Dicas para sites colaborativos emplacarem mais fácil
05 de novembro de 2006, 12:42Estamos vendo o nascimento de vários sites colaborativos no Brasil. Para que tenham sucesso, algumas questões essenciais devem ser atendidas, como não copiar os gringos sem pensar.
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Nos últimos meses apareceram diversas iniciativas brasileiras de sites colaborativos (ou web 2.0). Acho que Overmundo é a melhor delas. Há também outras iniciativas que copiam os gringos sem pensar. Mas não é raro ver que estas iniciativas ignoram algumas questões que, ao meu ver, são essenciais para que um projeto que pretende se apoiar na participação dos usuários tenha sucesso. O propósito deste artigo é dar algumas dicas para quem tem ou pretende ter um site colaborativo.
Registro rápido
O registro deve ser o mais rápido possível e com o mínimo de campos.
O ideal seria não ter registro. Eu sonho com o dia em que haja uma boa e aberta plataforma, na qual o usuário se registre apenas uma vez e possa se logar em todos os serviços com esta única conta. Enquanto isso não existe, não há remédio. Em tempos de Office 2.0 e sites colaborativos por todo os lados, o usuário tem que se registrar um monte de serviços toda semana; portanto, não faça do seu formulário de registro uma tortura.
Você realmente precisa saber a cidade, estado, CEP, CPF, nome do pai e da mãe, escolaridade e faixa salarial para que o usuário possa participar? Sei que conhecer seus usuários é ótimo, principalmente para convencer anunciantes, mas, principalmente neste tipo de serviço, o usuário é o rei, não o anunciante. Registro de usuário no seu serviço não é a melhor hora para fazer um recenseamento.
Penso que o ideal seja pedir e-mail e senha. Só. Além disso no máximo o nome. Os demais campos podem aparecer como opcionais desde que estejam numa outra tela, como a do perfil do orkut, não na de registro.
Penso que a ênfase no design da primeira página dos serviços deve ser em duas coisas principais: a) Deixar claro rapidamente ao novo usuário o que é o serviço; b) Convidar o usuário a se registrar. O botão de login tem menos destaque que o de “registre-se”, porque o usuário que sempre vai ao seu serviço sabe onde se logar, mas o que te visita pela primeira vez não quer ter que procurar onde se registrar.
Não se esqueça de dar ao usuário a opção de “lembrar senha”. Mas não faça isso simplesmente guardando o nome de usuário e senha, para o usuário clicar no ok à toa. Mantenha o usuário sempre logado, de modo que ele se esqueça que um dia teve que se registrar no seu site.
Design leve e centrado na informação que o usuário quer
A maioria dos sites colaborativos de sucesso têm um layout bem clean, bem limpinho, com fundo branco, e poucos detalhes meramente decorativos. Não estou dizendo que detalhes decorativos são desnecessários (eu sou designer poxa vida, eu adoro detalhes decorativos!). Estou dizendo que nos sites colaborativos a atenção deve ser maior para a informação. Compare: digg.com, youtube.com, odeo.com, del.icio.us, netscape.com, flickr.com, entre outros, e você entenderá o que estou dizendo.
Meu blog (sobre espiritualidade) tem uma ilustração enorme no topo, eu acho lindo. O papel desta ilustração é comunicar a personalidade e o tom dos textos que escrevo e publico. Mas sites colaborativos não são o lugar para este tipo design. Em sites colaborativos, o usuário quer ver logo o conteúdo que o amigo comentou pelo MSN, quer saber logo como participar, não quer ver uma obra de arte, quer saber do conteúdo, ele é o rei, nós os súditos. Mas lembre-se de isso não é uma doutrina, eu detesto regras e doutrinas, quebre esta regra sempre que o seu bom senso mandar
Facilidade de uso
Basta toda a burocracia do nosso governo, o usuário não agüenta sites difíceis de mexer. Sites com Ajax estão mimando o usuário; em pouco tempo ele vai começar a estranhar porque a página está recarregando depois de clicar no “ok”.
Se você quer que o usuário participe, faça com que isso seja radicalmente fácil e rápido. Se você deixar de gastar seu dinheiro com um bom especialista em usabilidade e arquitetura da informação, vai gastar mais depois, sem entender porque os usuários não estão enchendo seu site de conteúdo.
Meta moderação
Se você tiver que aprovar cada participação do usuário jamais poderá ter um serviço como You Tube, que recebe aproximadamente 65.000 vídeos todos os dias. Por outro lado é preciso controlar a qualidade do conteúdo do seu site de alguma forma. O legal é que você pode utilizar a participação do usuário também para isso. No Digg, quando uma notícia não é boa os usuários clicam num botão e ela não chega a aparecer na página principal.
No Orkut se fosse mais fácil (por algum motivo o Orkut não tem a qualidade dos outros produtos do Google) todos os usuários poderiam acabar com as comunidades e usuários criminosos, bastando clicar no botão “denunciar” (o tradutor do Google não deve saber que na cultura brasileira dedurar é uma coisa muito feia, eu usaria outro nome).
Facilite a distribuição viral
O You Tube deixou que seu conteúdo fosse distribuído em qualquer site. Assim, em vez de perder audiência, se tornou um negócio bilionário em menos de dois anos. Adoro uma música “O seu amor”, de Gilberto Gil, onde ele diz: ame-o e deixe-o. É isso que os sites colaborativos fazem com seu conteúdo: “ame-o e deixe-o ir onde quiser”. Se o modo como o conteúdo é distribuido agradar ao usuário, você só tem a ganhar.
Faciliar a distribuição viral vai muito além de simplesmente colocar um botão “envie ao seu amigo”. Outros detalhes a se observar são:
- Todas as suas páginas têm um link permanente? Está claro para o usuário que ele pode copiar este link? O youtube tem um campo chamado URL, que é o mesmo endereço da barra de endereços, mas está lá, bem claro para o usuário copiar.
- O conteúdo é Creative Commons, que permite ao usuário copiar e republicar onde quiser, dando o crédito ao seu site?
- É realmente fácil compartilhar o conteúdo com um amigo? Tem absoluta certeza de que não pode ser mais fácil e rápido?
- Seu serviço guarda os e-mails para os quais o usuário enviou conteúdo, para que ele não precise digitar novamente da próxima vez?
- Existe uma opção “postar no meu blog”, na qual o usuário possa, com um único clique, postar o conteúdo do seu site no blog dele?
- Seu serviço tem widgets que possam ser colocados em blogs e sites dos usuários?
- O design do site dá importância para estas funcionalidades ou elas ficam escondidinhas, pequenininhas, sem apelo, jogadas em algum canto?
Coloque o usuário em primeiro lugar, no trono que lhe é de direito, e torne fácil a distribuição viral do conteúdo do seu site e você terá resultados incríveis com um investimento bem menor em publicidade. O Google se gaba de que seu serviço de busca foi totalmente divulgado pelo boca-a-boca e mídia espontânea.
Criar canais para que o usuário participe do desenvolvimento do serviço
Se o conteúdo é gerado pelo usuário, o serviço deve contar com a participação dele no desenvolvimento. Faça a primeira versão simples (mas muito bem acabada), sem muitos features, e peça a colaboração do usuário. Então você poderá ir adicionando as funcionalidades que o usuário pedir, as idéias que surgirem dos feedbacks, melhorar as funcionalidades que são mais elogiadas, retirar as funcionalidades que os usuários não gostam, etc.
Valor individual para criar uma comunidade
A idéia do site colaborativo é desenvolver um site que tem como base a coletividade, a participação de muitas pessoas, de uma larga base de usuários, que gerará valor para o serviço.
Mas se o serviço só será interessante quando tiver milhares (ou mesmo centenas) de usuários, como ele conseguirá tantos usuários se não tem graça nenhuma com pouca gente? Deve ter sido difícil vender o primeiro aparelho de fax, porque um aparelho de fax sozinho não serve pra nada. Como então fazer um site colaborativo pegar ?
Joshua Schachter, o criador de um dos melhores exemplos de site colaborativo, o Del.icio.us, dá uma boa dica. Ele diz que “se você precisa de uma larga base de usuários para que seu serviço tenha valor, será difícil conseguir uma larga base de usuários, porque haverá pouco incentivo para a primeira pessoa usar o produto. O ideal é que o sistema seja útil para o usuário número um”.
Busque no seu sistema gerar valor para o primeiro indivíduo, e incentive a colaboração, o compartilhamento, a viralidade, a multiplicação, os relacionamentos, e logo seu sistema terá uma boa base de usuários, com a qual você poderá pensar em construir uma rede social. Creio que um serviço brasileiro que está caminhando com muita qualidade neste quesito seja o 8P, mas o Flickr por exemplo demonstra uma preocupação muito maior em gerar valor para o indivíduo, enquanto o 8P é claramente feito para ser uma rede de relacionamentos.
Muitos serviços, como foi o caso do Del.icio.us, são criados primeiro para serem utilizados por um indivíduo, isoladamente, e de pouquinho em pouquinho vão ganhando novas funcionalidades sociais e se transformando numa comunidade. Se o usuário não encontrar nenhuma utilidade no seu serviço, estando ele lá sozinho, você nunca conseguirá reunir uma multidão.
Você tem dois caminhos para escolher aqui: acreditar que a vontade das pessoas de agir pensando num bem maior de toda a comunidade vai levá-las a colaborar com seu projeto, ou transformar a vontade das pessoas de agir pensando num bem maior para si mesmas em benefícios coletivos. O criador de um site colaborativo deve entender como administrar essa tensão entre os interesses individuais e coletivos do usuário.
Eu acho muito doido pensar que para criar uma comunidade, um site colaborativo, um site que depende da coletividade, você deve colocar primeiro o foco nos interesses do usuário sozinho, como individuo isolado.
O usuário é o rei
Se você não entender de uma vez por todas que o usuário é o rei, não poderá fazer um site colaborativo de sucesso. Seus interesses comerciais não podem estar acima dos interesses do usuário, de outra forma você não vai ganhar dinheiro com seu site colaborativo porque os usuários simplesmente não vão participar.
O Google é o melhor exemplo disso. Eles sabiam que o usuário não gosta daqueles banners chatos que ficam piscando e chamando atenção, por isso buscaram um tipo de propaganda que o usuário gostasse. É um baita desafio pensar em propaganda que o usuário realmente goste. Mas a solução foi ótima: só mostram anúncios sobre o assunto que você está pesquisando, de forma que o anúncio seja justamente aquilo que você está interessado. O que eu aprendo com isso é que colocar o usuário em primeiro lugar é o melhor modo de ganhar dinheiro na web.
Seja original
Nós brasileiros ganhamos um monte de prêmios internacionais em várias categorias com a nossa criatividade. Mas parece que essa criatividade não está aparecendo em relação aos novos serviços colaborativos e aplicativos web no Brasil. São muitos os casos em que o serviço é uma cópia mais ou menos descarada de um serviço gringo de sucesso. Saiba que com pouco investimento o seu concorrente gringo pode fazer uma versão brasileira do serviço e, sendo ele o dono da idéia original, terá uma vantagem enorme sobre você.
Mas eu creio que em breve começarão a aparecer serviços originais no Brasil, pois a nossa criatividade é notória e a qualidade do nosso serviço é exemplar.
Se não for original, brigue com os maiores
O serviço Netvibes é, na minha opinião, o melhor do gênero - personal home pages. O legal é que eles são franceses e estão produzindo um serviço fantástico, brigando com gigantes como o Google e a Microsoft. O You Tube por um tempo brigou com o Google Vídeo, e pelo jeito ganhou disparado. Ao meu ver, nada impede que um de nós faça um serviço tão bom quanto, ou muito melhor que um dos gigantes (leia: Google, Microsoft e Yahoo!).
Não faça um serviço de nicho por medo de competir. Se o negócio for bom, cedo ou tarde você terá competição. O desafio de lutar contra um gigante desperta o melhor do nosso potencial. Pense grande: deixe de lado as idéias que trazem ao Brasil sucessos lá de fora e pense em idéias que possam, a partir do Brasil, fazer sucesso em todo o mundo. Se dermos atenção ao usuário, se a execução for tão bem feita quanto a idéia boa, nós podemos ganhar de qualquer um! Nós temos potencial para isso! Eu acredito nisso
e você? [Webinsider]
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1° Augusto Franco Data: 05/11/2006 às 11:34 pm
Atividade: Supervisor de Projetos
Cidade: Belo Horizonte
Olá Gilberto… o assunto é interessante, muito legal de sua parte levantar essa aqui no wi.
Muita coisa do que você disse é pertinente, mas achei que vc foi um pouco extravagante quanto tocou em assuntos relacionados ao design.
Por exemplo, quando disse que designer tem a função de decorar as coisas. Esta é uma visão extremamente oca sobre o design de interfaces. Você como designer deveria falar um pouco da importancia exagerada que esta ‘decoração’ desempenha em um serviço colaborativo. As funções de persuadir, ensinar, propor e acompanhar todos os processos interativos que um serviço desse tipo precisa são bons exemplos do que o design pode fazer para um website deste tipo.
Um outro ponto que achei extravagante foi o do ‘design leve’, pois se vc tem a expectativa de incentivar pessoas a produzirem serviços originais (e não ‘copiados de gringos’) aqui no brasil, vc não deveria dizer para as pessoas que o ideal é replicar o estilo que encontramos no youtube ou no flickr.. Acho interessante a discussão do design, sobretudo quando podemos destacá-lo como fator crítico de diferenciação e competitividade. Hoje em dia é muito comum encontrar na internet pessoas idolatrando serviços como youtube e o flickr, sem entender de fato onde estes serviços são bons e onde não são. Você destacou bem alguns pontos onde estes serviços ganham, mas não disse que por exemplo, o design pobre do youtube faz com que as pessoas tenhas uma visão superficial sobre as potencialidades do serviço.. por exemplo.. quantas pessoas que você conhece sá assinou alguma tag no youtube? Se o serviço é tão popular assim, quantas pessoas você conhece que poderiam explicar o que vem a ser um ‘Channel’?
Serviços como estes (del.icio.us, slashdot, youtube etc.) são marcados por um design pertubadoramente pobre, infeliz e ineficaz em fazer com que os usuários façam a máquina funcionar com todos os recursos e potencialidades.
Alguém aí já teve, por exemplo, a oportunidade de comparar o serviço de buscas de imagens do Google com o mesmo da Microsoft? Vale a pena, sobretudo para refletir sobre design e experiência do usuário.
Estes serviços, como o próprio google, possuem ’sucesso’ porque possuem vantagens competitivas em pontos cruciais, ou seja, agem estrategicamente. Isso não justifica, todavia, todo o hype criado em torno deles.
Voltando ao youtube, por exemplo, podemos nos perguntar: Quantos de nós somos de fato usuários de youtube? Quantos de nós já publicou ou usou de fato todo o ‘fantástico’ serviço? Aposto que em maioria, usamos apenas a ferramenta de busca e o player.. em casos raros, comentamos o que vemos.
Se o ‘usuário é rei’, quem é o prícipe? O que produz ou que acessa? Acho que na verdade… nenhum. Pois o design foi tão infeliz que aquele que acessa não usa tudo e aquele que usa tudo (o que colabora), só o faz, porque está acostumado com dificuldades tecnológicas… já tem que trabalhar com programas complexos como photoshop, premiere e after fx…
Acho que antes de dizermos sobre design é importante usarmos estes serviços… e tentar buscar bases comparativas que justifiquem nossas declarações. Toda a unanimidade é burra, e não serão os websites que pleitearam a recente moda de AJAX e standards no mercado que vão ditar a interface do futuro. O design não morreu nestes websites, e muito pelo contrario, quem perceber isso antes sairá na frente.
Bom… fico por aqui, afinal, era só um comentário sobre design.
Abraço!