copyright corre solto, existem talvez mais argumentos a considerar nesse embate que colocam em perspectivas alternativas urgentes às legislações atuais.

Por exemplo, talvez exista uma forma de encarar a disseminação dos softwares P to P como um grande benefício de bem comum. Em prol da memória, em outras palavras. A capilaridade extrema da capacidade de armazenagem beneficia a memória. A difusão desse conteúdo de usuário para usuário além de compartilhar essa produção, de forma igualitária, democrática e barata, economiza a caríssima intermediação de servidores.

Esse é um ponto da questão.

O outro é a própria digitalização dos conteúdos do passado. Certamente não existe dinheiro suficiente na economia para digitalizar tudo aquilo que ainda é analógico ou físico. E mais uma vez, não nos cabe (e não cabe a ninguém) julgar esse conteúdo. Já estou vendo os excitados de plantão (vide autoritários) propondo uma classificação daquilo que vale a pena perpetuar. Portanto, mais uma vez, a capilaridade dos recursos de digitalização beneficiam a memória. Cada vez que uma pessoa digitaliza algo que não tinha memória digital – e mesmo que tivesse – além de dividir com o mundo a produção da humanidade através dos softwares P to P ou por qualquer outro meio digital (e-mail por exemplo), economiza muito dinheiro.

Mais há mais um ponto.

Ainda que se possa imaginar que haja dinheiro, tempo e interesse comercial em se digitalizar e armazenar tudo que foi, é ou será produzido pelos homens, quem é que vai organizar tudo isso? Como vai ser? Talvez a alternativa, mais uma vez, seja de capilarizar a curadoria de conteúdos. Em outras palavras, os conteúdos serão organizados pelos próprios infinitos difusores dos mesmos. Muito mais fácil assim de encontrar o que se procura. Divide-se mais uma vez a responsabilidade e melhora-se a qualidade.

Esses são mais alguns argumentos que deveriam entrar em debate, acredito, cada vez que estamos discutindo direito autoral versus alternativas como o Creative Commons. [Webinsider]

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Sobre o autor

Fernand AlphenFernand Alphen (falphen@fnazca.com.br) é diretor de Branding, Planejamento e Pesquisa da F/Nazca S&S

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ conteúdo colaborativo ] [ direito ]

Comentários

5 pessoas comentaram o artigo "O Copyright é entrave à memória, difusão e organização"

Ricardo Vaz Monteiro Data: 09/03/2007 às 4:06 pm

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Talvez o copyright conviva com o copyleft e outras formas de proteção de direitos autorais. Uma forma não anula a outra. Assim como o software livre não anula o desenvolvimento proprietário… na verdade, acho que estas formas se complementam.

Alexandre Fugita Data: 09/03/2007 às 7:48 pm

Atividade:

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Uau, muito bom o texto e adiciona bastante à discussão dos direitos autorais. Certamente capilarizar o trabalho de distribuir e armazenar informações é a forma mais fácio e barata de perpertuar o conhecimento. Simplesmente genial!

Dirceu Data: 11/03/2007 às 10:52 am

Atividade:

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Só uma palavra: “Wikipedia”

Celso Bessa Data: 16/03/2007 às 1:07 pm

Atividade: Designer/Desenvolvedor

Cidade: São Paulo

Reproduzindo o que já comentei no meu Software Livre é só a ponta do noveloblog em outra ocasião:

Software Livre é só a ponta do novelo
“Sim, porque a questão não é se o software é livre ou não. Software livre é só a ponta de um novelo, apenas uma parte numa grande transformação social. Uma transformação feita de diversas outras transformações como Creative Commons, a blogosfera, as redes Torrent, o Digg It, entre outras, e que ganham força fora do meio eletrônico pois sãos são novas formas de pensar e agir, novas formas de se fazer grandes, médios e também pequenos negócios, de se relacionar com a informação e com seu público consumidor. Algumas nem tão novas assim, pois redes Torrent, P2P têm como ancestral aquele hábito de emprestar fitas para amigos nos anos 1980/1990, lembra?

Como eu disse anteriormente, muita gente ainda vê tudo isso como bicho-papão.”

‘braços

Celso Bessa
planejador, comunicador, fazedor, e wordpresser

Bruno Data: 23/03/2007 às 4:44 pm

Atividade: Futuro Bibliotecário

Cidade: BH

Concordo que “capilarizar o trabalho de distribuir e armazenar informações é a forma mais fácio e barata de perpertuar o conhecimento”, mas, vale lembrar que não GARANTE a perpetuação do conhecimento.

Ninguém garante que daqui a 10 anos (ou 20, ou 30 anos) você vai encontrar na rede eDonkey (do eMULE) algo que você encontrou hoje…para que isso ocorra é necessário que hajam políticas de preservação. E definir políticas para vários usuários, espalhados pelo mundo inteiro que falam diversas línguas não é nada fácil.

Creio que nesse caso, a criação de comunidades de interesses é fundamental.

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