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Comportamento - Software Livre - Relacionamento - Redes sociais

Software livre nacional cria comunidades. Pode usar.

25 de agosto de 2006, 9:54

ICOX, software nacional gratuito para gerenciar comunidades é lançado acompanhado de um manifesto, claro. A idéia é estimular a formação aberta de comunidades para gerar conhecimento.

Por Carlos Nepomuceno

Prezados amigos, pelo menos desde 2000 já contribuo com o Webinsider sobre assuntos diversos. Hoje peço licença para trazer mais um manifesto do que um artigo, que marca o pré-lançamento nacional e virtual do primeiro software livre brasileiro totalmente voltado para web 2.0, que pretende estimular a formação aberta e sem fronteiras de comunidades para gerar conhecimento.

Peço que todos e todas contribuam para divulgá-lo, pois temos nas mãos de graça e no Brasil o esboço de uma boa ferramenta. Com a rede que estamos formando e com o seu apoio, poderemos melhorá-la cada vez mais e construir uma grande mudança!

O ICOX é o primeiro software gerenciador de inteligência coletiva lançado no Brasil. Foi desenvolvido para ser instalado na web em servidores Linux e permite que instituições públicas e privadas possam estimular o trabalho de comunidades em rede, voltadas para o conhecimento.

Os códigos-fonte do produto são abertos e estão disponíveis gratuitamente na rede para download, dentro do conceito de licença baseada nos preceitos dos softwares livres.

O projeto é coordenado pelo Instituto de Inteligência Coletiva – ICO, linha de pesquisa do CRIE - Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ. E conta com o desenvolvimento da Pontonet Consultoria em Internet com o apoio da Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), através do Programa Rio Inovação.

Recebe também o apoio da Infoglobo e da Socid. E já conta uma extensa rede de parceiros, entre instituições público e privadas, entre eles, a Vale do Rio Doce, o Armazém Digital e diversas organizações não governamentais: Viva Rio , Rits, ABI - Associação Brasileira de Imprensa e IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas.

O projeto é uma das metas do ICO para este ano que ainda prevê o lançamento do curso Web 2.0: o conhecimento em rede (Como implantar projetos de Inteligência Coletiva?) e do livro pela Editora Campus/Elsevier, até o final do ano.

Mas falemos mais do programa.

O ICOX é, antes de tudo, uma provocação em forma de código.

Na prática, a primeira tentativa nacional de um novo tipo de software no qual não existe mais um centro organizador de conteúdo. Quem disponibiliza sempre informação é o usuário!

Propõe reunir no mesmo lugar todas as ferramentas interativas que deram certo na última década da internet: blogs, listas de discussão, enquetes, chats, fotoblos, linkblogs, wikipedias, wikidocs etc, mas todas no mesmo ambiente, com as ferramentas relacionadas para potencializar ao máximo a interação.

Além da possibilidade de cada instituição armazenar todo o conhecimento gerado pelas comunidades que ela organiza ainda fará com que cada uma delas instale e possa compartilhar dados com outros ICOX, formando uma grande rede de conhecimento.

É, então, uma proposta de se criar um novo e mais adequado ambiente para um novo paradigma da comunicação, no qual o ser humano deixará de se comunicar de forma vertical (de um para muitos) e passará a experimentar (como já vem fazendo) um modelo mutidirecional (de muitos para muitos).

Uma nova etapa de todos nós, ex-macacos que guinchávamos na floresta.

Queremos, com esta primeira provocação, demonstrar, na prática, que a internet não é apenas um novo meio de comunicação - a tão propalada convergência de mídias - como foi alardeado durante os últimos 10 anos.

Queremos, com novas metodologias, treinamento e, obviamente, com uma ferramenta como o ICOX, provar que a grande virtude da rede é a interação e que, quando propiciamos isso, nos aproximamos do seu potencial máximo.

A internet é um meio de interação!

Queremos decretar, como vários outros pesquisadores do mundo já fizeram: o fim da fase patinho feio. Do cisne enrustido. Da Internet 1.0, acanhada. Foi uma etapa útil, didática, instigante, tomou conta do planeta, mas, finalmente, passou! Bem-vinda web 2.0!

Que surge para suprir a necessidade do ser humano de conviver em um planeta cada vez menor, globalizado, mutante, inovador, produtor e consumidor voraz de informação e gerador do bem mais precioso dos tempos modernos: o conhecimento.

É, portanto, um ambiente includente para as abelhas em enxame a favor do vento e excludente para borboletas isoladas, ao sabor dos furacões. Com o ICOX queremos provar que, com a nova e veloz sociedade do conhecimento em rede, a ação individual, isolada e desconectada, perdeu o sentido. Para existir, produzir, criar e gerar riqueza é necessário saber tirar proveito do novo ambiente em rede das abelhas - nas quais as comunidades inteligentes chegam para dominar.

Assim, é fundamental aprender a agir como enxames, cada um de nós, instituições e país! Acreditamos, portanto, que os enxames são a única possibilidade de conviver com o tempo atual e futuro.

Ou seja, precisamos tomar conta rapidamente do novo relevante, entre tantas novidades impertinentes. Identificar, na velocidade do clique coletivo, as oportunidades. E agir como colméias, de forma inteligente, na mesma direção.

Acreditamos, assim, que os portais verticais - aos quais já estamos hoje acostumados - começam a entrar em decadência para dar vez às caixas de abelhas multidirecionais, como é o caso do ICOX e como apontam as tendências em jornais de todo o planeta.

Não há mais lugar para o modelo vertical na primavera dos blogs, dos wikis, dos mywebs, dos flickrs, do ICOX. O usuário passivo não vai a lugar nenhum, pois a rede quer rede, bebe rede, come rede.

Na nova sociedade, não há poder naquele que não conhece. Naquele que não sabe digerir o relevante. Naquele que não sabe agir rapidamente.

Tudo já é e será cada vez mais desconhecido e inatingível para quem tem apenas dois olhos para o bem ou para o mal.

Os engarrafados com redes de celulares já sabem mais do trânsito de São Paulo do que um repórter mesmo de helicóptero e os pacientes e profissionais de saúde organizados, mais que médicos isolados. Mas, por outro lado da mesma moeda, os membros do PCC já se organizam melhor em tele-móveis-conferências do que toda a polícia paulista - que não se comunica de forma inteligente.

As comunidades em rede sempre serão mais eficazes do que mil especialistas isolados.

A borboleta sozinha – que fez muito sucesso até nossos dias – já é incapaz de dar conta do recado. Aliás, dos milhões de recados.

Começa a aposentaria – já tardia e também prematura do gestor de conteúdo. E entra na campina virtual o apicultor de comunidades, que tem como missão criar, manter e estimular colméias.

Sua missão é animá-las para que produzam o mel do conhecimento em rede e, gerem, assim, inovação e riqueza.

O país que tiver a sabedoria de colocar esta máxima na sua estratégia de longo prazo, dará saltos. Os que não, levarão tombos!

O ICOX faz parte, assim, da nova geração de caixas de abelhas. Está na versão 1.0 beta light, mas pretende evoluir até o final do ano. O programa já nasce acessível para os portadores de deficiência visual e permite o acesso para equipamentos móveis (palms e celulares).

No ICOX, não há centro, mas rede. Nele, há pessoas articuladas em grupos e grupos articulados com pessoas, lincados para produzir conhecimento.

E rastros, muitos rastros, para que a colméia memorize e aprenda rapidamente - com ela mesma - a cada bater de asas, individual e coletivo.

Um palco, enfim, para que os céticos possam demonstrar a cada tela que estamos, na prática, equivocados. E para que os otimistas e visionários tenham nas mãos uma ferramenta para provar o contrário.

Como dissemos no início, o ICOX é, antes de tudo, uma provocação. Bem-vindo a ela! Contamos com o seu apoio! [Webinsider]

Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ comunidades ] [ conteúdo colaborativo ] [ blogs ] [ trabalho a distância ]

Comentários

9 pessoas comentaram o artigo "Software livre nacional cria comunidades. Pode usar."

Jesse Rodrigues Data: 25/08/2006 às 11:29 am

Atividade: estudante

Cidade: Porto Alegre

mto show! liberdade para o conhecimento!!!

Fabio Data: 25/08/2006 às 11:57 am

Atividade:

Cidade:

Já testei…

O ICOX é muito bom,é livre e é brasileiro!!!

Abraços

Ramon Bispo Data: 25/08/2006 às 2:35 pm

Atividade:

Cidade: Rio de Janeiro

Parabéns à todos os envolvidos neste projeto!!

Silvio Delgado Data: 25/08/2006 às 8:59 pm

Atividade: Desenvolvedor Web

Cidade: Teresópolis

O software não é tão livre assim.
Exige um registro para o download (onde o link é enviado por email).
Isso é uma forma de controle e não está de acordo com a filosofia do software livre.
Espero que os administradores do projeto tenham consciência de que, para ser verdadeiramente livre, o software não pode, entre outras coisas, exigir que eu me cadastre para realizar o download e instalar no meu servidor.

Micox Data: 26/08/2006 às 12:22 am

Atividade: Webdeveloper

Cidade:

Acho que voces esqueceram um requisito importante para a comunidade do software livre: FUNCIONAR EM DIVERSOS NAVEGADORES/PLATAFORMAS.

Aqui, eu uso o navegador Firefox em resolução 800×600 e o layout ficou todo quebrado. Deem uma olhada.

Parabéns pelo projeto.
Té mais…

Carlos Nepomuceno Data: 29/08/2006 às 7:24 am

Atividade:

Cidade:

Caro Silvio Delgado

sobre o seu comentário:

“O software não é tão livre assim.
Exige um registro para o download (onde o link é enviado por email).
Isso é uma forma de controle e não está de acordo com a filosofia do software livre.
Espero que os administradores do projeto tenham consciência de que, para ser verdadeiramente livre, o software não pode, entre outras coisas, exigir que eu me cadastre para realizar o download e instalar no meu servidor”.

Gostaria de responder a sua interessante questão com os seguintes pontos:

1- o ICOX é um software patrocinado com recursos públicos, portanto, é dever de quem está desenvolvendo prestar contas dos resultados para as fontes de financiamento, já que é o seu, o meu e o nosso dinheiro que está indo para este projeto;

Nã me basta afirmar que 500 usuários que baixaram o ICOX, mas é importante uma lista completa, com nomes e e-mails para verificação, caso necessário.

2- em lugar nenhum está escrito que um software livre não pode identificar sua rede de usuários, pelo contrário, isso é um fator fundamental para que possamos enviar para todos as novas versões e saber como anda o uso para melhorá-lo ainda mais;

Se você encontrar um que não peça e-mail, mande este texto para ele, pois sem rede, não há melhoria possível.

Não vamos confundir software livre, criação coletiva, com falta de governança. Uma rede livre, exige controle, trabalho coletivo e esforço de todos nós para criar produtos cada vez melhores e de graça.

Seu comentário foi bastante relevante e útil, pois já serviu para que coloquemos em breve no site uma explicação do por que exigimos o cadastro.

Quanto ao comentário do MICOX:

“Acho que voces esqueceram um requisito importante para a comunidade do software livre: FUNCIONAR EM DIVERSOS NAVEGADORES/PLATAFORMAS.

Aqui, eu uso o navegador Firefox em resolução 800×600 e o layout ficou todo quebrado. Deem uma olhada”.

Já incluí como bug a ser averiguado.

abraços a todos!

Divulguem o programa!

Thiago Fernandes Data: 04/09/2006 às 3:09 pm

Atividade: Webwriter

Cidade: Osasco

OK, concordo que comunidades é ultima palavra em interatividade na web e sou totalmente a favor a essa tendência.

Mas gostaria de ressaltar que nem tudo na web são comunidades. Quando o autor diz que a aposentadoria do Gestor de Conteúdo está chegando isso se torna uma afirmação muito forte, mesmo porque o G.C não só produz conteúdo, trabalha também com outros aspectos da informação.

Achei divertida a conceituação de Apicultor de Conteúdo, mas ele completaria o Gestor de Conteúdo e não o substituiria.

Bom, mas antes de finalizar meu comentário gostaria de parabeniza-los pelo projeto.

Fábio Rampazzo Mathias Data: 29/11/2006 às 2:31 pm

Atividade:

Cidade:

Concordo com você Thiago, acho que “comunidades” é uma tendência, mas que de maneira alguma abandonaremos os portais. A teoria de comunidades funciona muito bem em nichos e quase não foi testada abertamente.

Acho que o Gerenciador de Conteúdos vai sim continuar existindo, e mais que um “Apicultor” como diz o artigo, ele vai ser um Moderador/Mediador da comunidade.

Mas é isso aí, o Brasil tem que mostrar que tem qualidade e mais do que isto, temos que exportá-la! Software Livre e Comunidade é um grante alvo!

abraços

Celso Bessa Data: 25/06/2007 às 5:54 pm

Atividade: Designer/Desenvolvedor/ Estudante de Comunicação

Cidade: São Paulo

Acho que esse texto que li hoje se encaixa bem como exemplo de inteligência coletiva. Quem sabe eles não venham a conhecer o ICOX?

http://www.relevantnoise.com/blog/index.php/?p=172

‘braços

Celso

Avisos
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