Usabilidade é importante, mas utilidade é ainda mais
07 de novembro de 2006, 11:59Óbvio mas nem tanto: antes de pensar em usabilidade, navegabilidade, padrões web e otimização para buscas, procure avaliar se o site que você projeta é realmente útil de alguma forma para o público que deseja atingir.
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O Orkut (com suas novas ferramentas, inclusive) é um produto (ou um site) com problemas de usabilidade. Também está razoavelmente fora dos padrões web (ainda que acima da média para um site tão grande), tem acessibilidade relativamente baixa e bastante conteúdo inútil/fútil (você já tentou ter alguma discussão fundamentada lá?). Ele também não aparece nos sistemas de busca e é extremamente lento.
São pontos que fogem ao que aprendemos (ou não) sobre o que é “certo”, ou “bem feito”. Mas mesmo assim o Orkut é muito acessado, como todos sabemos. Então cabe a pergunta:
Por que as pessoas entram lá, mesmo conscientes destes “defeitos”?
É pela utilidade. As pessoas visitam o Orkut com um objetivo definido (mesmo que esse “definido” seja extremamente abrangente e variável). Vão compartilhar experiências com outras pessoas, ler recados (e apagar spams), visitar comunidades, criar comunidades, futricar nos perfis alheios, ver quem futricou os seus, mudar fotos no álbum, mudar o perfil de cinco em cinco minutos, passar correntes inúteis para todos os seus amigos, ler mais recados… E sempre apanhando da interface mal projetada (com direito a bugs no Firefox e probelmas de usabilidade) e esperando muito para o carregamento.
E mesmo assim muita gente visita o Orkut pelo menos uma vez por dia.
Nosso exemplo é um caso bem conhecido, mas há outros semelhantes, como o Hattrick, que bate recordes de falhas só no menu. Mas também bate recorde de visitas no mundo todo, com usuários extremamente ativos.
Claro que a proposta aqui não é esquecer o “mundo da web bem feita” e fazer sites ruins. Mas é o caso de pensar na utilidade dos sites que ajudamos a construir — no que pode torná-los “grandes”, “bons” e terem o “algo a mais” que irá atrair o usuário.
É um erro pensar em desenvolver o melhor site, com todos os opcionais 2.0, antes de avaliar se ele pode ser relevante para o usuário.
Claro que o seu site não vai mudar a vida do usuário, mas deverá apresentar algo interessante para ele, algo que o prenda, que o faça voltar mais vezes e indicá-lo para amigos, pois a propaganda feita por um amigo é muito mais eficiente do que um link que você viu perdido em algum site e resolveu clicar.
Imagine que você projete o menu perfeito, que permita a navegação 100% intuitiva, ultra-acessível (daqueles que você consegue utilizar sem mouse – e até mesmo sem teclado) com um visual clean, direito até a Ajax… mas perceba que o usuário simplesmente não clica porque não encontra nada de relevante para ele ali.
Depois de pensar na utilidade do site para o seu público, aí sim pensamos em fazê-lo do melhor jeito possível (e impossível). Claro que temos que pensar na usabilidade, na navegabilidade, nos padrões web, em otimização para buscas… Mas antes de tudo, temos que entender a utilidade do site e o que pode agregar de importante ao usuário que buscamos — seja compartilhar conhecimento, jogar futebol de forma virtual ou mesmo compartilhar futilidades. [Webinsider]
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1° Ramon Bispo Data: 07/11/2006 às 1:45 pm
Atividade:
Cidade: Rio de Janeiro
Pensar em usabilidade antecipadamente é pecar na AI do projeto. Já a chamada “utilidade” está diretamente ligada à essa fase. Se o projeto tiver um briefing condizente e, conseqüentemente, uma estrutura de AI bem estruturada, o projeto com certeza será útil para o seu usuário fim. Já a usabilidade, seria um trabalho complementar à esta fase inicial (que se iniciaria no fim desta). Ele entraria na definição do Design de Interação, Design Gráfico, Desenvolvimento e tudo mais.
O que acontece nos exemplos citados é o que digo acima, porém sem a ênfase necessária no desenvolvimento de uma interface usual. Tem-se um ótimo escopo de projeto, mas não se tem qualidade na apresentação.
Só não me perguntem o porquê disso! Hehehe.
[]’s