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Usabilidade e AI - Redes sociais

Tags e folksonomia: o usuário classifica a informação

12 de janeiro de 2007, 1:07

Sistemas que usam tags para classificar conteúdo, presentes em serviços populares como Technorati, Del.icio.us e Flickr, lidam com a percepção e opinião humana como solução para problemas de organização de informação.

Por Humberto Zanetti

Nos blogs é comum encontrar ícones que apontam para ferramentas como Technorati ou Del.icio.us, onde você pode indexar aquele conteúdo em seu bookmark pessoal. A indexação ou classificação de conteúdo pode utilizar tags para realizar esta tarefa. Os usuários de sistemas de tagging formam listagens que se prestam a uma pesquisa pessoal e organizam endereços de sites, posts em blogs preferidos, imagens, notícias, etc.

O termo “folksonomia”, cunhado por Thomas Vander Wall, é a junção da palavra inglesa “folks” (para determinar pessoas) e “taxonomia” (a ciência de classificar), formando alguma coisa como “classificação do povo”. Os sistemas de tags formam também uma rede social de informações, onde é feita a busca pelos usuários, através das relações formadas entre a informação em si e suas tags relacionadas.

Nesse ambiente são considerados três elementos:

  • Pesquisa. Refere-se às relações entre informação e classificação entre links e suas tags. Critérios de relevância são usados, como por exemplo tags mais buscadas ou representação espacial como clouds (nuvens).
  • Tags. Determinada palavra que reflete a classificação de determinado conteúdo. Após uma análise de uma informação é formada um relação com palavras que façam sentido ao contexto descrito, sem pontos chaves ou classificação.
  • Usuários. São as pessoas que fornecem a informação e estabelecem a organização para ela. O usuário é a parte pensante do processo.

Pesquisa através de tags

A folksonomia permite que as pessoas classifiquem conteúdo de diversas maneiras. A cada vídeo inserido no YouTube, por exemplo, podemos colocar uma tag diferente, tornando-a específica. No momento da busca a tag servirá para aquele vídeo exclusivamente.

Outro exemplo é o uso de tags para classificação de conteúdo dentro de um blog. A cada post inserido pode-se relacionar uma ou mais tags; quando houver a busca, serão listados os conteúdo relacionados a uma tag específica ou a todas.

Uma busca específica depende muito da organização que o sistema dispõe. Vamos imaginar o seguinte contexto: quero procurar aves da fauna brasileira. Então realizo uma busca por “aves”, depois uma busca por “Brasil” e por fim, por ambas as tags. Buscar pelas tags individualmente trará resultados, mas a pesquisa por ambos os termos pode me trazer melhores resultados, pois traça um caminho para conteúdos que pessoas acreditam que essas tags juntas classificam bem a informação contida.

Além desses exemplos, podemos citar relações entre pessoas ou grupo de pessoas e um conteúdo específico. Ou entre pessoas e grupos de interesse, etc.

Há muitos serviços em funcionamento que utilizam esses sistemas. Veja alguns exemplos mais representativos:

  • Flickr. Compartilhamento de fotos e imagens, onde os usuário inserem suas imagens pessoais e determinam tags para uma pesquisa posterior.
  • Del.icio.us. Bookmark pessoal, onde o usuário pode relacionar links de seu interesse e classificá-los por assunto.
  • Technorati . Possibilita o relacionamento de blogs, com seus autores e tags de seus posts.
  • YouTube. Compartilhamento de vídeos onde a busca é feita através de tags que os classificam.
  • Last.fm. Usuários listam suas preferências musicais através de artistas e seus álbuns e composições.
  • Zoomcloud. Possibilita a formação de uma nuvem de tags e a inserção em blogs ou sites.

Todos esses sistemas citados provêem um ambiente social e colaborativo, mas os sistemas de tags podem ser usados em ambientes organizacionais, em filtragem de spams e ferramentas de pesquisa acadêmica, entre outras finalidades.

O interessante é que o tagging possibilita a modelagem de um ambiente onde a percepção e opinião humana valem como referência de busca e podem ser uma solução para os problemas de organização de informação. [Webinsider]

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Sobre o autor

Humberto Zanetti (profzanetti@gmail.com) é professor pela Anhanguera Educacional S.A., freelancer e pesquisador em arquitetura da informação, user interface e design de interação e mantém site e blog pessoais.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ buscadores ] [ conteúdo colaborativo ]

Comentários

5 pessoas comentaram o artigo "Tags e folksonomia: o usuário classifica a informação"

Ana Brambilla Data: 12/01/2007 às 10:31 am

Atividade: jornalista

Cidade: São Paulo

Caro Humberto,
obrigada! Precisávamos muito de um artigo objetivo e esclarecedor sobre folksonomy! Parabéns!

Alexandre Data: 12/01/2007 às 1:25 pm

Atividade: Bibliotecário/Arquiteto de informação

Cidade:

Vejo um problema com essa liberdade de “etiquetar” as informações, por conta da falta de um padrão para incluir as tags. Pode colocar qualquer coisa, sem critérios. Digo, um usuário vai classificar um artigo, arquivo ou imagem de uma maneira diferente de outros usuários. Por fim, muitos documentos acabam se perdendo na internet por conta disso. Sinto esse problema, por exemplo, no YouTube.

Marcelo Data: 18/01/2007 às 10:34 am

Atividade:

Cidade:

Nunca tinha entendido direito este negócio de folksonomia,, mas agora ficou tudo mto claro.. valeu;)

Guilherme Land Data: 18/01/2007 às 1:15 pm

Atividade: estudante de comunicação digital

Cidade:

“Digo, um usuário vai classificar um artigo, arquivo ou imagem de uma maneira diferente de outros usuários. Por fim, muitos documentos acabam se perdendo na internet por conta disso.”

Alexandre, você identificou um problma de arbitrariedade na classificação, mas não é o mesmo quando o Yahoo! encaixa este site na categoria tecnologia? A falta de critérios é metade da graça da folksonomia e é incrivelmente organizado.

Leticia Data: 18/01/2007 às 2:01 pm

Atividade:

Cidade: São Paulo

Alexandre, acredito que quando a folksonomia é criada em um ambiente colaborativo muito ativo estes desvios de classificação causados por erros de interpretação ou por falta de síntese, que pode ser gerado por uma pequena parte dos usuários, acabam não prejudicando a “encontrabilidade” do conteúdo. Por outro lado, acho que a folksonomia só deve ser aplicada em ambientes bastante colaborativos.

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