Identificar, contratar e reter talentos
09 de outubro de 2006, 10:51O que um bom profissional precisa ter.
Por
- Oi, cara, tudo bom? Recebi teu portfolio, achei bem legal.
- Pô, valeu.
- Como é mesmo o teu nome?
- Koruja.
- Coruja?
- É Koruja, com K.
- Não, cara, teu nome, teu nome de batismo…
- Pode me chamar de Koruja, todo mundo me conhece por Koruja.
- Como assim, Koruja?
- Koruja, pô!
Então tá, né. Resolvi não lutar contra a natureza, me condicionar ao nível de interlocução imposto e quem sabe, com sorte, descobrir que tipo de Koruja era aquela.
- Ahmmm, ok, Koruja… Onde você já trabalhou?
- Em lugar nenhum.
- Como? Mas e o teu portfólio?
- Ah, eu fiz a maioria das coisas em casa, vagabundeando. Fiz uns freelas também.
Puxa, me comovi com tamanha honestidade!
Naquele instante entendi que o lado do meu cérebro que funcionava não era o mesmo lado do cérebro do Koruja e que, embora ele falasse um idioma que se aproximava muito do meu, o diálogo não iria rolar.
Não sei exatamente porque, além do desespero por qualquer profissional que conhecesse um pouco de photoshop e soubesse copiar algumas linhas de html, resolvi, naquele verão de 1998, rasgar todos os manuais de recursos humanos e dar uma chance para o Koruja!
- Muito bem, Koruja. Você pode começar amanhã um “estágio” de um mês…
- Bacana, onde é meu ninho?
Hoje, inverno de 2006, aquele Koruja não teria chance. O desenvolvimento de soluções para o ambiente de internet amadureceu. As agências digitais cresceram e criaram novas competências e metodologias.
Um “web tudinho” que fazia projeto de interface, criação, direção de arte, webdesign e programava html foi substituído por cinco especialistas nas estruturas maiores e por dois ou três nas menores. A especialização permitiu a produção de projetos web em escala e uma profissionalização das estruturas de desenvolvimento.
Hoje, para fazer parte dos principais “times” de soluções de internet no país, vários critérios passam a ser fundamentais no processo de seleção e manutenção de talentos por parte das empresas que se tornaram players do setor.
Na AG2, empresa que ajudei a criar e dirijo até hoje, valorizamos, cada vez mais, nos nossos profissionais, as seguintes características:
1. Motivação pessoal: o profissional precisa ter ânimo, energia, inquietação, capacidade de indignação e espírito empreendedor.
2. Trabalho em equipe: pobre do cara que não sabe compartilhar informações. São valorizados apenas aqueles que sabem motivar, incentivar os colegas, planejar e organizar os processos e ter sinergia na construção de objetivos com o grupo.
3. Gestão: a capacidade natural de relacionamento com as pessoas e habilidades no gerenciamento de processos e recursos são fundamentais para dar conta da dinâmica dos diferentes tipos de projetos web.
4. Visão positiva: não vejo chance para talentos que têm na “dificuldade” e nos “problemas” a sua matéria-prima. Ter visão positiva de si próprio, da sociedade e da empresa em que trabalha é condição para a evolução profissional.
5. Fazer acontecer: apenas alguns profissionais têm uma enorme capacidade de realização, outros se perdem em processos, fórmulas, manuais e questões técnicas. A capacidade de “fazer acontecer” pressupõe que o profissional tenha entendimento de prioridades, iniciativa, persistência, determinação, performance e compromisso com o negócio.
O Koruja se mostrou um bom profissional e era um cara supercriativo, e nos ajudou bastante. Não sei se tem a ver com o “nome”, mas sempre foi um grande parceiro das madrugadas de trabalho. Preferia produzir à noite! Ficou conosco quase dois anos e depois foi trabalhar com vídeo.
Eu continuei tendo que desesperadamente identificar, contratar e reter talentos. O fato é que mesmo sabendo que nem tudo no mundo é resultado de racionalidade, tratei de reconstruir pacientemente todos os manuais de recursos humanos que eu mesmo havia rasgado no início da internet. Passei a ser muito mais científico na busca e na retenção dos melhores profissionais.
Em dias de internet corporativa e muita responsabilidade, entendo que são realmente “profissionais” diferenciados aqueles que, além da capacidade técnica, atendam ou tenham potencial para atender a todos os critérios mencionados e detalhados acima.
Ah, é óbvio que precisam ter também nome e sobrenome. [Webinsider]
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Artigo publicado originalmente na revista Webdesign, edição 34
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1° Acidio Alan Data: 09/10/2006 às 1:44 pm
Atividade: Desenvolvimento Web
Cidade: Joinville
Cada vez mais acho que diploma pode ficar em segundo lugar… Valoriso: Pro-atividade, criatividade e comprometimento.
Como os clientes adoram e necessitam serem surpreendidos, precisamos de profissionais que surpreendam.