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O gestor de projetos equilibra atratividade e ruptura

12 de dezembro de 2006, 0:09

Planejamento considera pessoas também: a teoria dos mecanismos de atratividade é uma valiosa ajuda para o sucesso na condução de um projeto e sua equipe de profissionais.

Por Francisco Higa

Quando alguma coisa não dá certo em um projeto ou ele simplesmente fracassa, a primeira conclusão que tiramos - e quase sempre correta - é: faltou um bom planejamento. Tal conclusão, no entanto, gera uma indagação: se todos os projetos começam pelo planejamento, por que então ocorrem falhas? A meu ver, as causas estão em algumas visões equivocadas e em determinadas posturas dos planejadores.

Os erros mais freqüentes são:

  • confundir o planejamento com a ação de alimentar uma ferramenta de gestão do projeto com uma série padronizada de dados e informações e deixar que o computador defina ou oriente as ações subseqüentes;
  • fazer um planejamento apenas para cumprir um “ritual” administrativo e satisfazer a exigência dos escalões superiores;
  • usar o planejamento mais como argumento de venda, com o objetivo de convencer não apenas o cliente, mas os próprios superiores, de que o projeto em desenvolvimento será entregue dentro do prazo e das especificações acordadas, sem, no entanto, o embasamento de um estudo consistente de viabilidade;
  • enganar a si mesmo, ou seja, fazer um planejamento com prazos, custos e especificações sabidamente inviáveis, com a falsa ilusão de que com um esforço extra, algumas noites em claro, aqueles itens poderão ser cumpridos.

Tempo, recursos e dinheiro são três fatores dos quais depende a viabilidade de qualquer projeto, e por isso eles precisam ser dimensionados sem devaneios, já que o resultado será diretamente proporcional à sua disponibilidade. E quando o gestor não tem domínio sobre tais fatores - afinal, o tempo não pára, o dinheiro e os recursos são limitados - a conclusão óbvia é que o projeto terá que se adequar rigorosamente a essa disponibilidade.

Gestão de pessoas

Incluído nos três fatores cruciais, porém, há um elemento imponderável, por ser imprevisível: as pessoas. Como é possível influenciá-las de modo a que agreguem valor ao projeto, com um mínimo de interferências negativas?

É onde se torna necessário entender e alinhar os mecanismos de atratividade, ou seja, os fatores que motivam uma pessoa a manter um relacionamento estável com outra, quer seja para a conclusão de um trabalho ou para a realização de uma atividade qualquer. A teoria dos mecanismos de atratividade pode ser assim enunciada: “Todo relacionamento virtuoso é estabelecido e mantido pelo equilíbrio da atratividade entre as partes”.

No que consiste esse equilíbrio? Suponhamos que em uma equipe existam profissionais que estejam agregando um alto valor ao trabalho e, como conseqüência, estejam muito motivados (alto nível de atratividade para com o projeto), tornando remota a hipótese deles saírem da empresa ou serem dispensados (baixo risco de ruptura).

Pela teoria da atratividade, ao contrário do que possa parecer, o fato de se ter um baixo risco de ruptura não configura uma situação ideal. Mesmo improvável, a possibilidade de um recurso deixar ou ameaçar deixar a equipe sempre existirá e, se isso acontecer, você se tornará refém de um relacionamento cuja ruptura certamente prejudicará o resultado.

Além disso, o baixo risco de ruptura freqüentemente cria uma situação de acomodação. Assim, o equilíbrio dos mecanismos de atratividade evita situações traumáticas.

Esses princípios são aplicáveis em qualquer tipo de relacionamento e o objetivo principal é que ambas as partes saiam ganhando (ganha-ganha).

A atratividade e o risco de ruptura em níveis equilibrados é que mantêm, por exemplo, um relacionamento de longo prazo entre cliente e fornecedor, entre um casal unido durante décadas, ou permite a um técnico no esporte a influenciar seus jogadores e vice-versa. Já um relacionamento com um alto valor agregado e também alto risco de ruptura gera inevitavelmente uma situação de excessiva insegurança.

A teoria dos mecanismos de atratividade é uma valiosa ajuda para se montar a estratégia do dia-a-dia na condução de um projeto. A análise metódica do grau de atratividade e do valor agregado de cada membro da equipe em relação ao trabalho e ao ambiente que o cerca, bem como do respectivo risco de ruptura, permite ao gestor tomar medidas preventivas em busca do equilíbrio e, portanto, não dar mais do que o necessário e não querer ganhar sendo oportunista. A percepção da “relação ganha-ganha” é a garantia do relacionamento saudável.

O sucesso de um projeto, em resumo, dependerá necessariamente de um planejamento coerente e realista, onde uma das principais preocupações do gestor deverá ser a de identificar os fatores sobre os quais ele não tem domínio, analisar as possibilidades de influenciá-los a seu favor, prevenir possíveis mudanças de cenários e preparar caminhos alternativos, e aplicar a teoria da atratividade em todos os relacionamentos capazes de agregar valor ao projeto. [Webinsider]

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Sobre o autor

Francisco Higa (link.higa@linkportal.com.br) é especialista em organização e gestão pela Turnpoint.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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Comentários

6 pessoas comentaram o artigo "O gestor de projetos equilibra atratividade e ruptura"

Gilberto Alves Jr. Data: 12/12/2006 às 2:06 am

Atividade: Designer

Cidade: São Paulo

“o projeto em desenvolvimento será entregue dentro do prazo e das especificações acordadas”

“Deixe a mágica para Houdini”
https://gettingreal.37signals.com/

Marcelo Okano Data: 12/12/2006 às 7:59 pm

Atividade:

Cidade:

Francisco,

Precisei ler mais de uma vez o seu artigo pra entender a idéia. Eu acho que a idéia de que a dificuldade em planejamento do projeto está em equacionar tempo, recurso e dinheiro é uma simplificação apenas usada para justificar a sua idéia de atratividade, sendo que na verdade, segundo o PMI, o projeto é inflenciado por tempo, custo e escopo e a qualidade é um equilíbrio entre os 3 fatores. Resumir a participação das pessoas numa ótica de atratividade com o projeto me parece uma idéia muito questionável porque não explica que interesse da pessoa no projeto é motivado por N fatores, muitos deles não relacionados ao projeto em si, como motivação pessoal, salário, ambiente de trabalho, compromisso, índole e etc… Acredito que o planejamento e sucesso do projeto, envolve fatores mais complexos que o citados no artigo. De qualquer forma, a idéia é válida.

Abraços

Marcelo

Cleison Data: 11/02/2007 às 7:58 pm

Atividade: Gestor de Contact Center

Cidade: Rio de Janeiro

Acredito na idéia de que se deve haver um grande foco no recurso “pessoas”, pois as mesmas serão responsáveis pelos processos a serem utilizados no decorrer do processo e virão garantir o seu sucesso!

Luis Anjos Data: 02/03/2007 às 9:44 pm

Atividade: Project Manager

Cidade: Rio de Janeiro

O que mais gostei:

“enganar a si mesmo, ou seja, fazer um planejamento com prazos, custos e especificações sabidamente inviáveis, com a falsa ilusão de que com um esforço extra, algumas noites em claro, aqueles itens poderão ser cumpridos.”

A questão é que muitas vezes sofremos intervenções, e estão são ilusórias !

elaine ferreira polli Data: 07/03/2007 às 2:04 pm

Atividade: Vendedora-comércial

Cidade: Imbituva - Paraná

Olá!
Sem mts comentários a fazer ainda, posso afirmar q achei o site interessante, posso fazer algumas pesquisas,q parece te bastante informaçao.

Márcio Franco da Silva Data: 27/03/2007 às 10:43 am

Atividade: Webdesign - inciante.

Cidade: Mossoró

Olá!

Acho que Marcelo Okano esqueceu de ler o resumo de seu questionamento que é o “Gestão de Pessoas”. A proposta enxuta e as pinceladas rápidas no artigo de Francisco Higa podem nos dar a constatação do óbvio em um projeto e ser um indicador inicial para promover uma pesquisa mais intensa sobre o assunto.
Foi muito feliz abordar no artigo a “relação ganha-ganha” que engloba os fatores internos e externos de uma produtividade e do “alto valor agregado ao trabalho” que confesso: em empresas que trabalhei no Brasil inteiro e claro! isso é a “coisa mais comum no relacionamento humano” a necessidade de “ser” para um funcionário, gerente ou mesmo da alta adminnistração acaba interferindo na “atratividade” do fazer em uma equipe.

Parabéns.

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