Nosso jeitinho 2.0: o que aprendemos em dez anos
31 de agosto de 2006, 9:29Para vender, para ser uma solução completa, um site precisa ao mesmo tempo ser uma boa peça de comunicação e uma boa peça de software. Profissionais da objetividade e da subjetividade estão aprendendo a trabalhar juntos.
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Desenvolvemos para a web há pouco mais de dez anos. Isso é muito pouco tempo. Estamos agora começando a chegar perto de qualquer coisa que possa ser chamada de “maturidade”, e há muito a aprender. Dez anos depois daquele começo deslumbrado, ainda faz sentido dizer que a web é uma coisa nova.
Veja, por exemplo, a questão das metodologias e práticas de atendimento e produção. Ao mesmo tempo em que um site é uma peça de comunicação, é um artefato de tecnologia. Veja que “peça” e “artefato” são jargões de áreas diferentes, a publicidade e a análise de sistema, para dizer praticamente a mesma coisa.
Acontece que o site tem um pouco de cada área. Fazemos publicidade, comunicação e marketing há muitos anos. É um mercado maduro, com regras próprias, métodos próprios e uma cultura própria. Ao longo dos anos o pessoal da área desenvolveu, através de muita tentativa e erro, metodologias de trabalho para atender bem seus clientes, gerar resultados e dar lucro.
Ao mesmo tempo, desenvolvemos software há muitos anos. Foram anos de estudo, suor, e muita tentativa e erro para o desenvolvimento de metodologias de trabalho que fizessem que o software fosse entregue no prazo, de acordo com as necessidades do cliente, e funcionasse.
Desenvolver software e comunicação
E há diferenças essenciais entre o desenvolvimento de software e a comunicação. Em minha opinião, a principal diferença está no fato de que desenvolver software é um trabalho extremamente objetivo. O software precisa cumprir requisitos e se adequar a normas, e pronto. Por outro lado, a área de comunicação é muito subjetiva. É claro que se podem medir os resultados de uma peça qualquer, através do retorno gerado, em cliques, visitas, telefonemas, vendas, pesquisas, etc.
Mas não há nada tão objetivo quanto as métricas de avaliação do desenvolvimento de software. Há dez anos, com a web, profissionais de áreas tão distintas começaram a trabalhar juntas. Deixe-me dar um exemplo que ilustra o que quero dizer. Quando alguém vai desenvolver uma peça de comunicação qualquer, a primeira providência é tentar entender o que o cliente quer comunicar, que imagem ele pretende transmitir de sua empresa e seus produtos e que público pretende atingir. As perguntas que se faz para o cliente são a respeito de como ele se parece e como ele quer parecer.
Chama-se essa fase inicial de fazer perguntas ao cliente de briefing.
Já quando alguém vai desenvolver software, a primeira providência é entender quais são os dados com os quais esse software vai lidar, e o que precisa ser feito com esses dados. As perguntas feitas ao cliente tem a ver com o workflow de dados, as pessoas envolvidas no processo, as regras do negócio, ou seja, são a respeito de como o processo funciona e de como ele quer que funcione.
Chama-se esse processo de levantamento de requisitos.
Percebe como os processos são diferentes? As diversas maneiras de desenvolver software ganharam até nomes e são vendidas como produtos. Alguns desenvolvem software usando o Unified Process, nos sabores Rational Unified Process e Enterprise Unified Process. Outros usam metodologias mais antigas, como a Análise por Pontos de Função apoiada na Análise Estruturada. E os métodos mais novos incluem FuseBox, para programação web estruturada, e eXtreme Programming, para orientação a objeto.
Nenhum desses processos de desenvolvimento de software contempla as necessidades de uma peça de comunicação. São focados em fazer funcionar, não em fazer parecer bom.
Por outro lado, os processos de trabalho das agências de comunicação, publicidade e marketing, de maneira geral também não incluem as necessidades da produção de um artefato de software. Nesse ambiente, muitas empresas têm optado por se manter focadas em suas antigas especialidades, e “quebrar um galho” na outra área.
Conheço uma porção de empresas de software que desenvolvem “sistemas web” em que nenhum designer coloca a mão. As telas são desenhadas pelos próprios programadores. Por outro lado, conheço uma porção de “agências web” que contratam script-kiddies para desenvolver seus sistemas, e nunca ouviram falar de, por exemplo, controle de versões.
Áreas deve aprender umas com as outras
Para falar a verdade, são raros os casos em que se vê um site que é ao mesmo tempo uma boa peça de comunicação e um bom software. Acabamos fazendo uma coisa ou outra, mas não as duas juntas. É difícil ver uma equipe realmente boa nas duas coisas, e a interdisciplinaridade, a pluralidade das equipes web, tão alardeada por aí, não é tão plural, nem tão interdisciplinar assim na maioria dos lugares.
E daí? Qual o problema, afinal? Se as duas áreas continuam funcionando, e atendendo seus clientes? Se quem compra software continua recebendo bom software, mesmo que ele seja uma peça de comunicação medíocre, e quem compra publicidade recebe um site de impacto, mesmo que ele não sirva para nada, ou que o sistema por trás dele esteja preso a código ruim, mal mantido ou inseguro? O cliente não está recebendo aquilo pelo que ele pagou?
O problema é que podemos estar perdendo uma grande oportunidade. As duas áreas podem aprender muito uma com a outra. Para vender, para ser uma solução completa, um site precisa ser uma boa peça de comunicação, e ao mesmo tempo uma boa peça de software. Precisa ser bonito e funcional, precisa ser fácil de usar e estável, precisa ser seguro e parecer seguro.
Ter software bem desenvolvido, com processos claros e controlados, pode reduzir os custos para aquela empresa da área de comunicação. O reuso de código, o controle de versões e o bom projeto podem fazer com não se reinvente a roda a cada projeto.
O processo simplificado, a manutenção simplificada e o software estável podem ser diferenciais importantes para a satisfação do cliente. Deixe os profissionais da objetividade cuidarem do que é objetivo.
Já para aqueles cujo foco é desenvolvimento de software, ter telas projetadas por um bom designer de interface pode ser a diferença entre o seu sistema e o do concorrente. Pode ajudar a vender, economizar custos de suporte, e atacar algo em que você talvez nunca tenha pensado: os aspectos subjetivos do uso do seu software.
Será mais fácil para as pessoas usá-lo se elas gostarem dele, e não há nada mais subjetivo que as pessoas e seus gostos. Deixe os profissionais da subjetividade cuidarem do que é subjetivo.
Não que tenhamos já as respostas certas. Mas há bons exemplos de gente fazendo um trabalho acima da média. No próximo artigo eu gostaria de mostrar métodos e ferramentas para um trabalho diferente do convencional para as duas áreas. Pretendo também mostrar outros obstáculos complicadores, que nem citei aqui.
Mas, antes, gostaria de ouvir você. Como são as coisas onde você trabalha? Qual o caminho para integrar de verdade áreas tão diferentes? Quais as maiores dificuldades? Você conhece algum caso de sucesso digno de nota? Deixe sua contribuição nos comentários. [Webinsider]
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Workshop com Produtividade
Elcio Ferreira apresenta o workshop Web 2.0 e Produtividade em São Paulo, dia 25 de setembro, das 9h às 17h. O público alvo são gerentes de projeto e coordenadores de equipes web.
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1° Bianca Data: 31/08/2006 às 10:36 am
Atividade: Comunicação Interativa
Cidade: Curitiba
Élcio,
Fiquei contente ao ler o seu artigo, e ver que a minha empresa está indo pelo caminho certo.
Aqui, conseguimos integrar muito bem as duas áreas, e o resultado tem sido super positivo.
Para começar, trabalhamos todos no mesmo ambiente, programadores e web-designers. Existe interação e troca de experiência (diálogo) entre as duas equipes.
Atualmente estamos desenvolvendo um Sistema de CRM online para um dos principais grupo de shoppings centers do país. Este trabalho é resultado de boas campanhas online que desenvolvemos para um dos shoppings do grupo.
Concordo contigo, bons websites são aqueles que são mais do que apenas uma peça de comunicação.