Computador Para Todos incentiva a pirataria?
15 de agosto de 2006, 17:54Entusiasta do Linux fica decepcionado ao perceber que muitas pessoas que compram o Computador Para Todos vão direto para um técnico que apaga o Linux ("complexo e feiinho") e instala Windows e Office piratas.
Por
Na semana passada fiquei muito contente com uma notícia. A empregada lá de casa adquiriu um computador para seus filhos. É uma evolução, para ela que trabalha em quatro residências diferentes na semana, sai de manhã e volta somente à noite e não tem tempo para acompanhar a vida escolar dos três filhos.
O equipamento foi comprado financiado em várias parcelas pequenas que ela tem condições de honrar. De imediato ela veio me perguntar se era uma boa máquina. Informei a ela que na medida do possível sim, pois é um equipamento de custo baixo que reúne apenas o essencial para o funcionamento de um computador.
Mas o que me deixou mais curioso foi saber que os computadores deste projeto não podem utilizar sistema operacional que não seja software livre, o que ajuda a manter os custos baixos. Então questionei a ela como ela e seus filhos estavam se adaptando ao Linux.
Imediatamente ela me respondeu que sequer utilizou o Linux, porque o achava muito complexo e por ter uma “carinha muito feia”. Foi então que perguntei como fez para trocar o Linux e qual sistema ela estava utilizando.
Neste momento a minha decepção: ela me disse que gastou R$ 75,00 para um técnico instalar todos os softwares que ela precisava, começando pelo Windows XP, Office 2003, anti-vírus, anti-spyware e firewall pessoal.
Tudo aquilo que ela já tinha na máquina em software livre e legalizado foi transformado por R$ 75,00 em um punhado de softwares piratas. O pior é que o “profissional” que a atendeu ainda afirmou que ela poderia ficar tranqüila, pois o valor pago eram os custos de licenciamento dos softwares.
Expliquei a ela que o que ela estava fazendo era errado, e que os softwares agora na sua máquina eram software ilegais e todas aquelas recomendações de sempre. Mas sei que a situação não vai e nem pode ter outra saída. Infelizmente ela vai continuar utilizando um software pirata.
Ao ver estas condições é que eu me pergunto se o anseio do governo em estimular o software livre no Brasil não se tornou de forma clara um estímulo à pirataria de softwares proprietários. Será que a pessoa ou o lobby que estipulou que o Computador Para Todos deveria vir unicamente com software livre pensou que as pessoas que hoje estão adquirindo estes equipamentos têm condições de utilizar um sistema Linux.
Não teríamos outras maneiras mais fáceis de incentivar o software livre no Brasil? Por exemplo: Existem cursos gratuítos de Linux para as pessoas que possuem menor renda? Será que as pessoas que não têm condições de comprar um computador sem o incentivo fiscal do governo terão condições de pagar por um treinamento Linux?
E o mercado hoje contrata um auxiliar de escritório, carreira inicial de muitos jovens, também pelo fato dele conhecer Linux? Se o objetivo do governo era incentivar o computador para a população de baixa renda de forma a garantir uma melhoria de vida, acredito que começamos com o pé esquerdo.
Se estas questões não podem ser respondidas, por que então o governo proibiu os softwares proprietários de participar do programa Computador Para Todos, mesmo que estivessem com uma versão de baixo custo?
Eu sou usuário Linux por opção, não porque o governo me impôs a utilizar software livre no meu computador. Isto nos remete a sistemas de governo autoritários como os existentes em Cuba e na Venezuela.
Os pilares de liberdade e democracia pelos quais foram construídos os sistemas livres foram completamente aviltados pelo simples fato do governo não deixar o cidadão escolher democraticamente pelo uso de um sistema operacional livre ou proprietário de baixo custo.
Não é desta forma que o software livre irá ganhar espaço no mercado, pela imposição. O Linux deverá obter seu espaço com melhor desempenho do software, com recursos originais, com sistemas que o usuário se sinta atraído a utilizá-lo e com a compatibilidade com o hardware e outros softwares existentes.
O Linux tem que deixar de ser uma simples opção a mais ou uma imposição, para se tornar um sistema operacional fácil e atraente. Mas isto depende única e exclusivamente dos seus usuários e contribuidores.
Não podemos esperar que “incentivos” como este do governo para decolarmos para a verdadeira liberdade de escolha.
.


1° Alexandre Moreno Data: 15/08/2006 às 6:42 pm
Atividade:
Cidade:
Tá de brinquedare né cara-palida?
Tua empregada achou o Linux tosco, optou por um Windows piratão e a culpa é do Governo?
Aliás… optar por software livre no programa “Computador Para Todos” te remete a sistemas de governo autoritários como os existentes em Cuba e na Venezuela? Sério mesmo?
Aliás… Venezuela é uma democracia e Cuba chora por Fidel. Sai da caixinha cara-palida!
Já sobre o “Computador Para Todos”… acho um erro. Inclusão digital tabajara. Tua empregada não precisa comprar um computador. Só precisa ter acesso a um. Um bom, e não qualquer porcaria. Com Windows, Linux, oqueseja!
Isso sim seria inclusão digital.