Games e a equação pirataria, preço e publicidade
16 de outubro de 2006, 21:32Jogos, filmes e outros produtos de entretenimento digital aproximam conceitos antagônicos, em um sistema de “broadcast on demand”. Publicidade e uma outra política de preços neutralizariam a pirataria?
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Alguns produtos de entretenimento doméstico (e quase todos os produtos do entretenimento digital) são meios de comunicação de massa assíncronos. A indústria produz em massa, distribui em massa, mas o consumidor ou receptor consome quando quer.
Os meios de massa tradicionais, não. Você assiste, ou assistia, o programa de TV quando a emissora quer. A mídia está cada vez mais assíncrona: TIVO, TV digital, vídeos na web, MP3 players, iPod vídeo, videogames… todos têm contribuído para essa nova realidade.
Estamos vendo a aproximação de conceitos até então antagônicos, que hoje têm se mostrado complementares: o surgimento do “broadcast on demand”. Emissoras de TV mundo afora já usam o termo para disponibilizar seus conteúdos na internet. Isso acontece concomitante à popularização de tecnologias domésticas. Mais computadores nas casas, internet, gravadores de CDs, DVDs e sabe-se lá mais o quê trazem também a pirataria doméstica e a profissional.
Pesquisa publicada na Folha de São Paulo (12/10/06), realizada pela Fecomércio, afirma que 42% dos paulistas compram produtos piratas, por causa do preço. Também na Folha, em 14/09, foi publicada pesquisa da ABP onde verifica-se que foram queimados 13% a mais de CDs do que vendidos. O assunto suscita discussões acaloradas, especialmente entre os executivos da indústria do entretenimento. Advogados, processos onerosos e desgastantes para, no fim, a tendência ser verificada. Arquivos são trocados, inevitável. Proíbem um jeito, surgem outros tantos.
Além de processos, a indústria dos conteúdos audiovisuais, games e cinema briga pra ver se o novo formato de suporte será BlueRay ou HD-DVD. No fim das contas, essa discussão é sobre capacidade de armazenamento. Qualidade e outros senões são conseqüência de mais informação no mesmo disco. O debate deveria ser centrado na diversificação de canais e de fontes de receita. Não na capacidade de armazenamento do suporte.
Conheço gente que baixa jogos. Um amigo baixou o Winning 11 por computador. Levou uns três dias, mas baixou. Um aluno semana passada me mostrou, em seu computador, o primeiro episódio da terceira temporada de Lost. Pegou no BitTorrent, seis meses antes do lançamento previsto da série na TV fechada brasileira. Outro tem uma coleção de filmes de dar inveja em muito cinéfilo por aí. Todos no HD do computador, trocados ou baixados pela rede. Demora, mas ele teve paciência.
A penetração da internet e sua velocidade de transmissão ainda são limitantes, mas essa mesma plataforma, a internet, vem como uma avalanche nessa bagunça instaurada e se oferece para os mais diversos meios como uma plataforma de serviços fenomenais. Já está provocando mudanças há pouco consideradas absurdas na maneira como consumimos nosso tempo. TV no celular, telefone via VoIP na agenda eletrônica, filmes inteiros no player portátil enviados via BlueTooth para amigos. E a indústria do entretenimento preocupada com a capacidade do suporte…
O segmento industrial que primeiro sofreu o impacto dessa nova realidade foi o da música, pelo menor tamanho de seus arquivos. Queda nas vendas do CDs, processos e agora parece que o caminho se desenha: compra de arquivos pela internet ou download gratuito patrocinado por anunciantes. Hoje a discussão está nos grandes estúdios de TV e cinema e nos games.
É sabido e notório que o mercado brasileiro de jogos não é visto com bons olhos pelos grandes players internacionais por conta da pirataria. Os produtos oficiais não conseguem brigar com os piratas, a guerra de preços é injusta. Será? Será que um jogo como o Halo, que faturou US$ 125 milhões em um único dia nos EUA precisa mesmo custar quase R$ 200,00 no Brasil? Será que não existem formas mais baratas de distribuir esse jogo? Será mesmo que não existe outro jeito de obter retorno sobre o investimento?
Quando a internet estiver na maioria dos lares nacionais, quando a velocidade da troca de arquivos fizer com que um filme inteiro seja acessível em menos de três minutos (TV digital?), quando essa mesma acessibilidade atingir os mais diversos aparelhos (celulares, players portáteis…), quem vai precisar de disco? Dá até pra ir além e perguntar: pra quê o HD?
Quando a internet sem fio e de alta velocidade for padrão e você conseguir acessá-la do seu aparelho portátil (celular, Zune, iPod, notebook…) de qualquer lugar, você vai precisar ter o arquivo gravado? Quando o broadcast for realmente on demand, voltaremos ao ponto: centrar o debate na diversificação de canais e de fontes de receita, não na capacidade de armazenamento do suporte.
O investimento publicitário pode ser um dos principais viabilizadores disso. Propaganda nos jogos já é realidade. Se os jogos tivessem maior penetração, a receita publicitária seria maior. Voltando ao exemplo do Halo, foram 2,4 milhões de cópias vendidas nas primeiras 24 horas. Se cada cada cópia foi jogada ou assistida por duas pessoas, temos aí 4,8 milhões de pessoas impactadas, numa conta chutada para baixo e sem a devida qualificação de perfil.
Para ficar num raciocínio simplista, não dá para, com isso e para isso, reduzir o preço dos jogos nos pontos de venda? Brigar com a pirataria oferecendo o mesmo produto por quase o mesmo custo? Será que não dá para ‘deixar rolar’ a troca de arquivos na internet? Será que não é melhor pensar em mensurar a audiência ao invés de controlar os direitos (DRM)?
Longe de ter a uma solução, deixo aqui uma semente. [Webinsider]


1° Rael B. Riolino Data: 17/10/2006 às 7:26 am
Atividade:
Cidade:
No Brasil rola muita pirataria justamente pelo preço absurdo dos games. Eu tenho um PS2, e realmente, enquanto um jogo é comercializado nos states por US$ 20,00 , aqui no brasil está acima dos R$ 100,00.
Junta isso à cada feirinha que você acha o jogo por R$ 10,00…
Com certeza o preço é a principal causa da pirataria aqui no Brasil… E mesmo se reduzirem muito o preço, vai levar um certo tempo para o pessoal mudar seu hábto de baixar os jogos pela net.