Pirataria
15 de dezembro de 2006, 10:20Diversidade e competição são irmãs. Sem diversidade não existe competição. Sem competição, não existe evolução.
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A ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) divulgou algumas semanas atrás um estudo, encomendado ao Ipsos. O estudo mostra que, das famílias que compraram um PC do programa PC para Todos, uma parcela imensa (73%, pelo menos) trocou o sistema original por um Windows.
Isso não me espantou. Afinal, um Windows XP pirata custa R$ 10 no camelô da esquina. O mesmo preço que o Office, o Photoshop ou o Windows 2003 Server.
Na verdade, sou capaz de apostar que um monte deles nem chegou a bootar o Linux que veio instalado para saber a cara dele.
Avestruzes
O que me espantou não foi o “índice de desistência” dos usuários. O que me espantou foi a inocência na interpretação de alguns dos dados da pesquisa.
Por exemplo, dizer que 47% são usuários de Windows pirata é ser muito inocente.
Quem é que compra um computador em parcelas de menos de R$ 90 por mês e gasta R$ 469 em um sistema operacional? Aliás, um sistema que vem quase sem nenhum programa e que vai precisar que gastem, no mínimo, R$ 369 (que é o preço do Office 2003 para estudantes) para poder abrir um arquivo do Word ou Excel.
Acreditar que só 47% dos usuários de Windows são piratas praticamente justifica o diagnóstico de um “Complexo de Polyanna”.
A solução proposta pela ABES
Eu gosto sempre de lembrar as pessoas de que todo problema tem uma solução simples, elegante e errada.
É claro que a ABES propõe que o governo relaxe em sua postura de não admitir software proprietário no pacote. É disso que a ABES vive — das contribuições de empresas de software. Dando nomes aos bois, a ABES propõe que o governo permita o uso de recursos públicos para financiar a compra do sistema Windows Starter Edition. Isso mesmo: Aquele que só deixa você abrir três programas.
Dizem eles que o governo impõe o uso do Linux. Isso é bobagem — o governo apenas exige que o software seja livre. Os fabricantes podem atender a exigência usando Linux, BSD, ReactOS, Darwin, Oberon ou qualquer outra coisa com a licença de uso correta.
Sejamos sinceros: quanto tempo um usuário mediano aguentaria um Windows que não o deixa abrir mais do que três janelas? Que tipo de usuário acredita que o computador não deixa ele abrir mais de três janelas porque o computador dele é “fraquinho”?
Isso sim é um incentivo à pirataria: pagar por um software com uma limitação arbitrária imbecil como essa.
Quem ainda acredita, de verdade, que a oferta de Windows XP a R$ 10 vai desaparecer com isso levante o braço.
Mais Polyannas.
Monopólios
O mercado de software é um mercado propenso à formação natural de monopólios. Quanto mais usado é um produto, mais útil é usá-lo também. É por isso que tanta gente usa Windows — muita gente usa porque muita gente usa. Como muita gente usa, é mais fácil encontrar produtos para ele.
Como software pirata, por exemplo.
É incrivelmente difícil encontrar nos camelôs, por exemplo, um AIX 5L Expansion Pack, um OS/2 para PowerPC ou um BeOS. Ocasionalmente eu me divirto perguntando por algo assim e observando que o rapaz, diligentemente, anota o meu pedido. Não tenho qualquer intenção de ir buscar o CD se, depois de porcos voarem e do inferno congelar, ele os conseguir.
Discriminação de preços
Discriminação de preços é quando você vende o mesmo item a preços diferentes para mercados diferentes. No caso do Windows, a Microsoft vende o mesmo Windows XP por um preço para os lojistas. É da Kalunga que eu peguei o preço de R$ 470 (469, na verdade). A Microsoft também vende o mesmo Windows XP para grandes clientes a preços menores (uma empresa que tenha 1000 desktops Windows não vai precisar desembolsar R$ 470 mil para instalar XP em seus computadores — e pode gastar a diferença nos necessários anti-vírus, anti-spyware, anti-malware e anti-tudo). A Microsoft também vende o mesmo Windows XP para os fabricantes de computadores, nas chamadas licenças OEM, por um preço muito menor — o preço de um XP nessas condições está perto de R$ 100.
A isso, combina-se a ação da ABES em conjunto com as polícias, para encontrar as empresas que usam software pirata e, possivelmente, oferecer a opção de legalizar seu uso do software pirata, pagando por ele. Com isso, temos mais uma categoria de preços — que permite praticar preços limitados apenas ao preço da multa combinada ao incômodo de se ir pra cadeia.
Assim a Microsoft (e outras, claro) pode vender seus produtos pelo maior preço admissível para cada tipo diferente de cliente, do fabricante, que vende milhares de unidades, ao geek, que monta seu próprio computador, passando pelo empresário que não sabe direito o que tem nos próprios computadores e será ajudado nisso pelos nossos amigos da ABES em um processo doloroso e potencialmente fatal para a empresa, mas muito educativo para quem participa dele.
Até aqui, isso é natural e não é exclusividade da Microsoft. Qualquer empresa que procure lucros vai fazer isso.
O maior mercado de todos
O software dela compete em mais um mercado.
Ao dar as costas ao pequeno pirata — o camelô, o adolescente espinhento que montou seu micro e instalou um Windows pirata, o médico que trocou seu Windows 98 por um XP ou o trabalhador que comprou um PC Conectado e pagou R$ 50 para um picareta sem-vergonha instalar um Windows e cometer um crime pelo qual o dono do micro pode ter que pagar — a Microsoft compete em mais uma categoria de preços — os preços do camelô.
Sim, porque embora ela não tenha lucro com esse comércio, os prejuízos dela são mínimos. É um mercado em que ela escolhe não participar oficialmente.
Quem realmente perde com a pirataria?
Os prejuízos para os fornecedores que dominam seus segmentos (Adobe, Microsoft, Autodesk) podem ser mínimos face ao seu faturamento total, mas, para os fabricantes que oferecem alternativas, que frequentemente praticam preços baixos para ganhar mercado, essa competição é devastadora.
E tudo o que é devastador para o pequeno concorrente é vantajoso para o fornecedor dominante.
Você já se perguntou por que ninguém lança uma planilha eletrônica proprietária nova desde 1995? Por que ninguém faz um editor de textos para concorrer com o Word? Ou um editor de imagens como o Photoshop? Já se perguntou por que as únicas alternativas a esses produtos são livres, gratuitas (ou muito baratas) ou ambos?
É porque você precisaria bater o preço não do fornecedor dominante, mas do camelô.
Isso torna quase impossível ganhar dinheiro com a venda de software nesses segmentos. Esses fabricantes, aliados aos piratas, devastaram o mercado para todos os outros. Só eles lucram. Para os outros, sobram os nichos. Sobra o mercado de software feito sob-medida (que é grande — muitas empresas vivem muito bem nele), ou aqueles mercados minúsculos, como software para filatelia ou corretores de imóveis.
Para os demais, o único jeito de se ganhar dinheiro é em contratos de suporte, garantias ou serviços atrelados. É por isso que a Apple dá o iTunes — para você comprar músicas na loja deles. É por isso que a Red Hat, a Canonical, a Novell e a Insigne (empresa nacional que fornece Linux a vários fabricantes do PC Conectado) deixam que você baixe o Linux do site deles — porque, dependendo do seu uso, você vai contratar um serviço de suporte ou consultoria e é disso que eles vivem. Nenhum deles ganha dinheiro com a venda de caixinhas.
A verdade, triste, é que muito poucas pessoas procuram alternativas legais aos programas pelos quais não querem pagar. Em vez de usar um Linux ou um BSD, preferem comprar um Windows pirata. Em vez de um GIMP ou um PhotoPaint, usam Photoshop pirata.
Um beco com poucas saídas
Diversidade e competição são irmãs. Juntas, elas são a mão da Evolução — aquela mesma que nos tirou de uma gosma marrom da beira dos oceanos primitivos e permitiu que você e eu, descendentes de macacos, conversássemos por meio desse artigo. Isso e mais um monte de outras coisas.
Ao eliminar uma, pagamos o preço das outras. Sem diversidade não existe competição. Sem competição, não existe evolução.
O pior de tudo é que muitos desses acham que está tudo bem. [Webinsider]
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1° Edmilson Data: 15/12/2006 às 11:06 am
Atividade: Professor de Informática e Estudante de Marketing.
Cidade: Feira de Santana
Pirataria não é crime. se vista pelo lado social. é sim uam maneira de liberdade do sub mundo do não desenvolvimento.
Brasil por ex: O que fazer se os melhores softwares são os mais caros. tentar comparar o gimp ao photoshop é de rir. photoshop bem melhor. e como ter produtividade. somente usando o melhor que ha no mercado.
qualquer pessoa em sã conciencia vai comprar um Photoshop de 10 reais. já achei por 5 reais até. doque pagar 1700 numa versão original, que fornece os mesmos recursos que a pirata.
Ele faz a cota. com os 1695 reais de diferença eu compro outro computador.
hoje em dia. no brasil é impossivel se ter um computador. com todos os programas queridos e originais…
Windows XP - 600
Office 2003 300 e pouco
Photoshop - 1000 e la vai.
COrel Draw - 1000 e la vai.
Ninguem é doido. porque no brasil se ganha pouco.
Eu uso linux. porque gosto e sei usar. mas de todas as pessoas que conheço 99% não sabem nem o que é linux.
Uso windows também. e desculpa alegar. mas pirata.
porque um amigo me deu um CD. e eu num ia jogar fora. alias juntando os DVDs que tenho e os CDS. 90% pirata também…
outro dia fui na casa de um amigo policial e tudo pirata.
Para completar fui numa faculdade aqui da cidade. e os pcs. tudo usando softwre pirata… se forem prender por pirataria, vão prender a 90% da cidade.