Youtube ou o perigo da referência universal.
01 de fevereiro de 2007, 0:11“Ah, é legal, achei no Youtube” é o mesmo que dizer “Ah, é legal, achei nas seleções do Readers Digest”.
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É sempre a mesma coisa: quando surge alguma novidade, enquanto os guetos antenados ejaculam de prazer precoce, a plebe desconfia ou rejeita. Mas logo depois, quando o assunto já virou notícia de revista de cabeleireiro, daí, como num passe de mágica, sem meio-tom, a coisa vira referência universal, bíblia sagrada, catecismo evangelizador.
O Youtube é bacana? Não diga. É legal essa coisa de se expressar livremente, de virar conteúdo, de ter audiência anônima, de diversificar seus mananciais de referências. É democrático, divertido, blablablablaba.
E a proposta aquí não é discorrer sobre o Youtube ou qualquer veículo de cunho colaborativo. É só debater algumas manias universais.
O que é o Youtube? Um repositório caótico de porcarias inúteis, um rebotalho desqualificado do lixo do lixo da produção pseudo criativa da humanidade, o desesperado vômito dos párias. Com raras, raríssimas exceções. Como se do mar inglório de banalidades surgisse, vez por outro, pérolas.
Normal. Tão normal que não é diferente de qualquer biblioteca pública, programação de televisão, loja de aluguel de dvd, line-up de rádio. Tão normal quanto qualquer discussão, brainstorm, conversa de boteco. A diferença não está no conteúdo portanto, está tão somente na organização, na possibilidade pretensa de encontrar mais rapidamente o que se procura.
Portanto, a diferença não está no conteúdo. E se não está no conteúdo, referir-se ao Youtube como fonte de inspiração é mais ou mesmo a mesma coisa que referir-se à biblioteca do congresso americano na hora de escrever um livro.
Estar no Youtube não é carta de nobreza de nenhum conteúdo. “Ah, é legal, achei no Youtube” é o mesmo que dizer “Ah, é legal, achei nas seleções do Readers Digest”. Pega até mal. É uma referência estúpida dizer “achei no Youtube”. Sem sentido, burra. Ninguém diz que encontrou uma referência ou inspiração ótima na coleção “Clássicos da Literatura”!
E mais: desde quando o Youtube é fonte? O Youtube ou qualquer veículo de cunho colaborativo não tem, por definição, autoria mas autorias. Nem opinião, nem estilo, nem nada.
É neste quesito que reside todo o interesse desse tipo de veículo.
No quesito “me expresso sem filtro” (mais ou menos porque alguns assuntos são sim proibidos no Youtube) está o interesse do veículo.
No quesito “pega aí, chupa à vontade” reside toda novidade de qualquer veículo com uma proposta colaborativa.
Perceberam a tolice de sequer citar o Youtube como referência? [Webinsider]
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1° manu Data: 01/02/2007 às 8:35 am
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Se é pra transformar em ouro qualquer merda, ainda sou mais o SBT.
Se é pra referenciar porcaria, quero sugar na fonte, na essência.
E, realmente, o YouTube (ou a internet em si) é tão alienante quanto a TV. Mas sempre tem alguns guerreiros no mar de porcaria.
Coitada da TV Cultura.
Coitado do blog do Nassif.