Os meganichos
20 de dezembro de 2006, 16:57Sites de nicho em lingua inglesa passam de um milhão de usuários e viram pequenos negócios viáveis.
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A nova internet, pós-bolha, está para lá de interessante! Quando a gente acha que está tudo dominado, aparecem novas teses ou conceitos que precisam ser rapidamente interpretados e cuidadosamente analisados por quem milita no meio.
Lógico, tem muita bobagem nisso tudo, mas normalmente esses “novos conceitos” indicam tendências de mudanças de hábitos ou comportamentos nesse nosso maravilhoso mundinho.com.
A web 2.0, o mundo plano e o conceito da cauda longa são alguns temas interessantes que pudemos explorar em artigos anteriores.
Neste artigo, quero explorar um pouco mais a economia de nichos.
A tese da cauda longa, de Chris Anderson, defende (e eu concordo) que a escala que a internet alcançou, especialmente por meio do varejo online, já permite que milhões de “produtos de nicho” possam responder por expressivos volumes de faturamento, substituindo boa parte das vendas dos “produtos de sucesso” (hits).
É a histórica e já tão enraizada economia de massa sendo substituída em boa parte pela surpreendente economia de nichos. E-bay, Amazon e Google (cauda longa da publicidade), com seus números, validam a tese!
Maravilha, mas isso é aplicável no ambiente transacional, na forma e na estratégia de vender produtos ou serviços na internet.
Mas vamos pensar um pouquinho sobre os sites de informação e relacionamento de nichos (vamos excluir da análise as redes sociais como Myspace e Orkut) que não necessariamente “vendem” produtos ou serviços e que precisam de audiência para existir e sobreviver.
No passado, a maioria dos projetos em ambiente web feneceram pela completa ausência de um modelo de receita viável e não necessariamente de audiência. Naquela época, já se dizia que para existir na web seria necessário seguir a seguinte máxima: “Seja grande, pegue um nicho ou caia fora!”.
Quem optou por trabalhar bem um nicho pode ter se dado bem e construído um “meganicho”. A internet (especialmente a americana) está povoada de sites e serviços de “nichos” de que a maioria das pessoas jamais ouviu falar, mas que silenciosamente atingiram uma base de usuários maior do que a circulação impressa dos jornais Folha de São Paulo e O Globo somada.
Meganicho, segundo Clay Shirky, é uma pequena fatia da audiência da web representada grosseiramente por 1 milhão de usuários.
A audiência do Dogster, site onde os donos dos cães montam o perfil dos seus bichinhos! O site teve neste ano uma média aproximada de 15 milhões de page views diários e bem mais de 1 milhão de usuários.
Lá os “donos” podem colocar o nickname do seu cãozinho, as preferências dele (coisas de que o bichano gosta e não gosta), o brinquedo favorito, enviar fotos e até montar um diário. Animal, não?
Pois eu não acho. Acho uma babaquice! É uma espécie de Orkut de cachorro! O site ainda por cima é tosco e de muito mau gosto!
Tem um bocado de cultura inútil, também. Lá, por exemplo, eu descobri que o nome mais popular para cachorros de língua inglesa é Max. Só no Dogster tem mais de 1.500 perfis de cachorros com o nome de Max!!
Só que não adianta nada eu não gostar e achar que esse conteúdo não interessa a 99,9% da internet. Existe mais de um milhão de doidos que adoram o Dogster e acessam o site para inserir conteúdo, olhar os novos perfis e dar audiência ao site.
Observe que, numa internet de 1 bilhão de usuários, 0,1% é representado exatamente por 1 milhão de pessoas (não, de cachorros) e pode constituir um meganicho.
A matemática é simples. Um pouquinho de uma imensidão é muito.
Projetos de internet como o Dogster (diferente da fase pré-bolha) são normalmente tocados por uma equipe mínima (às vezes duas ou três pessoas full-time) e um grupo grande de colaboradores que pode chegar a 50, 100 ou “n” pessoas. A receita vem de publicidade, inclusão de conteúdo em megaportais, links patrocinados, venda de produtos associados e outras fontes potencializadas pelo canal principal, como palestras e treinamento.
Os proprietários dos sites de meganichos não aparecem na “The Economist” ou na “Forbes” com ar de gênio da web, como no passado. Apenas têm a satisfação de construir, dentro de um ambiente de afinidade, seu próprio negócio, com modelo de receita suficiente para sobreviver bem e continuar crescendo.
O problema é que todos os sites citados e outros tantos “meganichos” são concebidos para “english speakers”. O nosso Brasil (país do futebol e, agora, também do vôlei) tem muito mais analfabetos do que “english speakers”.
Então, por enquanto, com uma internet de aproximadamente 40 ou 50 milhões de usuários (considerando todos os países de língua portuguesa), ficamos afastados dos meganichos, ironicamente, por problemas de comunicação. [Webinsider]
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1° Guilherme Nascimento Valadares Data: 20/12/2006 às 5:18 pm
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Adorei o artigo, Cesar, tenho pesquisado muito sobre os modelos de negócio na internet e aposto que os nichos são a solução.
No entanto, percebo nosso afastamento dos meganichos como uma oportunidade. Silenciosamente, há muita gente construindo grandes nichos aqui no Brasil e dentro de 1 ou 2 anos te garanto que vão surgir inúmeros negócios de sucesso aparentemente “do nada”. E em língua portuguesa. =D
Recomendo a leitura do seguinte artigo, que trás um exemplo da cauda longa em ação na disputa Google vs Technorati: http://www.revolucao.etc.br/archives/long-tail-nas-buscas-google-ou-technorati/
Abraço,
Guilherme
www.papodehomem.com.br