Sociedade 2.0 e o software livre como framework
19 de janeiro de 2007, 14:57O mundo ficou mais rápido e o desenvolvimento de software também, não se sabe o que veio primeiro. Nosso amigo, desenvolvedor fã de software livre e frameworks, explica como isso acontece.
Por
Sou desenvolvedor de softwares, e apoio abertamente a utilização de software livre. Muitas pessoas, de diferentes perfis, me perguntam porque utilizar software livre. Aqui vai a minha resposta.
A sociedade de hoje vive em meio a uma transformação digital. Esta mudança se deve à quantidade de informações que elas podem obter num curto período de tempo, ou seja, a facilidade de acesso à informação, um reflexo do “boom” da computação dos últimos 10 anos.
Muita coisa mudou desde a época dos mainframes, principalmente, a dinâmica de desenvolvimento de programas. Segundo a consultoria Forrester, estamos caminhando para a “Sociedade 2.0”, que seria o emaranhado entre sociedade e tecnologia. É, na verdade, a sociedade criando demandas e dependendo cada dia mais da tecnologia.
Ao longo deste período, as empresas e principalmente os desenvolvedores de software começaram a perceber que certas rotinas eram simplesmente copiadas de um projeto para outro, pois continham muita coisa em comum. Com isso, habituou-se a criar ambientes que hoje são chamados de frameworks.
Frameworks
Framework em inglês quer dizer estrutura. E na linguagem técnica de computação também!
Hoje, as pessoas não ficam “reinventando a roda”, e sim, adaptam-na para suas necessidades. E é exatamente neste aspecto que o software livre se encaixa como uma luva. Com a detenção do código fonte, hoje os softwares viraram muito mais do que simples utilitários, e sim grandes frameworks de desenvolvimento.
As empresas que ganham dinheiro com software livre, não apenas desenvolvem o utilitário, mas sim expandem-no para melhor se adaptar as suas necessidades. O mais importante disso tudo é que elas não perdem tempo com processos comuns, e no jargão do mundo business, “tempo é dinheiro”.
Tomo como exemplo a empresa onde trabalho. Lá, utilizamos um CMS muito popular chamado Tiki/CMS Groupware. Porém, em cima do esqueleto de um sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS), conseguimos “plugar” uma série de produtos de diferentes naturezas, utilizando toda a base que está por trás do Tiki, sem nos preocuparmos com coisas básicas como autenticação de usuários, gerenciamento de grupos e etc. Já fizemos portais de imobiliárias, portais de editoras, CRMs, softwares de gerenciamento de documentação e hoje o foco da empresa está na venda de ferramentas para construção de comunidades.
O que mais me deixou impressionado nesses anos de trabalho é a velocidade e facilidade com que conseguimos desenvolver os produtos e a independência que isso nos dá. Além de existirem inúmeras pessoas trabalhando em cima do software com outras perspectivas, com a criação de uma comunidade sabemos exatamente “onde” procurar ajuda, seja ela técnica, funcional ou operacional.
Isso é chamado de “agregar valor”, ou seja, você incorpora o valor já existente de uma ferramenta ao seu produto e, pela mesma via, você transfere à ferramenta todo o valor do seu produto. Com a comunidade, a empresa vê um nicho de cérebros que podem trabalhar a seu favor e uma fonte de suporte para problemas inusitados.
Não basta ter uma grande idéia; é preciso também ser ágil no desenvolvimento e levar a inovação para o dia-a-dia. O sucesso do navegador Mozilla Firefox, por exemplo, não está apenas nas idéias, e sim na constante inovação que oferece. O Firefox trouxe muitos avanços e hoje um navegador é muito mais do que um simples visualizador de páginas. Nele, conseguimos “plugar” outras funcionalidades que o tornam mais poderoso, deixando o software do nosso jeito.
A grande arma do Firefox não foi a introdução do conceito de “abas” de navegação, mas a flexibilidade que ele dispõe devido ao ótimo framework que está por trás.
Portanto, a grande lição que tiro desta “invasão” do open source em nossas vidas é a de que devemos unir esforços para minimizar o custo de trabalho e aumentar a qualidade, para podermos ser livres para criar e tomar a direção certa, mesmo que esta seja aquela oposta à que escolhemos uma vez. [Webinsider]
.


1° Elton S. Fenner Data: 22/01/2007 às 8:08 am
Atividade: Analista de Rede
Cidade: Porto Alegre
O texto está ótimo, inclusive vou passar para uma colega de trabalho da área jurídica que me perguntava justamente sobre software livre agora pela manhã.
Apenas uma pequena observação: não tenho a data, mas parece que a introdução de navegação por abas se deu com do navegador Opera.