Me dá um tempo que eu te dou um tempo?
05 de dezembro de 2006, 13:17Na hora de contratar um profissional que está em outra agência, dê um tempo para ele se desvencilhar adequadamente.
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A triste cena se repete mais uma vez. Um profissional legal que trabalha com você pede para conversar. Dificilmente o assunto é outro e você já sabe do que se trata antes de começarem a conversar: ele está de saída. A questão é saber se há forma de convencer pra ficar ou quanto tempo ele vai te dar antes de sair.
É triste mas é verdade. No corre-corre do dia-a-dia, acabamos tendo pouco tempo pra conversar com a equipe e, geralmente, quando alguém pede pra conversar, não é por um bom motivo.
Até aí tudo bem. É parte do ‘job description’, como diria uma amiga. A questão é que, invariavelmente, a pessoa que está pra sair precisa ir embora ‘ontem’, independente da relação trabalhista que ela tenha com a empresa.
“Eles estão me pressionando, disseram que não podem esperar” é o discurso de quem está indo embora, aflito para não perder a oportunidade no novo lugar. E nós, os “abandonados”, ou ficamos de uma hora para outra totalmente na mão, ou precisamos partir para a lei e obrigar a pessoa a ficar para cumprir aviso prévio.
De um jeito ou de outro, é péssima a situação quando o cara tem que ficar obrigado e, pior ainda, ficar na mão quando alguém te diz na quarta que vai embora na segunda (ou seja, sexta).
Culpa de quem?
Bom, diria que, em primeiro lugar, a culpa é de quem contrata. É claro que precisamos “pra ontem” recontratar quando um profissional nos deixa na mão ou quando fechamos aquela mega conta nova. Mas, ao forçarmos alguém a sair correndo de algum lugar, estamos prejudicando alguma empresa colega que vai ficar na mão por causa disso.
A culpa, é claro, também é do contratado que aceita estas condições.
Quando estou para fazer uma contratação e pergunto para o candidato em quanto tempo ele pode vir, por mais que esteja com pressa, gosto muito e admiro aqueles que dizem que vão precisar de um tempo pois não podem deixar sua empresa atual na mão.
Como contratante, ao ouvir isso, tenho a chance de ser cordial com o meu concorrente quando não pressiono o novo contratado a sair antes do prazo que ele diz precisar. Mesmo com pressa, procuro sempre dar o tempo que o contratado precisa para encerrar adequadamente sua relação de trabalho atual. Penso na situação inversa e faço um esforço pra deixar tudo transcorrer normalmente dentro do prazo necessário.
Se a pressa é grande demais e não dá pra esperar, sempre é possível considerar algum candidato que não esteja trabalhando e que possa começar imediatamente. Assim vamos recolocar no mercado alguém que precisa e também vamos deixar de prejudicar nossa concorrência.
É, imagino que essa calma proposta possa parecer utópica, mas digo que dá pra fazer e na medida em que fazemos isso, ajudamos a diminuir um pouco a loucura do mercado.
Concorrência sim, mas não precisa ser tão predatória, não é? Porque pra deixar a gente doido, já bastam os prazos apertados.
E aí, vamos nos ajudar? Se você me der um tempo, eu te dou um tempo, que tal? [Webinsider]
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1° Rodrigo Webler Data: 05/12/2006 às 2:30 pm
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Acho que em casos como esse, por comuns que sejam, pesa muito a relação entre a empresa “abandonada” e o profissional. Se o ambiente é sadio são bem menores as chances de partidas aparentemente surpreendentes, mas que só o são para quem tende a tapar o sol com a peneira.
A empresa tem uma parcela de culpa por carregar de responsabilidades alguém que não “vestiu a camisa”.
São só meus dois cents, de qualquer jeito. Bom artigo. Concordo que os profissionais que ao menos tentam negociar um jeito de não prejudicar a antiga empresa ao conseguir um novo emprego merecem nossa admiração.