Blu-ray e HD-DVD: até onde vai nossa paciência?
21 de fevereiro de 2007, 18:35Ter dois formatos de alta definição para home vídeo é uma contradição que penaliza o comprador. Tudo indica que a briga não vai terminar tão cedo.
Por
Ninguém ganha com a briga entre a Blue-ray Disc Association (Sony & Cia) e a Toshiba (do HD-DVD), que tem apoio da Microsoft e da Intel.
Até meados do ano passado, muita gente postava mensagens em fóruns especializados rezando que a adoção de um só formato de mídia para alta definição era a única opção viável para o aficionado em home theater, vídeo ou cinema. Bastou a Toshiba lançar o HD-A1, a 500 dólares, e a campanha pelo formato único foi rapidamente esquecida. A mesma turma de usuários saiu comprando e, se não bastasse, começou a tomar partido de um formato contra o outro.
Dá para perceber que a memória do usuário é curta: quando o DVD foi lançado, o Laserdisc era a única opção de vídeo “high-end” para o aficionado. Mas o Laserdisc foi um produto que, em dado momento, chegou a parar de ser fabricado e só voltou porque a Pioneer licenciou a tecnologia da Philips, mudando o nome de LaserVision para Laserdisc, ou LD, no início dos anos 80.
Apesar disso, o LD nunca chegou a ser popular, por vários motivos. E o VCR nunca foi tido como um formato de alta definição. Tudo se consertou quando o DVD chegou ao mercado com o preço do software (discos com programas e filmes) a relativo baixo custo. O DVD acompanhou o CD em portabilidade e qualidade, pois, ao contrário do LD, era totalmente baseado em codecs digitais (áudio e vídeo). O DVD preparou ainda o espírito do consumidor para a tela 16:9 (widescreen) e para o vídeo anamórfico, ainda incipientes na época do lançamento.
Portanto, o salto entre uma mídia (LD) e outra (DVD), a preços populares, alcançou o mercado mais rapidamente do que qualquer outra mídia moderna, inclusive o CD, que levou anos para se firmar no mercado.
Em vista disso, e principalmente em vista da qualidade e dos méritos do DVD, seria mais lógico dar o próximo passo tecnológico de maneira a que se pudesse ter um produto que trouxesse o apelo correto, não só para o aficionado, como também para o consumo de massa. Mas não é o que vem acontecendo na batalha Blu-ray vs. HD-DVD e a gente pode até entender os motivos.
O DVD, apesar das limitações que agora se tornaram óbvias, ainda assim consegue alcançar uma qualidade de imagem que não dá vexame, mesmo num display EDTV ou HDTV de plasma, LCD, projetores etc. Quando a fonte para autorar o DVD é de alta definição, a qualidade da imagem é melhor ainda.
Se for levado em consideração de que o consumo de massa ainda é feito com base em uma TV com tubo, o DVD é mais do que suficiente para resolver a questão da qualidade de imagem na tela do consumidor ainda por muitos anos a fio. A isso, soma-se o custo: por cerca de 150 reais, o cidadão leva para casa um aparelho que toca tudo e, se bobear, ainda tem uma entrada USB para o MP3-player dos filhos.
Faltam motivos para a nova geração de discos
Qual seria o apelo em gastar R$ 3 mil para não conseguir usar nem a metade da capacidade do disco HD-DVD ou Blu-ray? A televisão que o consumidor tem em casa não é preparada para reproduzir a tão badalada (e pouco vista!) alta definição.
Mas, digamos, para efeito de raciocínio, que uma pessoa resolva investir em tudo novo e, num cálculo barato, despender cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil reais, fora a mídia, só para ver Blu-Ray ou HD-DVD. É claro que ele irá querer ter um retorno para compensar o investimento. Neste caso, um retorno plausível. E se, depois de toda a gastança, o cidadão comum não conseguir notar diferença alguma, vai reclamar a quem? Ao Procon?
A briga entre os formatos novos é totalmente incoerente. Se a gente analisar friamente as características de cada uma das duas mídias, as semelhanças são maiores do que as diferenças e, neste caso, o Blu-Ray leva vantagem por causa da capacidade de armazenamento que é maior – em função, principalmente, das aplicações em computadores. Sem contar o apoio de fabricantes e de estúdios, pois, sem software não há formato que resista. E a falta de software é o principal calcanhar-de-Aquiles do HD-DVD. Se isso significa que o Blu-ray vai derrubar o HD-DVD, só tendo bola de cristal para saber.
Por outro lado, a adoção de um reprodutor multimídia, capaz de tocar os dois formatos e prometida por alguns fabricantes para tentar contemporizar a briga, não é uma solução saudável. Porque, entre outras coisas, ela não responde a uma pergunta que o consumidor mais conservador deve estar se fazendo agora: se o investimento em mais de um formato de disco vai acabar se tornando um desperdício de dinheiro no dia em que um dos formatos for abandonado, por que investir?
E se alguém aqui duvida que formatos até interessantes foram abandonados ao longo da história do áudio e do vídeo, é porque não passou por, ou tomou conhecimento de, coisas como: Betamax, Elcaset, cartuchos de 4 e 8 pistas, fitas de rolo, Selectavision, Laserdisc, Digital Compact Cassette (DCC) etc., além das eternas ameaças de extinção para Compact Cassette, LP (fabricado atualmente para meia-dúzia de audiófilos), Minidisc e vai por aí.
Se o cenário que se avizinha entre os especialistas de hoje, que é o uso de módulos de memória na ordem dos terabytes, se concretizar, é possível que a maioria dos formatos de mídia em disco simplesmente desapareça. Ou, quem sabe, fique restrito a um nicho de usuários, tal como ocorre atualmente com o Super Audio CD (SACD) e com o DVD-Audio.
Toda a confusão me entristece muito. Anos atrás, disse a amigos que iria largar uma nota preta para comprar um monitor HDTV, porque achava que os filmes em discos de alta definição iriam chegar ao mercado bem antes das transmissões digitais terrestres. Pois bem, os filmes em alta definição estão chegando e eu não tenho a coragem de comprá-los, pelos motivos citados acima.
Dentro do chamado “primeiro mercado” consumidor de áudio e vídeo do mundo, o mercado americano, é bem possível que as transmissões terrestres em HDTV superem o ímpeto do público consumidor em investir em Blu-Ray ou HD-DVD. Se fosse a nossa realidade aqui no Brasil, nenhum dos dois formatos teria qualquer chance. [Webinsider
.

1° Renato Data: 22/02/2007 às 9:35 am
Atividade:
Cidade:
só houve um pequeno detalhe esquecido, a geração de DVDs também não foi fácil no início, haviam vários formatos, que foram suprimidos há mais ou menos 2 anos por drives que lêem esses formatos…