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Paulo Roberto Elias
Áudio e vídeo

Manipulação de opinião em fóruns: desconfie

21 de janeiro de 2007, 16:26

Fóruns ditos "técnicos" podem esconder funcionários de indústrias interessadas no tema e lobistas nem sempre com as melhores intenções.

Por Paulo Roberto Elias

Até poucos anos atrás, fóruns técnicos na internet eram excelentes fontes de consulta para temas complexos, como é o caso das tecnologias inerentes aos displays e monitores.

Hoje, minha percepção mudou bastante. Do simples pedido de ajuda, que era o motivo principal pelo qual novos participantes apareciam todo dia, os fóruns passaram a ser uma arena de formação de opinião e de campanha por produtos e padrões. Os fóruns se tornaram presa fácil dos oportunistas, que viram ali um terreno fértil para empurrar pela goela abaixo do entusiasta/curioso/afoito, padrões que nunca foram devidamente aceitos.

A ficha custou a cair. Num belo dia, comecei a ler mensagens um tanto ou quanto estranhas, a favor do HDCP (High Definition Copy Protection). E embutidas nessas mensagens, apareceram outras, endossando a censura de códigos de região, DRM (Digital Rights Management) e censuras correlatas, que, cá entre nós, estão mais do que desmoralizadas no resto do mundo desenvolvido e só interessam mesmo aos lobbies americanos de provedores de conteúdo, leia-se “estúdios de cinema e televisão”.

Ora, a internet foi criada e desenvolvida debaixo do princípio da liberdade de expressão, fator garantido inclusive na constituição norte-americana, e portanto não ficou, de início, muito claro porque aquelas pessoas estavam defendendo esses tipos de censura, e questionando os desbloqueios de leitores de disco.

Com a devida insistência de argumentos contra, e analisando com calma as respectivas respostas, acabou ficando evidente que muitas daquelas pessoas ali trabalhavam para instituições que vêm abraçando de maneira radical estes princípios. Alguns acabaram confessando, mas outros ficaram na encolha. A propósito, um fórum como o do Áudio/Vídeo Science (AVS Forum), aparentemente exige que o usuário declare que trabalha nessas instituições, e aí, pelo menos, quem não tem nada e não concorda com isso, sabe onde está pisando!

A gota d’água foi um recente ataque à Sony, por causa do Blu-Ray. Quem vem acompanhando este mercado, sabe que a Sony tem tecnologia digital para a gravação ótica de alta definição desenvolvida há anos – e o Blu-ray é apenas uma implementação desta tecnologia. Mas, na briga pelo estabelecimento de padrões, a Toshiba associou-se à Microsoft e peitou a Sony com o HD-DVD.

Note que se o Blu-Ray não tivesse méritos, não teria obtido o imenso apoio de estúdios e dos fabricantes de leitores e gravadores. Os ataques contra a Sony foram tão pífios e tão baixos, que chegaram a causar estranheza. E a quem interessa este tipo de ataque? Certamente que não ao usuário final, que nem sequer se envolve na disputa de royalties, porque no final quem paga a conta é ele mesmo! Isso é um interesse exclusivo das indústrias. Essa guerra dos formatos foi amplamente repudiada pelas comunidades de usuários, mas esse grupo vem distorcendo os fatos, alimentando temores sem nenhum fundamento, e com isso incentivando as pessoas a adotar um sistema contra o outro.

Moral da história: muito cuidado com o que se lê pela internet. Manda o bom senso que se use a rede para pesquisar e receber informações de todas as fontes, e não apenas de um indivíduo ou de uma comunidade. [Webinsider]

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Este artigo foi originalmente publicado no website pessoal do autor.

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Sobre o autor

Paulo Roberto EliasPaulo Roberto Elias é professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRJ, hobbyista em áudio e vídeo, Mestre em Ciências (M.Sc.) e Ph.D. em Bioquímica. Manteve, até recentemente, o site Miragem, cujos artigos podem ser lidos aqui.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ TV, vídeo ] [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ]

Comentários

6 pessoas comentaram o artigo "Manipulação de opinião em fóruns: desconfie"

eliton Data: 21/01/2007 às 11:48 pm

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Realmente em alguns fóruns o pessoal tenta manipular a gente , fazer com que escolhamos um tal formato ou tal padrão , tem uns engraçadinhos que tentam nos induzir mas eu tenho opinião própria e no caso eu prefiro o Blu-Ray e não o HD-DVD , pois o Blu-Ray tem mais capacidade e pode ficar tão barato quanto o HD-DVD em alguns anos.

Alex Hubner Data: 22/01/2007 às 2:11 am

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Acrescente na lista de locais de atuação os blogs. O que dizer de blogueiros que recebem para falar bem de determinado produto, padrão, iniciativa, sem mencionar isso? Muitos formadores de opinião estão vendidos.

Já seria esta uma realidade brasileira? Se não é, não demora muito.

Phair Data: 22/01/2007 às 8:17 am

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Atualmente, a SONY sofre um linxamento moral na imprensa por vários motivos: o caso do rootkit nos CDs e o dominio da plataforma PlayStation no mercado de videogame.

Camilo Data: 22/01/2007 às 8:32 am

Atividade: Webdesigner

Cidade: São Paulo

Também já notei essa tendência ao HD-DVD, acho até estranha tamanha aversão ao Blu-Ray e à Sony, que sempre teve produtos bons e é sinônimo de qualidade.

É preciso se cuidar para não misturar a discussão, seja num fórum ou blog, com a manipulação e se deixar levar pela opinião alheia por pura onda.

João Laureano Leme Data: 23/01/2007 às 12:34 am

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Tentei indicar em um fórum um texto muito esclarescedor sobre um tema de certa forma correlacionado a HDCP e não é que surgiu um certo integrante defendendo com unhas e dentes isso que já vem sendo reconhecido como algo extremamente ruim para o usuário.

Paulo Roberto Elias Data: 23/01/2007 às 10:22 am

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A respeito do Blu-Ray, eu creio que seja necessário acrescentar o seguinte: primeiro, até onde eu tenha lido, todas as críticas feitas ao Blu-Ray não têm amparo técnico em nenhuma das suas características; segundo, porque, na maioria das críticas mais radicais, os detratores do Blu-Ray se esqueceram, propositalmente ou não, de mencionar que o disco Blu-Ray é apenas uma mídia (ou suporte, se quiserem), para transportar os codecs de alta definição.

Na prática, a coisa funciona assim: o estúdio decide lançar um filme em disco. Primeiro, ele manda para um laboratório uma cópia para ser telecinada, no caso, em 2K ou 4K de resolução. A partir daí uma master é feita, e depois levada para a autoração, onde qualquer conversão de codecs é possível, antes da masterização final.

No caso do áudio, por exemplo, depois de mixar todas as trilhas, faz-se uma master digital, tipo ProTools, que é enviada para a autoração. Com base no projeto do disco, o codec será escolhido, e pode ser Dolby Digital, DTS ou LPCM.

Os críticos do Blu-Ray que eu li decidiram ignorar isso, e se concentraram em dizer que a imagem não é tão boa quanto a do HD-DVD, e no caso do forum que eu freqüentei durante os meus últimos anos, não adiantou colocar isso, que a turma fez vista grossa.

O Blu-Ray é uma mídia, com capacidade muitas vezes maior, em bytes, do que o HD-DVD. Só isso já bastaria para estimular a adesão dos grandes estúdios americanos, que foi o que aconteceu. Por ter alta capacidade de memória, o Blu-Ray é capaz de aceitar codecs de baixa eficiência, como o MPEG-2, e incluir codecs de áudio sem compressão, sem prejuízo do trabalho autorado. Mesmo assim, o padrão estabelecido pelo Blu-Ray admite praticamente todos os outros codecs de vídeo, que comprimem com menos artefatos, ou seja, tem espaço para todo mundo, que já optou por não continuar com o MPEG-2.

Agora, sair criticando a mídia, e não o conteúdo, só se a gente fosse idiota para engolir! Em termos de performance, ambas as mídias Blu-Ray e HD-DVD, não poderiam ter diferença, e o que sobra de fato é ganância na briga dos royalties.

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