Agência Social Club
18 de agosto de 2006, 17:15Em tempos de teletrabalho e freelance rentável, as empresas precisam repensar a sua função para os profissionais.
Por
Ele era totalmente nova geração. Tinha 17 e programava PHP há 8 anos. Sim. Aos 9 ele já pegava no código. Camarada inteligente, bela bagagem de trabalho. Um tipo ‘trendy’ que qualquer empregador em busca de talento gostaria de ter em sua agência.
Nossa conversa era de noite e a maior parte da galera já tinha ido pra casa naquele dia calmo. Durante a entrevista, ele perguntava praticamente mais do que eu. Queria saber sobre as pessoas, quantos homens, mulheres, idade da galera. Como era o clima do trabalho, que som escutávamos…
Os portfólios dos bons diretores de arte estão todos em inglês. Já bem amparados pela fama que o Brasil constrói há anos no segmento interativo, os sites portfólios são como uma network de profissionais todos praticantes do trabalho freelance, de casa, tranqüilos, muitas vezes em dólar, para todo o mundo. Na bagagem desse trabalho-exportação, recebem convites e vão viver in loco a experiência de morar em outros países.
Um diretor de arte que trabalhou comigo comprou seu apartamento aos 22. Carro do ano desde os 18. Ajudava forte no sustento da sua família. Invariavelmente chegava virado na agência para seu ‘turno do dia’, tendo trabalhado a noite inteira em seus freelas.
Absolutamente toda a turma de criação e tecnologia aqui da agência faz seus freelas. Quando converso na entrevista, sempre deixo claro que não me importo em absoluto, desde que façam fora do expediente e, em casos de emergência, que o trabalho da agência sempre seja o priorizado.
Para a maior parte dos que trabalham com criação e tecnologia para web, grana não costuma ser o seu problema. Podem tranquilamente viver apenas de freelas e é o que muita gente faz.
Há portanto uma mudança no ar muito importante de se observar. Quando esta turma vai à procura de emprego em uma empresa, estão procurando na verdade algo muito diferente do tradicional.
Procuram sim uma grana fixa, mas estão muito mais interessados na convivência social, troca e aprendizado do que no dinheiro. Na realidade, muitas vezes abrem mão de ganhar mais do que ganhariam freelando de casa para participar deste espaço de socialização que as empresas passaram a representar para eles.
É muito provável que a gente volte a ver (como nas épocas da bolha) as mesas de ping-pong e totó (pebolim, para os paulistas) de volta nas agências. Lounges, festas de confraternização, passeios, baladas…
Enquanto não é possível proporcionar um salário ‘cala-boca’ de 5 dígitos pra essa turma, o lance é mesmo transformar os espaços de trabalho em ‘social clubs’.
Que beleza, hein galera?
[Webinsider]
……………………………………………………..
(Reli o artigo com base em alguns dos comentários e acho que realmente generalizei um pouco quando falei que esta era a realidade para a MAIORIA dos profissionais de criação brasileiros.
Como bem colocado pelo Felipe Gomes, ela é sim realidade dentro de um grupo de profissionais bem qualificados com o qual tenho contato mais próximo, mas não deve mesmo ser a da maioria se consideramos toda a categoria profissional, ainda que eu a veja como uma forte tendência de mercado para os próximos anos.)
.





1° Alex Hubner Data: 18/08/2006 às 6:04 pm
Atividade: Trabalho com computadores… :-)
Cidade: São Paulo
Lent, resta saber se isso é algo bom ou ruim.
Me chamou atenção: desconfie de quem quer abraçar o mundo. Não acredito que alguém consiga render bem depois de trabalhar uma noite inteira, e ainda mais quando isso é algo constante. O pessoa-empresa ainda não funciona 100%. Chame-me de antiquado, mas ainda acho que rotina é tudo. Diferencia os bons profissionais (constantes) dos mercenários, que trocam de empresa como macacos trocam de galhos.