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Mídia interativa - Comportamento

Michel Lent Schwartzman
Web à vista

O longtail da propaganda

05 de fevereiro de 2007, 10:37

Comerciais criados por 'consumidores' ganham cada vez mais destaque na propaganda, que vai ser obrigada a repensar seu modelo.

Por Michel Lent Schwartzman

Deu no BB de hoje: Comercial criado por consumidor é o favorito do Super Bowl no YouTube. O filme foi feito para a Doritos, em uma promoção criada pela marca para atrair comerciais criados por usuários e foi exibido no evento mais caro da TV americana para se anunciar.

A estratégia é cada vez mais usada: ao invés de criar um comercial com todos os riscos envolvidos (custo, má aceitação, etc), a marca convida os usuários para criarem seus próprios filmes que passam por algum tipo de votação popular (mais barata do que qualquer tipo de pesquisa), ficando o mais votado com algum tipo de premiação (geralmente ridiculamente mais barato do que pagar a produção de um filme).

A primeira vez que eu vi isso, foi numa ação do browser FireFox, chamada FireFox Flix, acho que em 2005. Eles davam 5 mil dólares para o melhor filme e tiveram dezenas de participantes. Na prática, todos os filmes participantes e concorrentes já eram comerciais produzidos para o cliente e já faziam o trabalho de propagar o produto. Ou seja, uma campanha com dezenas de filmes, por 5 mil dólares. O único preço a se pagar aqui: a coragem pra colocar na rua filmes de pouca “qualidade” (totalmente subjetivo). Mas por que não arriscar, se não há custo de veiculação?

Muitas outras iniciativas como essa seguiram depois, eu mesmo tendo pilotado uma das primeiras no Brasil para BenQ com a 10’Minutos.

Acontece que o comercial do SuperBowl mais votado de ontem, ganhador da promoção de Doritos, não é simplesmente um filme feito por um “consumidor”. É um comercial perfeito, bem filmado, editado, finalizado. É um trabalho profissional, feito por alguém que entende do assunto e tem preparo.

Um filme que, por acaso, não saiu de nenhuma agência contratada pelo cliente, mas da multidão de ‘proams’ (profissionais amadores) que está aí fora e que, agora com a internet, começa finalmente a ganhar espaço para mostrar o seu talento.

É o que já vem acontecendo há muito com a música e os artistas que simplesmente se lançam sozinhos ou através de sites como o SellABand.com nos Estados Unidos. A mesma lógica dos diretores, que agora lançam suas mini-séries no YouTube, como Chad Vader e até mesmo a turma do Tapa na Pantera. O mesmo vale para os autores, que lançam seus livros através do chamado “self-publishing” em sites como o Lulu.com.

É a lógica da democratização da produção e dos meios de distribuição que agora começa a chegar na publicidade.

Comercial produzido por consumidor? Não. É um comercial profissional, produzido por profissionais que simplesmente tiveram oportunidade para se fazer notar outra forma, muito mais democrática.

A produção e o acesso democratizado ao conteúdo têm colocado em cheque empresas e mercados até então estabelecidos, como a Blockbuster (x Netflix), a Barnes & Noble (x Amazon), o CD (x iTunes Store e a pirataria).

Fica então a pergunta: se os clientes podem conseguir de forma muito barata material de ótima qualidade criativa (segundo o voto popular), em que medida isso vai afetar o mercado publicitário?

Bem-vindos ao longtail da propaganda. [Webinsider]

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Sobre o autor

Michel Lent SchwartzmanMichel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ TV, vídeo ] [ música ]

Comentários

11 pessoas comentaram o artigo "O longtail da propaganda"

Marcelo Sant'Iago Data: 05/02/2007 às 11:33 am

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Grande Michel, texto ecelente como sempre.
Tenho usado a expressão “Long tail” na propaganda online em minhas palestras com o seguinte enfoque:
- Rich media e outros produtos sofisticados ficam na parte mais larga da cauda, onde são divulgados os produtos mais populares e que ocupam a home dos portais, por exemplo. Esses formatos servem apenas para anunciantes com grandes verbas.

- sSarch engine marketing fica lááá no looong tail, para vender o inventário e servem não só aos grandes, mas principalmente aos pequenos e médios.

Se quiser depois te mando o slide por email.
Abs
MS

Michel Lent Data: 05/02/2007 às 11:37 am

Atividade: Publicitário

Cidade: São Paulo

Fala Marcelo,

Concordo total. Eu ia colocar ‘longtail da propanda tradicional’ como título, mas acho que iria enveredar para um caminho da discussão do que é “tradicional”… talvez dizer que este é o longtail dos comerciais… mas acabei deixando como longtail da propaganda, pois acho que os comerciais são o formato mais popular para o público não especializado.

Manda o slide sim, por favor!

Abs, M

Paulo Rodrigo Teixeira Data: 05/02/2007 às 11:58 am

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Excelente o texto. Como você falou de vídeos, tem também os personagens criados como a LonelyGirl15 e o BowieChick que serviu para promover webcam.

É o poder na mão do consumidor.

Grande abraço

MaWá Data: 05/02/2007 às 2:00 pm

Atividade: Redatora - Salem Guerrilha

Cidade:

Isso afeta o estímulo que a publicidade deve dar aos consumidores, para que eles criem e publiquem coisas favoráveis à marca. Além disso, faz com que a empresa estejam de olho nesse conteúdo espontâneo, para usá-lo a favor delas.

O ponto mais difícil é conter o conteúdo negativo que circula por aí. Ou melhor ainda do que conter, seria aproveitar. Mas aí já são outros quinhentos…

Debora Alonso Data: 05/02/2007 às 2:47 pm

Atividade:

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Ótimo texto, Lent!;)
Certa vez li uma coluna do Marcelo Coutinho no IDGNow, onde ele defendia que a palavra da moda agora deveria ser “cooperação”. Somente desta forma conseguiremos aproveitar todo o montante de conteúdo que é produzido diariamente por todos nós, “internautas”.

Conteúdo de qualidade que precisa ser aproveitado, mas que exigirá mudanças culturais na nossa tradicional forma de relação com o mercado.
:)

godoy Data: 05/02/2007 às 3:45 pm

Atividade: publicitário

Cidade: são paulo

Michel, geralmente não gosto das suas colunas (acho elas um pouco românticas), mas nessa você está de parabéns. Muito interessante, esclarecedor e, principalmente, sensível (tecnicamente falando) à uma mudança que pode ser radical para o mercado publicitário. Só espero que não seja uma porta para o oportunismo predador (afinal, a tendência das corporações é exigir tudo e não pagar nada, e aí como fica?)
Parabéns.

Weder Ferraz Data: 05/02/2007 às 10:43 pm

Atividade:

Cidade: Uberlandia

É Michel, não tem mais “Prova dos 9″, a publicidade está transformando nossa maneira de ver e de levar nossos clientes há um novo metodo de investimento para suas campanhas. A todo momento somos surpreendidos por vídeos e campanhas que transmitem a habilidade e criatividade de um “futuro” publicitário.
É nesse sentido que acredito na democratização e na “Vida” da internet pra quem sabe fazer, e pra todos que querem aprender.
Estou há 03 anos nesta area,e apesar de todos os cursos e portifolio, me considero um mero aprendiz, pois a tecnologia e a inovação anda a passos velozes, e só poderemos alcança-la se ela “Parar”, ou seja, somos eternos aprendizes.(srsrs)
Parabéns pelas suas Colunas, me inspiro sempre na sua maneira de tratar a publicidade.

Abraços,

WF

R. Santana Data: 06/02/2007 às 10:49 am

Atividade: Jornalista / Vídeo Repórter

Cidade: Porto Alegre

Michel, isto me faz lembrar como custava caro produzir um vídeo, hoje com uma hand cam, um computador, e criatividade (é claro), se faz coisas especiais, é como você disse: “democratização da produção”.
Abraço
www.reporterminuto.com.br

Fernanda Gonzalez Data: 06/02/2007 às 12:37 pm

Atividade:

Cidade:

Excelente artigo Michel! Parabéns!
Pois é, e eu como Relações Públicas já podemos ver o movimento em nossa área também….PR 2.0
O futuro em chamar atenção da imprensa sem o famoso press realese e os meios tradicionais está aí…

Abraços

F.G

10° Weder Ferraz Data: 06/02/2007 às 8:11 pm

Atividade: Publicitário

Cidade: Uberlandia

É Michel, não tem mais “Prova dos 9″, a publicidade está transformando nossa maneira de ver e de levar nossos clientes há um novo metodo de investimento para suas campanhas. A todo momento somos surpreendidos por vídeos e campanhas que transmitem a habilidade e criatividade de um “futuro” publicitário.
É nesse sentido que acredito na democratização e na “Vida” da internet pra quem sabe fazer, e pra todos que querem aprender.
Estou há 03 anos nesta area,e apesar de todos os cursos e portifolio, me considero um mero aprendiz, pois a tecnologia e a inovação anda a passos velozes, e só poderemos alcança-la se ela “Parar”, ou seja, somos eternos aprendizes.(srsrs)
Parabéns pelas suas Colunas, me inspiro sempre na sua maneira de tratar a publicidade.

Abraços,

WF

11° Ronaldo Data: 01/03/2007 às 10:32 am

Atividade:

Cidade: São Paulo

Bem, do meu ponto de vista a publicidade hoje não passa de fazer brincadeirinhas com o produto do cliente, escrever frasezinhas engraçadas, trocadilhos e etc.. ou seja, uma grande babaquice e uma grane mentira, essa é a verdade.

É só analisar as propagandas de cerveja, que são uma grande porcaria. Coitados dos clientes que investem muita grana e obtém um serviço que não passa de modismo e ilusão, agora, conceito em cima dos produtos deles, cadê? Salvo algumas excessões.

Agora, quando os próprios consumidores tem a oportunidade de fazer comerciais para os produtos que eles mesmos consomem, já é de se esperar oq vem por aí.. mais babaquice inútil.

Afinal, publicidade era inteligente antigamente, hoje.. tudo palhaçada pras agências ganharem dinheiro de qualquer jeito.

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